quarta-feira, abril 28, 2010
melodias discretamente incertas...
Fechar os olhos...respirar...paz...nuvens negras vão suspensas lá ao fundo...bem lá ao fundo...
...Que venha a paz quando abrir os olhos devagarinho....silêncio que a alma respira por fim...
terça-feira, abril 27, 2010
The puppet mirror...

Já não tenho cordas para controlar os meus gestos...
Já não tenho espelhos por partir...
todos os vidros já me rasgaram a pele e desenharam-me a alma outra vez...
Se vi o luar à luz de um rio impuro...hoje ainda me ardem os olhos por ter mergulhado a seco em ti...
Marioneta dos sentidos e dos prazeres adiados deixa-me dançar ao som dos meus desejos...
Estou cansada de fantasmas que me assombram os beijos e me atropelam a ternura como se fossem camiões desgovernados a pedir um corpo por um fio...
Já não tenho tesouras presas aos meus dedos...cortei-me fundo e esvaziei-me de veias mornas...
Daniela Pereira
Direitos de autor reservados
Etiquetas:
daniela pereira,
fotografia das palavras
domingo, abril 25, 2010
Ainda é Abril...

Em todas as cinzas plantei cravos vermelhos e arranquei espinhos profundos....
e tudo o que jamais fui capaz de soprar ergue-se hoje mais livre de culpas e correntes...
Em todas as grades derrubei sólidas prisões da alma com uma caneta revolta em aromas passados e uma pomba de asas abertas esvoaçando no peito coberto de areia..
Em todas as ruas por onde passei rasguei-me de paixões e remendei-me com ilusões e sonhos a granel...
Ainda bem que existem canteiros com flores e sorrisos de sabão para combater a feia escuridão que espreita lá fora!
Em todos os amores que abracei nem a pele ficou por vestir nos ternos abraços...e se lágrimas chorei foi por não me sentir crente que alguns amores tivessem a palavra liberdade escrita na testa...
Ainda bem que existem letras negras para eu forrar as fendas das paredes e corações vermelhos com gosto a rebuçado...
Digo adeus às lutas amargas porque hoje é Abril e ainda ficaram tantas flores por despir...
Daniela Pereira
Direitos de autor Reservados
terça-feira, abril 20, 2010
Sublinhados...

De todas as marcas e símbolos do quotidiano....escolhi o ponto final como prova da minha vontade mais formosa...
O ponto..sem curvas incorrectas nem virgulas amestradas...és um ponto final no meu caminho reticente..
E em todas exclamações que já dedilhei na guitarra de fumo..tu foste o espanto mais desafinado do meu peito...
Dou pausas no prazer e sigo serena nas minhas páginas de sonhos revestidas...
Sei que tenho uma pergunta irregular algures à minha espera...mas prefiro saltar os pontos de interrogação que me deste.
De todas as marcas...escolhi o ponto final como valor supremo na minha boca...
Daniela Pereira in Sublinhados
Direitos de autor reservados
sábado, abril 10, 2010
"De azul se faz mais um pouco de cor

...E eu aqui fico imersa em devaneios e alguns paleios menores...
Não gosto deste mundo tão certo que não me faz vénias quando planto papoilas nem me beija a mão quando desenho borboletas com a ponta dos dedos e digo adeus à nuvem cinzenta que caminha distraída com o seu passo a saber a chuva...
Pode chover que eu não me importo...
conheço as minhas lágrimas de sal como conheço os ceus azuis por onde já bailei destemida com a mente seca de pensamentos e o coração cheio de mais alguma coisa que ontem era coisa nenhuma...
Pode chover que eu não me importo...
as pedras são para aqueles que perderam a vontade de voar e eu gosto de amar com gotas de chuva...
E eu posso ser pequena neste mundo bafejado de gigantes mas jamais estarei só..
Embalo sonhos na minha sombra e os ventos fazem castelos nos meus cabelos enquanto faço serenatas ao bicho papão ...
E eu tenho um certo gozo em ver-te contente imaginando que embrulho folhas de papel como quem faz um laço ao sol da Primavera bem apertado para ele não mais fugir..
e lá fico perdida no horizonte de Inverno a ver chegar os pássaros de luz com melodias de areia...
no meu mundo...no meu mundo...
Daniela Pereira in "De azul se faz mais um pouco de cor"
Direitos Reservados
sábado, abril 03, 2010
Papoilas

