Fiquei com o coração suspenso na boca à espera de entrar... saiu-me a coragem pelo olhos e morreu-me a sensatez.
Daniela G.Pereira
quinta-feira, novembro 15, 2012
terça-feira, novembro 06, 2012
O limite da tua infinitude é um poema ainda por beber...
Os seres humanos são trapos que vestem espaços vazios...
algures pelo caminho abraçam as almas nuas de prantos. Um dia serão
somente o pó das memórias e nos seus belos corpos terminarão todos os
defeitos.
Os seres humanos são aves que sonham com os pés no chão e a cabeça presa a cadeado no fundo da rua...algures pelos caminhos perderam fragmentos de um coração que já foi maior. Lambiam as dores com bocas de framboesa e os olhos descalços. Comiam as montanhas como se tivessem fome de planícies e inventaram as papoilas para o verde ter mais cor. Mas os sonhos destaparam todas as rosas e cravaram-lhes na pele os espinhos.
Os seres humanos são nuvens que não chovem a não ser que lhes espremam o destino como se os desejos fossem uvas maduras a pedir um copo de vinho tinto a bocejar numa mesa. Um dia dois copos povoaram-lhes docemente os ossos e um sorriso cortou-lhes a tristeza com o amor a saber a bagaço.
Daniela G.Pereira in " Os poemas são dois copos vazios e um barril de lágrimas
Os seres humanos são aves que sonham com os pés no chão e a cabeça presa a cadeado no fundo da rua...algures pelos caminhos perderam fragmentos de um coração que já foi maior. Lambiam as dores com bocas de framboesa e os olhos descalços. Comiam as montanhas como se tivessem fome de planícies e inventaram as papoilas para o verde ter mais cor. Mas os sonhos destaparam todas as rosas e cravaram-lhes na pele os espinhos.
Os seres humanos são nuvens que não chovem a não ser que lhes espremam o destino como se os desejos fossem uvas maduras a pedir um copo de vinho tinto a bocejar numa mesa. Um dia dois copos povoaram-lhes docemente os ossos e um sorriso cortou-lhes a tristeza com o amor a saber a bagaço.
Daniela G.Pereira in " Os poemas são dois copos vazios e um barril de lágrimas
sexta-feira, outubro 19, 2012
1ª insensatez
*O que mais temo na vida são as palavras que chegam após um inesperado silêncio...raramente são palavras mais doces. Apesar disso, tenho saudades da sua chegada*
quinta-feira, outubro 11, 2012
Chão
Vamos assar margaridas, porque o inverno da
alma ainda está frio...Não morreu a liberdade do teu ser na angústia das
tuas pétalas.Amanhã vamos comer com gargalhadas todas as rosas e pelo
menos saberás que o teu coração sente...
quinta-feira, setembro 27, 2012
Constatação...
Há portas fechadas, que não se deviam abrir e
caminhos que definitivamente não devíamos cruzar. Mas se fecharmos todas
as portas por sentirmos que o vento que nos empurra os dias é demasiado
forte...teremos a palavra "medo" amarrada no fundo das costas,como se
fosse uma pedra nos rins que teimosamente pede para não sair. E se eu
fui pela curva da esquerda, foi porque não conhecia nada ali, tudo me
era estranho, mas tudo me era francamente diferente e a diferença
contraria a monotonia,logo sabemos que é por isso cativante. Agora,
caminhos sem lombas ou buracos escondidos, não existem na auto-estrada
dos teus dias..mesmo quando finges que vais mais longe pelo teu próprio
pé.Mas quando vês passadas as horas..vês os dias que já ficaram para
trás e contas os anos que marcam rugas no teu rosto.. Então,pensas
resignado..."Devia ter pedido boleia ao colo de alguém".
Daniela G.Pereira
quinta-feira, setembro 06, 2012
quarta-feira, setembro 05, 2012
Liquidificar instantes...
Não te
amar nos pontos mais seguros da tua alma tresloucada...dá-me vómitos.
