sexta-feira, agosto 20, 2010

Há homens que dormem sem escuridão...




E se os sonhos fossem papagaios de papel?

Talvez os pesadelos fossem balões para furar à luz da lua...

Atar os nossos sonhos a um arco-íris de papel e deixar as vontades voar a favor do vento...

Só um vendaval de ideias à solta e um punhado de areia para enterrar os teus erros.

Que bela é a liberdade de um sonhador

não há montanha que não alcance

nem nenhum mar que fique por atravessar...

E dos seus olhos nascem pássaros amarelos

que no topo do mundo querem pousar

e há uma campa fria no fundo do peito

onde já repousam os fracassos.

Depois há aqueles que apenas dormem com os olhos abertos na escuridão...



Daniela Pereira

Direitos de Autor Reservados

quarta-feira, agosto 11, 2010

Romã...

Foto @Raquel Moura
P.S: Parabéns amiga,só o teu olhar podia descobrir um contraste com tanta beleza...aqui fica o poema que escrevi inspirada na força e na fragilidade desta imagem*

Um dia planto uma laranjeira à tua porta


Tens um lado de ti onde nada se abre....até o sol se encobre debaixo das tuas persianas como se a tua janela fosse um fosso de escuridão aparentemente sem fundo.

Do outro lado és a Primavera em flor...e todas as sementes desmaiam aos teus pés mais vivas do que nunca.Já te rasgaram a pele das paredes,como se fosses para sempre um fruto velho a secar ao tempo que passa sem pressa para murchar.Não disfarças os dedos que já te treparam o corpo despido numa ténue cor de gema de ovo como se a tinta que te pintou um dia os pontos brancos fosse impermeável ao sal dos olhos que nas tuas paredes choraram despedidas agarrados a ti..

como se tu lhes fosses dar algum alento.

Mas há um lado em ti...onde tudo se transforma..onde não há tempo para escuridões ou vozes de sombra e só os risos sobrevivem ao verde das tuas raízes.

Que linda que é a tua janela!

Aquela que nuncas abres mas onde o sol nunca se põe e a noite a ela nunca chega...

mas o luar...ai mas o luar recortado no teu corpo de vidro riscado entra pela Primavera a dentro e não existem folhas caídas que resistam no chão por muito tempo e até as flores mais tímidas brotam nos velhos telhados laranja que trazes nas veias .

Um dia abro o mundo com as minhas próprias mãos e planto uma laranjeira à tua porta ….


Daniela Pereira

Direitos de autor reservados

quinta-feira, agosto 05, 2010

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segunda-feira, agosto 02, 2010

Rumo à liberdade...





Já cheguei às tuas pedras e não as atirei para o ar...pelo contrário,fortaleci o meu chão
porque um chão raso é que me engole...
Cheguei ao mar,incrivelmente cheguei com os pés molhados depois de atravessar tanta areia seca...é um fenómeno que não sei explicar,assim como não sei explicar porque há chuva em pleno verão e o inferno traga o verde dos meus olhos.
Vais fugir das minhas fugas?
Como se fugir fosse a solução de todos os afogamentos que o mar promove na minha mente...talvez devesse cortar o mar ao meio e caminhar por entre as ondas como se o meu corpo fosse um milagre desencaminhado e sem rumo.
A tua liberdade é o teu escudo...a minha arma é o teu grito e a paz é um colchão vazio que os sonhos perfumam para não perderem a reputação de serem Deuses maiores que tudo podem mesmo quando já em nada acreditas.
E o veludo é verde porque o vermelho desbotou com o sal da cozinha e o amarelo não tem girassois na pele,só os pressinto na barriga...
Deixa estar que o mar é surdo..sei-o porque já supliquei em tom vibrato que queria partir e ele não me deixou dar nem um passo,atirou-me logo com a onda mais feroz e sacudiu-me a esperança até ela deixar de tentar ser feliz e fez-se um caminho seguro com vidros estilhaçados para nada mais partir por dentro.
Já vejo o teu barco a acenar bandeiras brancas enquanto deriva na incerteza de uma direcção ...
Basta de esperar
que o mar se abra para mim! ...
Então dispo-me de incompetências e inocências e de todas as "ências" que nos tornam máquinas de coração estripado e rumo à liberdade
com as asas presas aos pés calcinados pelos dias que ardi à toa por alguém...

Daniela Pereira
Direitos de Autor Reservados