Por todas as palavras que não disse...
Ficaram papoilas por florir e rosas por murchar...
Mas o vento fez-me a vontade e levou para longe os teus silêncios amargurados
e enquanto o vento sopra...já não há mais nada por dizer.
Fecho a janela às madrugadas vestidas de branco...
Daniela Pereira
Direitos de Autor Reservados
quinta-feira, março 25, 2010
O peixe riscadinho e o gato sem riscas...

Era uma vez um peixe riscadinho e um gato preto sem nenhuma risca no pêlo...
O peixe riscadinho vivia num lago e passava os dias a nadar feliz no seu cantinho de águas limpas.Algumas vezes ele gostava de mergulhar bem fundo e ir ter com as pedras ou com as algas que encontrava sempre agarrada a elas.Nas tardes com sol a água aquecia e o peixinho fechava os olhos e flutuava contra o vento.
Nessa casa mas afastado do jardim vivia também um gato..um gato preto de gestos ágeis e pêlo brilhante.O gato sem riscas gostava de ficar até bem tarde na cama..era muito friorento e preferia o quentinho dos cobertores da dona ao ar frio das manhãs.Por vezes também gostava de ficar à janela, a olhar para os amigos vizinhos que o cumprimentavam de longe.
Um dia o peixe riscadinho estava a gozar uma tarde de sol no seu lago,livre de pensamentos quando ergueu os olhos para o céu e viu uma grande mancha negra e uns grandes olhos verdes a olhar fixamente para ele.Assustado deu um enorme pulo e o gato preto num reflexo inesperado esticou a pata na sua direcção mas não agarrou o peixinho. O pobre do peixe ficou com o coração aos saltos depois daquele grande susto e o gato ao vê-lo em tamanha aflição apressou um pedido de desculpas...
- Mil perdões companheira,foi mais forte do que eu..é que ao olhar para si imaginei-a com ares de uma apetitosa sardinha.Mas deixe-me que lhe diga,que a senhora para sardinha é um pouco estranha com essas riscas pretas nas costas.
O peixe foi lentamente recuperando o fôlego e logo deu resposta ao gato preto atrevido...
-Pois fique sabendo que não sou sardinha nenhuma,mas sim um peixe de linhagem asiática e de paladar refinado,digo-lhe eu!Disse o peixe riscadinho ofendido pelo desconhecimento da sua classe...
-Mais uma vez desculpa,mas não digas que tens paladar refinado,porque aviso-te que ainda não meti nada nesta barriguinha hoje e as tuas palavras estão a aumentar-me a fome...disse o gato preto salivando sem se aperceber.
-Bem,senhor gato é melhor mudarmos de assunto realmente...achou melhor dizer o peixinho,já a imaginar-se na boca daquele grande gato preto esfomeado e o gato assim fez.
-Não tinha reparado que moravas aqui neste lago e passo tanto tempo neste jardim...
-É natural,quando a água está mais fria eu prefiro ficar escondido debaixo das pedras onde está mais quentinho,por isso nunca deves ter reparado em mim durante os dias de Inverno..explicou o peixe ao gato curioso.O gato piscou um olho porque um raio de sol tinha entrado demasiado fundo e lhe ofuscado a visão...
-Mas olha que eu no Inverno,também não ando muito cá pelo jardim...primeiro porque está frio..segundo porque odeio molhar as patas quando chove e terceiro não há muito para se ver em dias de tempestade para além de um vento irritante a zumbir-me nas orelhinhas.
O peixe explicou-lhe que também não era adepto dos dias frios e que era normal hibernar no fundo do lago até a água aquecer...
O gato achou estranho e imaginou-se no fundo do lago de patas para o ar sem mexer um músculo...mas quando pensava nisso mais se lembrava que assim iria parecer que estava morto.
-Ai,que estranho essa coisa do hibernar...mas tu não tens fome,nem ficas com dores no corpo por estares tanto tempo parado no fundo da água?E os teus donos nunca pensaram que estavas morto ao ver-te assim?Aquela história do fingir de morto durante o Inverno ultrapassava a sensatez do gato preto,que não consegui ver vantagem nenhuma em poder ser confundido com um animal moribundo e ser atirado para uma cova cheia de terra ou então no caso do peixinho ser descartado para o esgoto ou para a boca do cão da casa o que seria um cenário ainda pior para imaginar.
Daniela Pereira
Direitos de autor reservados
quarta-feira, março 24, 2010
Seda...
domingo, março 21, 2010
Ao acaso...
Quero gritar bem alto...
Projectar as palavras
para longe da garganta.
Libertá-la deste nó
que a sufoca
sempre que abro a boca.
Escrever frases sem nexo
sem conexão com os sentidos.
Cortar ligações entre palavras
e os sentimentos enlouquecidos .
Amachucar as letras
como se elas fossem apenas desperdícios.
Juntá-las por brincadeira
e como uma criança
construir palavras sem pensar.
Respirar lentamente
este ar doce que me envolve
enquanto a noite acaricia
a minha pele com mãos de veludo.
Olhar em frente
mas com o coração debruçado
nas curvas do silêncio
que ecoa no quarto.
Respirar profundamente
e asfixiar-me de desejos.
Rasgar os lençóis da cama
com os dentes trilhados na seda.
Quero rir bem alto...
Pregar os sorrisos à parede
como se fossem quadros.
Ensurdecer o silêncio
com gargalhadas sonoras.
Mergulhar numa banheira
encharcada de perfume
e fazer inveja às rosas.
Quero sonhar que ainda estou viva
enquanto caminho nas nuvens
e deixar morrer suavemente nos meus braços
todos os desejos sonhados contigo ao acaso.
Daniela Pereira in "Cortar as Palavras num só Golpe,Corpos Editora 2005"
Direitos de Autor Reservados
sábado, março 13, 2010
Façam festas às paredes como se elas fossem de veludo...