És como uma recta infinita que ninguém reconhece ser paralela a uma
qualquer estrada. Mas mesmo assim, eu caminho-te. Caminho-te,porque te
amo os passos mesmo que eles me afundam o destino.
Dás-me vertigens... rodas-me a cabeça para que eu esqueça por breves momentos o que é pensar. E eu não penso, escolho voar com a razão presa à profundidade dos teus beijos.
Não te amarrar com pontas seguras...deixa-me livre para te solidificar por aí.
Dás-me vertigens... rodas-me a cabeça para que eu esqueça por breves momentos o que é pensar. E eu não penso, escolho voar com a razão presa à profundidade dos teus beijos.
Não te amarrar com pontas seguras...deixa-me livre para te solidificar por aí.
Os dias não sofrem...ouviste alguém dizer
Tenho o olhar roto ...
furado no horizonte que não alcança
espetado numa sombra qualquer
que te alimenta as lembranças.
Tenho o olhar deprimido...
Farto de esperar que o tempo escoe os dias mais depressa
que grão a grão investem no teu corpo
como touros enraivecidos.
Os dias não sofrem!...ouviste alguém dizer...
Mas a manhã sangra nevoeiros no teu peito
e tu tens dificuldade em acreditar
que do teu ventre morno ainda vão nascer ardentes veias.
Então remendas o teu olhar com fios maduros
para que os teus olhos verdes depositados na terra
para mim ...já não se abram.
Tenho o olhar sofrido...
Mas, as noites não choram...ouviste alguém dizer..
e na tua boca enterramos as esperanças .
Daniela G. Pereira
Direitos de Autor Reservados
terça-feira, agosto 21, 2012
Talvez não seja nada de novo...
Há muito tempo que não olho o mundo de frente...
Viro-lhe as costas ou fico parada a vê-lo girar
como se o meu cérebro fosse o refúgio espiral de uma vertigem
e a minha boca fosse um poço sem fundo...
Quebro no tempo as mais pálidas muralhas de aço
e nos minutos que não penso, promovo um festim de ignorâncias aparentes.
Solta-me o grito da garganta mas a lua na escuridão não se comove
tem o luar congelado na frieza das minhas lamurias que o coração em ti despromoveu.
Há muito tempo que não me encosto a uma parede
para desenhar sombras no corpo e dar ao espaço aquele sórdido vazio.
Talvez tenha perdido a cor naquele mar de cinzas
que um dia por ti de olhos fechados atravessei...
Caiu-me o oceano no esgoto fétido das memórias.
Daniela G. Pereira
Direitos de Autor Reservados
segunda-feira, junho 11, 2012
Na minha boca..
Já te amei os dedos
como quem ama o mais perfeito raio de sol
que nos rompe a pele pela manhã...
Foram aves loucas e bravias
e o meu corpo era o céu
que no vazio trespassavam
com os pensamentos mergulhados em escuridão.
Na minha boca havia luz...
Mil e uma cores perdidas
enroscadas nos teus ossos
desenhavam dentro de mim
uma estrada onde todos os sonhos iam dar.
Já te amei os dedos
como quem ama o luar mais encantador
que transforma a noite das sombras
num jardim de estrelas cadentes...
Fomos serpentes sem cabeça
a rastejar nos lençóis de fumo branco
e o meu corpo foi a brisa
que as tuas dúvidas cuspiu sem hesitar.
Na minha boca havia luz...
No teu coração morava um sórdido pesar.
Daniela G.Pereira
Direitos de Autor Reservados
domingo, junho 03, 2012
Leitores inesperados
"Leitores inesperados"...
Como uma das autoras do livro Contos Do Nosso Tempo, estou a ter o prazer comum a todos os mortais.. o prazer de ler.Quem ama escrever...ama sentir as suas palavras,mas também ama com a mesma intensidade as palavras dos outros.Ler é uma viagem e quando a viagem é saborosa, em pouco tempo estamos de olhos fechados a imaginar que fazemos parte daquele mundo que nos oferecem no virar de cada página.Por isso partilho aqui as primeiras sensações e emoções sentidas ao mergulhar neste livro...
