segunda-feira, fevereiro 25, 2008

terça-feira, fevereiro 19, 2008

O teu chá de tília...




Queres entender o que sentes mas não consegues...

Porque és assim?

Porque gritas tantas vezes preto...se aquilo que desejas é o branco?

Porque fazes tempestades..quando te apaixonas nos rios.

Tens um olhar triste..demasiado marcado por solidões e descrenças no teu ser. Já falhaste tanto..já bateste tantas vezes no fundo que é difícil para ti não temer voltar para ele. Fazes do pouco..muito! Se calhar nunca tiveste demasiado para saber aquilo que realmente tens nas mãos.

És assim porquê? Uma onda mal formada a rebentar de espuma amarelecida cheia de passados mal cobertos.

Se calhar és inocente demais na forma como sentes o mundo...ou então se calhar és mesmo só velha, porque te obrigaram a viver muito lentamente alguns instantes da tua vida e tu ganhas-te rugas sem que te dês conta que elas já lá estão.

Pedes que te entendam..para quê? Se nem sequer tu te consegues entender...

Fechas os olhos e imaginaste-te no teu sonho mais belo...na paisagem mais tranquila que consegues inventar dentro de ti.Por momentos,ficas calma e consegues realmente entender...entender as palavras dos outros...a sua tristeza para contigo...entendes os teus erros e prometes mudar.

Acreditas que consegues?Se calhar devias acreditar com mais força para marcares essa diferença que precisas para rasgares essa tua insegurança da pele e brotares por inteiro.

Ai que isto dói cá por dentro..que as verdades ecoam como lâminas,mas precisas mesmo de as ouvir!

Tens um olhar triste e gritas essa tristeza com violência mesmo quando te abraçam terno...

Menina inconsciente, porque não sabes ser Mulher adulta!

Porque acreditas num coração a bater..porque gostas de cantigas de embalar e de olhares apertados.

Devias usar tranças no cabelo e laços vermelhos nos sapatos...mas tens sonhos presos aos vestidos e rebuçados de mentol nos penteados.

Bebes chá de tília e atiras-te como louca para a tua cama desfeita e se o sol não vem fazes cair chuva do tecto só para te vingares da escuridão.

E isto entende-se?Essa forma estranha de te inserires na vida ?

Essa tua obsessão de sentir num mesmo tom, se sabes que as pessoas não são melodias perfeitas. Gostas do caos que se instala à tua volta quando cantas desafinada serenatas à tua alma..Talvez seja isso..entendes melhor o caos que a ordem das coisas.

Deixa-te estar caótica que a paz logo vem...apetece-te respirar fundo..sinto-o daqui. Nessa tua respiração intervalada com soluços breves...

Mas mesmo caótica, sinto-te agora estranhamente calma... como se tivesse por fim encaixado todas as peças daquele puzzle interminável com que a tua cabeça jogava...

Daqui a pouco estás outra vez ofegante e a misturar novas peças na tua cabeça... ou talvez não..ainda não consegues prever os teus gestos. Mas há algo diferente em ti..uma luz que se apagou por instantes mas que ainda se vê de longe no teu olhar...

Deixa-te ficar assim a lamber as feridas mas sem sangrar... a aprender porque lamentas perder quando foste tu que fizeste a guerra...

Mas estou a olhar para ti e acho..não tenho a certeza que hoje não te apetece dizer mais nada.

Guarda então as palavras no peito e entende porque é que este silêncio só te sabe a meio amargo...

Tens uma lágrima a cair dos teus olhos...tão pequena..e tão bonita que ela é.Deixa-a cair... faz todo sentido deixá-la pertencer ao teu chão.

Daniela Pereira

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

A aflição do silêncio da carne quando a alma levanta a voz...




Talvez não tenha o direito de pensar...
talvez o mais correcto em mim
seja sempre o sentir...
Porque me rasgam estas dúvidas
tão profundamente o peito?
De onde chegam vocês
agora que sentia tudo perfeito à minha volta?
Tenho a carne agrafada ao corpo...
suada e aflita
porque não se consegue soltar
e desesperadamente sabe que quer voar
e em pedaços suculentos se doar.
Falta sentir os teus dedos pedindo
para me aproximar com a respiração encravada...
Falta sentir que beijo cerejas
e que sem mim a água tem sede
quando escorre nos rasgos da minha boca...
Este sentimento vai e vem cá dentro
e deixa-me louca...
tenho ondas no olhar
e riscas coloridas
desenhadas às pressas
que me turvam a visão...
Apetece-me estalar o que sinto
forte contra o rosto despido
e interrogar a alma até à exaustão...
Porque te sentes sozinha
nas palavras que debitas
com o coração envergonhado?
Porque não corres para os meus braços
como se o mundo fosse acabar amanhã..?
não só para ti...
mas para mim também
porque eu sou só uma brisa que hoje por ti passa
e amanhã posso ser chuva desnorteada
desfeita num chão.
Deixa-me morrer aos poucos...
voar por cima das montanhas
que amargamente levo às costas
e tantas vezes me fazem viajar
em círculos infinitos
que não parecem ter fim.
As borboletas perdem a cor
mas viram todos os arco-íris de perto
antes de serem tela a preto e branco...
As formigas esmagam-se com um simples passo
mas já percorreram tantos caminhos desconhecidos
antes de serem pó na estrada...
As flores murcham com o cair da primavera
mas já perfumaram tantas peles
antes de perderem todas as pétalas ...

Inspiro...
Roubo aos pulmões toda a postura
e o ar sai-me curvado pela boca
já cansado de tanto fugir
com soluços a vibrar na garganta.

Sinto...
Será que tenho o direito de sentir
se nem nas palavras me acredito?

Escrevo...
Aqui nasço e renasço cem vezes
com o coração completamente à toa
e abraçada às palavras
mato o medo de me perder...

Daniela Pereira
Direitos Reservados

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Dor original...



Original é o poeta
que luta contra as ondas
mesmo quando sabe que se vai afogar...
O poeta que inventa o sol
em dias de chuva
mesmo que morra no salgado das lágrimas.

Original é a rosa
que brota solitária num jardim
sem temer a solidão
do vento quando este lhe toca...

O poeta é banal
porque chora
e tem medo como todos os mortais
que deixam passos na areia...
O poeta nunca será original
só porque sente que a sua escrita é imortal...
O Amor também dói
como dói toda a poesia no peito
mas até ele morre
como toda a gente...

Daniela Pereira
Direitos Reservados

Foto por Pokosandiva in http://pokosandiva.deviantart.com/art/Je-t-aime-76434118