Soltem-se os braços porque as minhas mãos já não são roseiras com espinhos e os abraços são para se dar até ao último fôlego da tristeza que se quer raio de sol...
Corações ao alto...porque um coração de rastos não sabe bater ao som do compasso...
Almas ao vento....porque uma alma amarrada não tem vida de borboleta e é um sopro sem voz...
Beijem as nuvens que passam..porque ontem eram trovoada e hoje já só sabem ser nuvens cinzentas ,ai como é bom saber que nenhuma chuvada ficou por cair nos teus ombros molhados!
Ai como é bom sentir que acidez que sentias no teu peito já não vence a doçura que sempre pingas na tua boca quando sorris para o vazio sentindo-o cheio de espuma branca...
Corações ao alto...porque os corações não são pedras para amontoar num só chão à espera que os pisem de novo..
Almas ao vento..porque o poeta já não tem cordas na língua nem cravos pregados nas prosas...
Façam festas às paredes como se elas fossem o pedaço mais suave que as vossas mãos podem sentir...
Depois carimbem estrelas em cada passo que passe por vós para retribuir até os momentos de escuridão com luas maiores...
Ai como é bom sentir que ainda temos um coração capaz de apaziguar todos os nossos monstros de cartão...
Daniela Pereira
Direitos de Autor Reservados
terça-feira, março 09, 2010
Para as Mulheres da minha vida....

8 de Março de 2010-Dia Internacional da Mulher
Para as Mulheres da minha vida deixo um sorriso colorido e o abraço mais apertado que nos braços posso conter....
Para as Mulheres da minha vida..que são mães,doces e protectoras...
Que são fadas sem asas mas sempre me aconchegam os sonhos se na noite passada tive pesadelos...
Que me escutam,mesmo quando digo disparates ou encho os olhos com lágrimas salgadas e perco a força que em mim procuram ver..
Que são amigas...ternas,fieis até quando não consigo ser perfeita e lambem as minhas imperfeições até sentirem que já não há ferida...
Para as Mulheres da minha vida roubo pedaços ao céu..sopro nuvens negras...pinto o sol em tons de mel...perco o calor do meu peito se no coração de alguma entristeço...
Pelas Mulheres da minha vida perco a voz..solto o grito..atravesso o escuro porque no fundo do corredor elas trazem-me sempre uma nova luz à minha escuridão...
Às Mulheres da minha vida..Obrigado por serem tão Mulheres....
Um beijo nos gestos*
Daniela Pereira
Etiquetas:
daniela pereira,
fotografia das palavras
quinta-feira, março 04, 2010
O Inferno fica sempre à escuta...