Como uma das autoras do livro Contos Do Nosso Tempo, estou a ter o prazer comum a todos os mortais.. o prazer de ler.Quem ama escrever...ama sentir as suas palavras,mas também ama com a mesma intensidade as palavras dos outros.Ler é uma viagem e quando a viagem é saborosa, em pouco tempo estamos de olhos fechados a imaginar que fazemos parte daquele mundo que nos oferecem no virar de cada página.Por isso partilho aqui as primeiras sensações e emoções sentidas ao mergulhar neste livro...
Iniciei a tarde com um pouco de chuva a vibrar na janela do meu quarto.Mas havia luz lá fora e as sombras não me desviaram da vontade de te ler.Abri o teu estômago ainda a saber a fresco sem pó acumulado nas costuras.Estavas novo e cheiravas tão bem a folhas escritas por cem dedos.Conheci a Laura , uma menina frágil abandonada a uma triste, que o mundo parecia não querer mudar... Mas conheci um belo ser que olhou aquela fragilidade esquecida num rosto tão belo de criança com olhos a quererem sorrir e uma nova esperança cresceu no meu peito.Ainda podia acontecer um final feliz e uma mãe que não pariu ia receber aquela doçura infantil como sua. Abraçaria todas as suas dores e o mundo ia dar-lhe um lar como lembrança.Limpei os dedos suados das emoções que me escorriam na hora de partir deste mundo que nos meus olhos se via.Entrei numa casa onde as paredes estavam quietas e os gritos já não se ouviam.A mesa da cozinha já não brilhava com talhares em pares ordeiros e os copos estavam vazios. Dois corpos separavam vidas..recolhiam os despojos das rotinas dos dias e embalavam as memórias sem nada sentir.Talvez, crescia um frio que me perturbava a mente...como se as minhas memórias entrassem porta adentro sem avisar.Mas a direcção do vento mudou e a paixão das noites abriu dois corações partidos de par em par. Chamei pela Tia Graça que senti ser tão ladina e amante das palavras que conheço. Uma criança sonhava em ser mulher e nos seus olhos ,os passos e os risos soltos da tia Graça enchiam-lhe o coração de esperança e de sonhos com gosto a rebuçado.Palavras livres e folhas de papel soltas ao sabor do vento,faziam borboletas no peito de uma menina já tão mulher. E o sol rompeu as sombras do meu quarto e um aroma intenso a Domingo fez-se no meu leito sentir.Paris entrou-me no quarto,com todas as cores e todas as luzes que a noite dos amantes sabe desenhar no papel de parede.Fechei os olhos e deixei-me ficar ali parada,a imaginar o calor que irradiava naquele quarto onde o amor era uma fruta desnudada e os amantes escravos da uma inundada paixão. E assim fiquei,debruçada no precipício que separava os vossos intensos mundos.
Daniela Pereira in Leitores Inesperados
Contos de:
Álvaro Gomes- Laura Pérola
Ana Fonseca da Luz- Só nós três é que sabemos e A minha tia Graça
Ana Maria Domingues - Domingo Mergulhado na Tua Boca
quarta-feira, maio 30, 2012
Vencedores do Passatempo Contos do Nosso Tempo
Bom dia a todos:) Aqui ficam os nomes dos felizes contemplados do sorteio do Passatempo Contos do Nosso Tempo :
1) CRISTINA MARIA LOPES DA SILVA
2) PEDRO CIPRIANO
Parabéns aos vencedores que vão receber um exemplar da colectânea de
contos Contos do Nosso Tempo com dedicatória. Todos os vencedores serão
contactados por email. Obrigada a todos pela participação
Respostas:
a) Qual o nome dos protagonistas do conto " A mulher que não queria parar de viver" da autoria de Daniela Pereira? Luísa e Apolo
b) Uma das personagens principais desta história é representada por um animal.Que animal é esse? Gato
sexta-feira, maio 25, 2012
Passatempo Contos do Nosso Tempo
Sorteio de 2 exemplares da colectânea de contos " Contos do Nosso Tempo".
