Daniela Pereira
Direitos de Autor Reservados

Não existem aves lá fora...
apenas voam gotas de chuva atravessando o silêncio numa valsa muda...
Não existem flores nos jardins...
recolhemos as pétalas na última ventania que passou...
Não existem gritos a sacudir as janelas...
hoje escrevi no coração com as pedras gastas da calçada
e surpreendentemente ele não se riscou...
Não existem pensamentos aos pontapés nas ideias...
está selada a ordem das coisas
e o meu caos restaurado
como lenha fresca que se deita na fogueira
para o lume não partir...
Não há tempo para dizermos o que sentimos
quando o vazio nos envolve..
Somos borboletas em flor..prontas para parir a luz
mas em tantos momentos abrigamos o peito na mais pura escuridão...
Não existem aves no céu...
porque só rente ao coração sobrevivem as tuas penas...
Então soltamos os teus loucos sentidos e assim fugimos dos Homens normais.
Daniela Pereira
Direitos de Autor Reservados

A solidão é um caminho de cabras por onde os rebanhos de sonhos não passam...
É uma casa sem janelas forrada a cetim onde o sol não entra e só um leve nevoeiro paira.
A solidão é uma realidade que devia ser miragem para facilitar as contas que nos trancam os olhos a uma parede reflectida no chão onde a luz bate e volta ao inicio da escuridão.
A solidão...a solidão é uma palavra amarga que nos prova a boca quando nada temos para dar..para fazer crescer sem regar o momento com alguma tristeza que afoga qualquer semente que tentamos cultivar.
Depois choramos porque sentimos que as flores partem e só as silvas frutificam porque usámos as lágrimas para abençoar o dia e esquecemos que só a sorrir o mundo agradece.
A solidão é uma faca de estrutura romba que nos consegue ferir com a ferida mais fina e mais profunda.. não deita sangue..sangra com sal..é uma hemorragia silenciosa que termina sem uma gota derramada mas que afecta todos os nossos mares.
Um dia vai haver uma onda silenciosa que varrerá tudo e tu vais chorar o ontem como se ele ainda estivesse ali espetado contra o teu peito..cravado no teu intimo como uma marca intemporal que nada derruba ou diminui.
Faz o teu mundo... põe-lhe flores nos canteiros..pinta-lhe arco-íris nas paredes..prende o céu cinzento sozinho lá no escuro de um canto..desenha um sol que não se deite nem por um segundo...sacode a chuva dos teus cabelos porque a solidão sempre volta à tua boca e como um filho que regressa a casa leva-te nos braços.
Daniela Pereira
Direitos de Autor Reservados
















Foto @Raquel Moura
Um dia planto uma laranjeira à tua porta
Tens um lado de ti onde nada se abre....até o sol se encobre debaixo das tuas persianas como se a tua janela fosse um fosso de escuridão aparentemente sem fundo.
Do outro lado és a Primavera em flor...e todas as sementes desmaiam aos teus pés mais vivas do que nunca.Já te rasgaram a pele das paredes,como se fosses para sempre um fruto velho a secar ao tempo que passa sem pressa para murchar.Não disfarças os dedos que já te treparam o corpo despido numa ténue cor de gema de ovo como se a tinta que te pintou um dia os pontos brancos fosse impermeável ao sal dos olhos que nas tuas paredes choraram despedidas agarrados a ti..
como se tu lhes fosses dar algum alento.
Mas há um lado em ti...onde tudo se transforma..onde não há tempo para escuridões ou vozes de sombra e só os risos sobrevivem ao verde das tuas raízes.
Que linda que é a tua janela!
Aquela que nuncas abres mas onde o sol nunca se põe e a noite a ela nunca chega...
mas o luar...ai mas o luar recortado no teu corpo de vidro riscado entra pela Primavera a dentro e não existem folhas caídas que resistam no chão por muito tempo e até as flores mais tímidas brotam nos velhos telhados laranja que trazes nas veias .
Um dia abro o mundo com as minhas próprias mãos e planto uma laranjeira à tua porta ….
Daniela Pereira
Direitos de autor reservados





You fall like an angel to me
And you fell and broke your wings
It was never meant to last
You were just a ghost from the past
I thought you really could be real
That my heart was ready to bleed
When I walked through pain and fear
You would totally disappear
You know that I love you, you know what I need
You know that I find you so tender so sweet
We walked through the darkness, we walked in the sun
We shared all our sorrows, we shared all our love
You said that you love me you said that you cared
So how could I know I had something to fear
I don't know where you are I know that you're hurt
I should have been able to sense your alert
You came like a stranger to me
And you said you were for real
Now I do know where this will end
I was cold and I needed a friend
I turned on the light so you could see
I was stuck in some other dream
Still my eyes were crystal clear
You came closer and shattered my tears
Chorus
How could you say you want me to go
When my diamond was starting to glow
When you knew that I wanted you so
You left me alone
É pó de estrelas aquilo que eu vejo à superfície do teu querer...