Se todos os seres tivessem alma em vez de dois neurónios certeiros...
não existiriam rios manchados de impurezas nem vagabundos perdidos na rua à espera que a chuva fosse feita de gordos tostões para puderem encher os bolsos vazios..
Se as mãos do Homem fossem mãos de pescadores a fome do mundo morreria no fundo da barriga de um peixe e o pão dos pobres teria fermento...
De magras carcaças o Céu
já está tão cheio!
Mas a Natureza parece que nos quer engolir num leito de terra e pastas de lama
e o Céu hoje é pasto de anjos...
E o Homem grita que tem fome de calmaria e pede uma chuva branda e mares adormecidos... mas o Inferno fica sempre à escuta com as mãos a tremer de frio.
Daniela Pereira
Direitos de Autor Reservados
Foto by @Daniela Pereira
segunda-feira, março 01, 2010
Ainda fico de braços abertos...
Goldfrapp-It's Not Over Yet(Grace & Klaxons Cover)
Ainda não terminei as lágrimas e os laços desapertados
que me deixam solta nos vazios temporários...
Não posso entristecer..porque estar triste é perder forças..
Porque estar cansada...
ser flor cortada ao meio é dispensável num mundo que se quer inteiro.
Ainda não terminei as lágrimas e os cansaços...
Ontem vi um sorriso à espreita e pedi-lhe um abraço parada junto à porta..
mas ele não me viu ..
acho que se esqueceu que eu costumo estar ali de braços abertos...
Daniela Pereira
D.R
sábado, fevereiro 27, 2010
Insólitos Descartáveis I
Insólitos Descartáveis- Excerto do texto "Somos cães que as larvas desprezam"
Não quero ser arrogante nas palavras que exalo, mas a arrogância aqui faz todo o sentido. Estou a olhar o mundo que está lá fora e sinto nojo por senti-lo assim....bruto e grotesco. As pessoas parecem uma matilha de cães esfomeados lutando pelo melhor pedaço que a vida lhes atira ao chão.. e como cães que são mostram-se bichos rudes e insensíveis não hesitando em morder os fracos e derrotados até ficarem com os dentes bem cravados na carne... porque neste mundo só os vencedores merecem comer. Vale tudo para se ser feliz neste planeta de mesquinhez e cobardia! Queres ser feliz ? Então, não penses mais porque a maneira mais fácil de lá chegares é devorares a felicidade dos outros...engole-a só para ti...tira-lhe o ar e depois deixa-a seca e vazia num canto qualquer da tua rua. De preferência, num canto escuro, só para que ninguém veja o teu trabalho sujo a brilhar na sujeira que amontoas na tua alma. Não podes ser descuidado e deixar á mostra de todos, as lágrimas daqueles que espezinhaste porque ainda rompes a tua máscara e toda a gente vai saber que és um monstro horrendo. Montaste ao meu coração um cenário lindo de morrer! Só podia porque no fim ele será o meu cemitério ...e a morte de um sentimento tem que ser celebrada com euforia e cor. Fico a rir dos teus rios límpidos e cristalinos, onde a água é na tua dimensão imaginária um objecto de pureza extrema. Achas que não consigo ver que ela está conspurcada de restos maltratados? Louco e inocente...é isso que és! Tenho olhos de breu, mas ainda consigo ver para lá da mentira porque a verdade nunca me enganou e sabe bem guiar os meus passos. Iludiste-me... enfeitiçaste-me com palavras doces e lenga-lengas, mas o meu peito sempre desconfiou dessa doçura reforçada. Batia mais forte...é certo que batia! Mas em todas as corridas que fazemos o coração acelera mesmo que tu vás direito a um precipício ...ele não pára. Não escolhe porque bate...apenas sente debaixo de um emaranhado de músculos entalados na carne e abraçados por sangue que tão depressa ferve como congela a uma velocidade estonteante.