Serão sorteados 2 exemplares do livro, entre todos os participantes do passatempo que realizarem a reserva do livro através do meu email até ás 23h30 do dia 29 de Maio.O resultado deste passatempo será anunciado no dia 30 de Maio, Quarta-Feira.Como podes participar?
1- Faz a tua encomenda até às 23h30 do dia 29 de Maio através do email "ielapausas@gmail.com".Deixa nesse email, os teus dados pessoais: Nome completo e morada para envio do teu exemplar.
2- Responde correctamente neste blog às seguintes questões:
a) Qual o nome dos protagonistas do conto " A mulher que não queria parar de viver" da autoria de Daniela Pereira?
b) Uma das personagens principais desta história é representada por um animal.Que animal é esse?
p.s: As respostas podem ser encontradas através da leitura do pequeno excerto do conto,presente neste post.Todas as respostas devem ser postadas com o nome completo do participante
Nota: Entre todas as pessoas que participarem no passatempo e reservarem o livro neste passatempo até às 23h30 do dia 29 de Maio,serão sorteados dois exemplares que serão enviados gratuitamente aos vencedores. Não há obrigatoriedade de compra, deixo isso à consciência de cada um,já que a ideia do passatempo é premiar pessoas que tenham interesse em conhecer realmente o livro.
Excerto do conto de Daniela Pereira : "A mulher que não queria parar de viver"
- É um desperdício morrer, por medo, da morte. Quando morremos não há mais nada para sentir medo. É o fim da linha! O fim de todas as dores...de todas as dúvidas...
“Apolo parecia divertir-se com a confusão que criava nas ideias de Luísa. Era como se quisesse julgá-la de alguma coisa. Talvez de um erro, por ela cometido. Ficamos a pensar se tinha sido, mesmo, a primeira vez que Luísa e Apolo se cruzaram pela vida fora. A reencarnação é um universo, ainda com tanto por explorar. Quem teria sido Apolo, noutras vidas? E Luísa? Quantas vidas, já poderá ter no seu currículo ? Mas vamos regressar, ao Parque da Cidade e, aos passos dos nossos novos amigos...”
- Sim, realmente, vendo a questão por esse prisma. Não devíamos ter medo da morte. É até um pouco ridículo ter um sentimento assim perante, algo tão grandioso. - Concluiu Luísa, admirada com as suas próprias ideias.
- Como gato, tenho 9 vidas. Deves saber isso... - informou Apolo.
- É um mito conhecido. Os gatos são animais místicos e ligados ao sobrenatural.
- Isso não interessa para nada. Eu sei que tenho 9 vidas porque já perdi algumas. Vou contar-te a minha história.
Dito isto, Apolo, regressou novamente ao chão. Esticou as patas e retomou o passo com Luísa.
