quarta-feira, novembro 30, 2005

Sonhar nos braços de outro




Ontem sonhei contigo
e no meu sonho não chovia
porque havia um sol
que teimava em rasgar todas as nuvens
pintadas no meu peito.
Era lindo aquele sol
que extinto de passados e esquecido do presente
bailava alegremente nos teus olhos.

No meu sonho o frio não entrava
porque fechei-lhe a porta na cara
e acendi uma lareira na minha pele
para manter os nossos corpos aquecidos.
Então senti que o teu coração derretia nas minhas mãos
rendido ao calor dos beijos que não imploras
e eu juro-te que ainda bebi algumas gotas dessa felicidade temporária
que pingava nos meus dedos.

Ontem fiz amor contigo
e não me perdi na banalidade do sexo
porque quando te amo
não te limitas a penetrar no meu corpo
e violas-me incessantemente a alma.
E eu não esbracejo
nem peço por socorro
porque se eu gritar
será sempre para pedir por MAIS...e MAIS.

Ontem dormi com outro
que não tinha o teu sorriso
esculpido no rosto
porque para a tua cama não fui chamada.
Mas nem deitada naqueles malditos lençóis enrugados
lhe entreguei as folhas de poesia
que escreveste na minha alma
e o meu maior momento de prazer
foi sonhar que recitava no teu corpo
até o dia nascer.

Daniela Pereira 27/11/05

domingo, novembro 27, 2005

Apenas ontem e hoje



Hoje vou amar-te num chão de palavras
porque a tua cama é pequena
para albergar o fogo imenso que lavras no meu corpo.
Com as palavras também te amo
sem precisar de abrir a minha boca
e sabes bem que ela não se vai abrir
se do outro lado não tiver o teu beijo à espera.

Hoje vou apaixonar-me pelo silêncio
porque no eco do meu coração amordaçado
também encontras o meu grito
mesmo que este amor teime em roubar a minha voz.
Com três ou quatro linhas enlouquecidas
também te desejo com fervor
e percorro o teu desenho perfeito
suspirando no fim de cada curva
morta por deslizar nessa pele sem travões.

Deixa-me acreditar na palavra eternidade
porque nela poderei um dia abraçar
um amor ainda maior do que o meu
e ele já é enorme
com braços que conseguem abraçar até a lua
mesmo que o céu já tenha perdido as estrelas
de tanto chorar este amor na escuridão.

Hoje e só hoje...
Vou esquecer que te amo
Vou lamber as lágrimas do rosto
e remendar todas as crateras
que na minha alma os dias malditos escavam
E vais ver que amanhã...
Amanhã e só amanhã
vou adoçar de novo o teu coração
enroscada num pote de mel.

Hoje meu amor de chuva
Vou rasgar este poema sem sol
porque as tuas palavras ainda não dormem na minha cama.

Daniela Pereira 27/11/05

domingo, novembro 06, 2005

terça-feira, novembro 01, 2005

Doença maldita



Vê a noite que rasteja nos meus olhos
e devora-a com a tua boca quente
até que o último pedaço de escuridão
rendido desfaleça na cama.
Deixa ficar o sol colado à porta
porque não precisamos dele
aqui deitados nos lençóis
encadeados pelo brilho dourado do teu cabelo
e deliciosamente aconchegados
pela visão de uma tela colorida que pintamos
quando juntos fundimos os olhares
na ponta do mesmo pincel.

Grita comigo os teus medos
para que fiquem pendurados no tecto
presos nas sombras das nossas almas
e para sempre impedidos de nos tocarem nas costas
com mais um dedo sujo de vergonha.

Apaga todos os nossos pensamentos
com a tua língua de borracha
enrolada na minha boca
e suga todo o fel
que encontrares perdido dentro de mim
sem deixar esquecido nenhum recanto.
Vasculha-me à vontade
e livra-te de fazeres cerimónia
ou de lavares as mãos
antes de as esfregares no meu corpo
porque eu não quero
perder o gosto de sentir o teu cheiro
entranhado na minha pele.

Quero-te assim naturalmente suado
cansado das correrias
e com os joelhos pisados
de tantas quedas no relvado.
Quero ver os restos do sofrimento
estampado no teu rosto
misturado com as gotas de suor
que me darás a beber
num beijo vitorioso.

Não tenhas medo de sofrer novamente
porque eu ensino-te
a curar todas as feridas
e a remendar todos os buracos
que uma paixão involuntária possa abrir no teu peito.
Deixa-me curar-te de todas as doenças
que assolam o teu corpo
injectando o meu amor por ti nessas veias.
Vais ver que não dói nada
porque só em mim poderá doer
se ele não for a tua cura.

Daniela Pereira