O mundo gosta de pregar sermões aos peixes... de cuspir amabilidades e falsas certezas pela simplicidade do acto. Ser sincero é muito mais trabalhoso! Custa sofrer quando se diz uma verdade e ela é sentida até à raiz dos teus cabelos....imagina-a como uma dor dentes...
Daniela Pereira in Afectos Obsessivos (Excerto do texto “Somos cães que as larvas desprezam”),Edições Ecopy 2007
Não quero ser arrogante nas palavras que exalo, mas a arrogância aqui faz todo o sentido. Estou a olhar o mundo que está lá fora e sinto nojo por senti-lo assim....bruto e grotesco. As pessoas parecem uma matilha de cães esfomeados lutando pelo melhor pedaço que a vida lhes atira ao chão.. e como cães que são mostram-se bichos rudes e insensíveis não hesitando em morder os fracos e derrotados até ficarem com os dentes bem cravados na carne... porque neste mundo só os vencedores merecem comer. Vale tudo para se ser feliz neste planeta de mesquinhez e cobardia! Queres ser feliz ? Então, não penses mais porque a maneira mais fácil de lá chegares é devorares a felicidade dos outros...engole-a só para ti...tira-lhe o ar e depois deixa-a seca e vazia num canto qualquer da tua rua. De preferência, num canto escuro, só para que ninguém veja o teu trabalho sujo a brilhar na sujeira que amontoas na tua alma. Não podes ser descuidado e deixar á mostra de todos, as lágrimas daqueles que espezinhaste porque ainda rompes a tua máscara e toda a gente vai saber que és um monstro horrendo. Montaste ao meu coração um cenário lindo de morrer! Só podia porque no fim ele será o meu cemitério ...e a morte de um sentimento tem que ser celebrada com euforia e cor. Fico a rir dos teus rios límpidos e cristalinos, onde a água é na tua dimensão imaginária um objecto de pureza extrema. Achas que não consigo ver que ela está conspurcada de restos maltratados? Louco e inocente...é isso que és! Tenho olhos de breu, mas ainda consigo ver para lá da mentira porque a verdade nunca me enganou e sabe bem guiar os meus passos. Iludiste-me... enfeitiçaste-me com palavras doces e lenga-lengas, mas o meu peito sempre desconfiou dessa doçura reforçada. Batia mais forte...é certo que batia! Mas em todas as corridas que fazemos o coração acelera mesmo que tu vás direito a um precipício ...ele não pára. Não escolhe porque bate...apenas sente debaixo de um emaranhado de músculos entalados na carne e abraçados por sangue que tão depressa ferve como congela a uma velocidade estonteante.
O mundo gosta de pregar sermões aos peixes... de cuspir amabilidades e falsas certezas pela simplicidade do acto. Ser sincero é muito mais trabalhoso! Custa sofrer quando se diz uma verdade e ela é sentida até à raiz dos teus cabelos....imagina-a como uma dor dentes...
Daniela Pereira in Afectos Obsessivos (Excerto do texto “Somos cães que as larvas desprezam”),Edições Ecopy 2007
quinta-feira, fevereiro 25, 2010
Aproximações