- Olha, pouco antes de ter nascido... eu fui abandonado. Fui abandonado, num caixote do lixo, e fiquei por lá, durante dias e noites a fio. Quando fui encontrado, estava gelado e, quase não respirava. Julgo que morri, para depois renascer, nos braços de uma senhora que me acolheu com imenso carinho. Dois anos depois, a doce senhora que me deu casa e comida faleceu. Então, os filhos dela, atiraram-me para o meio da rua. Andei semanas, a deambular pelas ruas,... a comer restos que ia encontrando. Até que um dia, sofri uma distração. Quando atravessava a rua fui colhido por um carro que me jogou para uma valeta. Aí, morri de novo, sabes? Estava muito ferido e perdi a consciência. Depois, só senti um imenso vazio que me sugou para dentro de um buraco negro. Ouvi a minha mãe miar. Senti o cheiro do seu leite quente e o calor do seu pêlo fofinho. Naquele momento, achei a morte muito reconfortante...confesso. "
Contos do Nosso Tempo é uma deliciosa colectânea com contos surpreendentes escritos por 21 autores da actualidade. Histórias actuais, idealizadas com os pés bem assentes na realidade dos nossos dias, mas sem nunca perder aquela pitada de imaginação que um conto promove nos nossos pensamentos.Nesta obra vão poder encontrar variados mundos e diversas sensações,porque quem conta um conto... conta com o coração*
Autores:
Cecília Vilas Boas
Maria Fernanda da Silva Ascenção da Rocha
Ana Maria Domingues
Maria Cristina Monteiro Correia
João Carlos Sousa Silva
Álvaro José Ferreira Gomes
Vítor Manuel Alves Fernandes
Humberto David Costa Oliveira
Ana Paula Simões e Silva Fonseca da Luz
Carlos Alberto Alves Vilela
Sérgio Sá Marques
Catarina Janeiro Coelho
Daniela Gomes Pereira
Miguel Jorge Azevedo de Almeida
Emílio Gouveia Miranda
Maria Eugénia Ferreira da Ponte
João Pedro de Sousa Duarte
António Baptista de Oliveira
Rúben Alexandre Rosa de Brito
Maria Helena Almeida Lopes
Carlos Filipe de Sousa Almeida
Encomendas do livro "Contos do Nosso Tempo" com dedicatória da autora deste blog e co-autora desta obra,Daniela Pereira:
Dados:
Titulo da obra: Contos do Nosso Tempo
Editora: Esfera do Caos
Preço por encomenda: 15 euros + 2 euros para portes de envio
Pagamento por transferência bancária ( entrega entre 1 a 4 dias )
sábado, maio 19, 2012
A beleza não tem grades nem muros de vidro...
O sol criou o dia e a lua morreu de inveja e criou os poetas...
O mar cuspiu as ondas e o rio irmão descansou as pedras nas margens.
A rosa vermelha inventou a paixão e o mal-me-quer chorou de incerteza...
O cravo vestiu de liberdade as armas e a voz do povo matou uma guerra.
A borboleta pintou um arco-íris nas asas e o vento comprou-lhe um mundo de pouca cor.
A dor inundou as almas e o coração pariu o amor.
Daniela G. Pereira
Direitos de Autor Reservados
O mar cuspiu as ondas e o rio irmão descansou as pedras nas margens.
A rosa vermelha inventou a paixão e o mal-me-quer chorou de incerteza...
O cravo vestiu de liberdade as armas e a voz do povo matou uma guerra.
A borboleta pintou um arco-íris nas asas e o vento comprou-lhe um mundo de pouca cor.
A dor inundou as almas e o coração pariu o amor.
Daniela G. Pereira
Direitos de Autor Reservados
terça-feira, maio 08, 2012
Gostava de amar-te as palavras como amo as curvas do teu pescoço
Gostava de amar-te as palavras como amo as curvas do teu pescoço. Seria uma forma de tornar insensível o principio da tua dor. Mas compreendes, se eu te disser que o doce que expeles da tua boca, tem muito a desejar. É como o mel que prendem as abelhas por ciúme das pétalas das flores. Por isso, quando falas... não falas, apenas reclamas. Reclamas com a chuva, reclamas com a direcção imprópria do vento e até com o canto das aves,só porque ele nada te diz. Gostamos das mesmas coisas, mas olhando bem de frente... tu e eu não gostamos de nada que seja impossível de alcançar. Basta que esperes,para eu dar corda ao relógio e o milagre para nós acontece. Ouvi um dia dizer que os silêncios mal contados, são como nuvens pretas que o vento esqueceu de empurrar e por isso teimam em ficar suspensas na quietude do dia, mesmo que ele te pareça enraivecido e amargurado. Não importa, são pormenores que ao mundo não interessa mudar. Mas eu gostava certamente de me apaixonar pelos teus gestos mais nobres mas perdi algures a etiqueta da compra da tua bondade. Por isso,quando falas...para mim e para o resto da humanidade, tu não falas, apenas aumentas a capacidade de silenciar as palavras normais que não dizes. Ai,como o teu silêncio me encanta com a voz mais profunda! Gostava de amar-te as palavras de um modo intimo e pessoal, mas apenas amo as curvas invulgares abandonadas no teu longo pescoço....
Daniela Pereira
Direitos de Autor Reservados
sábado, abril 21, 2012
Contos do Nosso Tempo...
É com enorme prazer que apresento o novo projecto da Editora Esfera do Caos :)
Um livro fabuloso que juntou 21 autores que aceitaram o desafio de criar contos com a imaginação que a realidade dos nossos dias promove...
Maio de 2012... Atenção..estamos a chegar e vamos revolucionar as vossas mentes ;)
Quem somos? ....
Cecília Vilas Boas
Maria Fernanda da Silva Ascenção da Rocha
Ana Maria Domingues
Maria Cristina Monteiro Correia
João Carlos Sousa Silva
Álvaro José Ferreira Gomes
Vítor Manuel Alves Fernandes
Humberto David Costa Oliveira
Ana Paula Simões e Silva Fonseca da Luz
Carlos Alberto Alves Vilela
Sérgio Sá Marques
Catarina Janeiro Coelho
Daniela Gomes Pereira
Miguel Jorge Azevedo de Almeida
Emílio Gouveia Miranda
Maria Eugénia Ferreira da Ponte
João Pedro de Sousa Duarte
António Baptista de Oliveira
Rúben Alexandre Rosa de Brito
Maria Helena Almeida Lopes
Carlos Filipe de Sousa Almeida
terça-feira, abril 17, 2012
Uma mensagem de pedra...
Completar os teus pedaços de dor é como gritar com os dedos queimados...a tua voz escreve-me em cinzas que as estrelas não vestem.Implantar o teu coração de pedra no meu jardim é como abrir um regato numa onda do mar.... Esmagas-me a visão felina com um punhado de jasmim vagabundo que me perfuma as pernas mal corridas.Dizes que trago algas entranhadas nos cabelos...mas são serpentes com mil cabeças. As Medusas enroscaram os sonhos num prado tenro e a tua dor enforcou-se na monotonia de uma corda suspensa ...
sábado, abril 14, 2012
incompetência da chuva
Acordo a pensar na impotência da chuva para declarar extintos todos os desertos. Pode até regar os nossos jardins e matar a sede dos teus canteiros...mas que gotas sabem dar de beber a uma alma mais sedenta? O amor cai nos teus ombros em gotas cristalinas ou simplesmente amanhece lentamente no teu olhar,como um dia que desperta a medo? Acordo a pensar na incompetência da chuva para declarar vitória frente a uma aridez permanente nas relações humanas.Pode até tornar mais húmida a palavra na tua boca e conferir um aspecto mais tenro ao pedaço de carne deixado à deriva...mas certamente não sabe tornar a tua alma mais suculenta.
quinta-feira, abril 12, 2012
Uma carta solta ao vento...
A todos os amores que amei de coração aberto,escrevo esta carta com a tinta dos meus dias...tons escuros porque a noite por vezes esconde as estrelas...tons claros porque o dia por vezes tem instantes demasiados belos para serem fruto de anteriores pesadelos.Quando vos amei fiz claramente uma promessa ao meu coração sonhador... ' Vais amar este amor como se ele fosse a tua gota de chuva no meio do mais árido deserto. Vais abrir a tua boca apenas para soletrar palavras doces e se por algum motivo sentires um grito a nascer na garganta, vais tentar que a dor não saia disparada por nenhuma porta que deixes em ti abrir...'
quarta-feira, abril 11, 2012
Inconfidências na margem do ser...

Dás uma sombra ao teu olhar porque o sol para ti já se tornou demente.Os peixes usam e abusam da tua lua nos cantos das suas bocas e tu sentes-te nua ou fragilmente coberta de sonhos de prata.O mar recolhe os teus lenços de sal e as flores roubam mágoas que são tuas.Que importa que o céu esteja cinzento se o teu coração tem um peito sem nuvens?Há gotas de chuva no teu pescoço a perfumar o teu andar....
Daniela Pereira
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