Todas as recordações guardam perfumes e gotas de sal em frascos de vidro fosco..Todos os teus passos têm cheiro a passado..gosto a presente e gestos para memória futura...O resto..o que não nos marca...o vento sopra como folhas castanhas que o Outono desprezou
E quando dançamos...dançam aos nossos pés todas as estrelas caídas na maré dos nossos sonhos...E todos os jardins ganham cor nos amontoados de terra que ninguém quis florir...Já tens margaridas brancas penduradas nos cabelos e nos teus lábios rosas de carmim ganham mais carne...Mas quando dançamos a tua alma é fresca brisa que me arrefece até aos ossos..
Daniela Pereira
Direitos de Autor Reservados
segunda-feira, fevereiro 22, 2010
Afago ...
quarta-feira, fevereiro 03, 2010
Quando uma chama respira na tua boca..morre uma cinza nos teus cabelos..

Vamos celebrar as palavras como quem festeja os anos que passam..
Os anos que correm nas tuas veias,apenas se virares o mundo de pernas para o ar...
Se não, o chão pára a ver-te silenciar o coração
como se tu fosses uma rosa sem espinhos
que o vento não perdoa...
Vamos dizer que estás vivo..
Que a água que te molha os pés e te faz espirrar
já foi um rio num dia que passou
na folha escrita do teu calendário...
Sei de fonte segura que te rasgaram algumas vezes...mas tu não te fizeste página rasgada e rasuraste as tuas feridas mais profundas lambendo o mel que te colou..
E morreram os teus amargos de boca
esmagados pelo peso daqueles dedos que gritavam...
LIBERDADE
E se as palavras te disserem...
Sentes medo ?
Tu vestes um sorriso..
como quem veste a pele de um filho acabado de nascer
e com todas as tuas forças
proteges a tua boca de todos os frios de Inverno
que já viste em ti mil vezes renascer...
Depois ficas sossegada no teu mundo
a desenhar luas no tecto
e a tatuar estrelas nos tornozelos
à espera que peixes dourados
vejam em ti uma onda de água doce
reflectida num espelho...
Não te partes...
Queres-te inteira
a saborear os mergulhos
e já não és mais um resto de ser...
És borboleta que desponta ao pôr-do-sol..
És orvalho com folhas por beijar...
És castiçal de luz e a escuridão já não te vela...
"Se as tuas palavras estão vivas
e o teu coração bate tão depressa no respirar de cada uma delas..
então menina dos olhos de terra
tu só podes ser alegremente
um belo poema imortal..."
Daniela Pereira
Direitos Reservados
Os anos que correm nas tuas veias,apenas se virares o mundo de pernas para o ar...
Se não, o chão pára a ver-te silenciar o coração
como se tu fosses uma rosa sem espinhos
que o vento não perdoa...
Vamos dizer que estás vivo..
Que a água que te molha os pés e te faz espirrar
já foi um rio num dia que passou
na folha escrita do teu calendário...
Sei de fonte segura que te rasgaram algumas vezes...mas tu não te fizeste página rasgada e rasuraste as tuas feridas mais profundas lambendo o mel que te colou..
E morreram os teus amargos de boca
esmagados pelo peso daqueles dedos que gritavam...
LIBERDADE
E se as palavras te disserem...
Sentes medo ?
Tu vestes um sorriso..
como quem veste a pele de um filho acabado de nascer
e com todas as tuas forças
proteges a tua boca de todos os frios de Inverno
que já viste em ti mil vezes renascer...
Depois ficas sossegada no teu mundo
a desenhar luas no tecto
e a tatuar estrelas nos tornozelos
à espera que peixes dourados
vejam em ti uma onda de água doce
reflectida num espelho...
Não te partes...
Queres-te inteira
a saborear os mergulhos
e já não és mais um resto de ser...
És borboleta que desponta ao pôr-do-sol..
És orvalho com folhas por beijar...
És castiçal de luz e a escuridão já não te vela...
"Se as tuas palavras estão vivas
e o teu coração bate tão depressa no respirar de cada uma delas..
então menina dos olhos de terra
tu só podes ser alegremente
um belo poema imortal..."
Daniela Pereira
Direitos Reservados
quarta-feira, janeiro 27, 2010
Aqueles gestos nas horas vazias...

Perfumes ácidos nas tuas pétalas mais doces...
Chuvas corroídas nas veias...
Eternamente ...uma desfolhada de ternura na eira do meu peito...
Daniela Pereira
Direitos de Autor Reservados...Foto e texto da autoria de Daniela Pereira
Etiquetas:
daniela pereira,
fotografia das palavras
domingo, janeiro 10, 2010
Meio sonho acordado...
Foto por Daniela Pereira
Direitos Reservados
Jamais me fiz ao Mundo
sem caminhar com os olhos
olhando de frente a maré...
Já rasguei ondas e vendavais
com os dedos cortando chapa...
Existem telhados que são de vidro
e o meu coração há-de ser sempre
uma fina vidraça e nada mais..
Se fechar os olhos vou dormir
e o resto do mundo
há-de permanecer acordado
dando vivas à sua existência experimental...
Porque não vamos ser fadas ou cardeais por um dia...
só para desventrar a melancolia?
Apetece-me ter asas nas costas e escamas na pele
para não me afogar nos meus voos ..
Deixa-me ser mais um grão de poeira
amansado pelo cansaço
para eu dormir tranquila este chão de areia...
Jamais me fiz ao Mundo
sem lhe perguntar
porque não há respostas
para a tristeza de um olhar e para o singelo grito de mudança...
Se fechar os olhos vou dormir e tu coração de maçã vais dormir comigo com os cabelos cheirando ao pomar da manhã...
Daniela Pereira in "Meio sonho acordado"
Direitos de autor reservados
sem caminhar com os olhos
olhando de frente a maré...
Já rasguei ondas e vendavais
com os dedos cortando chapa...
Existem telhados que são de vidro
e o meu coração há-de ser sempre
uma fina vidraça e nada mais..
Se fechar os olhos vou dormir
e o resto do mundo
há-de permanecer acordado
dando vivas à sua existência experimental...
Porque não vamos ser fadas ou cardeais por um dia...
só para desventrar a melancolia?
Apetece-me ter asas nas costas e escamas na pele
para não me afogar nos meus voos ..
Deixa-me ser mais um grão de poeira
amansado pelo cansaço
para eu dormir tranquila este chão de areia...
Jamais me fiz ao Mundo
sem lhe perguntar
porque não há respostas
para a tristeza de um olhar e para o singelo grito de mudança...
Se fechar os olhos vou dormir e tu coração de maçã vais dormir comigo com os cabelos cheirando ao pomar da manhã...
Daniela Pereira in "Meio sonho acordado"
Direitos de autor reservados
quinta-feira, janeiro 07, 2010
A estrelinha dos desejos e a nuvem das desilusões

Era uma vez uma estrelinha que brilhava mais do que todas as outras estrelinhas penduradas lá no céu...
Esta estrela tinha um brilho invulgar porque alimentava-se dos desejos que todas as pessoas do mundo lá de baixo iam atirando ao vento que passava..
Mas também havia uma nuvem lá no céu...cinzenta e mal encarada. Era a nuvem das desilusões que chorava sempre que alguém não conseguia realizar um sonho,porque sentia um coração mais apertado. Quando isso acontecia, a pobre nuvem cinzenta espremia o coração e todo ele se desfazia em grossas gotas de chuva salgada.
A estrelinha dos desejos não gostava muito da sua vizinha,porque era triste e sempre que a via tão chorosa lembrava-se que algum desejo não se realizava.A estrelinha era muito esforçada,passava os dias a viajar de país em país a escutar os desejos que as pessoas deixavam sussurrados na cabeceira.Depois fazia uma lista com todos os desejos gravados em tinta azul que as borboletas traziam às escondidas de algumas flores mais distraídas e pronto ..depois era só deixar todas as noites uma luzinha nos corações das pessoas para iluminar a vontade de realizarem os seus desejos mais queridos que a estrelinha sempre os ajudava.
Então se a estrelinha nunca deixava sozinhos os desejos das pessoas porque seria que alguns ficavam perdidos e por realizar? A nuvem das desilusões era a única que sabia o quanto custava perder um desejo..
As pessoas por vezes desejavam com tanta força um sonho que ele ficava sufocado antes mesmo de vir ao mundo. Mas se todos os desejos fossem realizados pela estrelinha dos desejos quem daria valor aos desejos realizados?Realizar um sonho já não teria o mesmo sabor.Por isso a nuvem das desilusões lá está, escondida no céu para lembrar às pessoas que tudo o que se deseja pode ser desilusão se não for trabalhado com muito amor e carinho.
Daniela Pereira in "Contos sem pés nem cabeça mas de coração cheio"
Direitos de autor reservados
Subscrever:
Mensagens (Atom)


