segunda-feira, outubro 29, 2007

Eu e o meu medo...o meu medo e Eu...




EStou deitada de olhos presos num tecto pintado de branco e o tempo passa devagar...

Tenho os olhos pesados pelas lágrimas, mas não os consigo fechar e as horas vão passando todas iguais...estupidamente iguais, só porque não tenho forças para adormecer com tantos pensamentos a correr cá por dentro.

Sinto medo...de quê?Não sei!Mas é medo aquilo que sinto...

Tento explicar o que ele me faz sentir e reviro todas as palavras que conheço e até invento algumas...

Crio paisagens com os dedos, e só para fugir do escuro, imagino que planto candeeiros no cimento e fico à espera que a luz nasça em mim como se de uma flor tardia se tratasse.E são os meus olhos que esta noite a vai regar...

Eu sei que tudo á minha volta está calado...mas ouço gritos sem voz que me baralham a paz e me lançam para outras guerras e eu vou...

E o medo dá pontapés cá por dentro e grita...És culpada da escuridão e de todos os males que no teu mundo se atravessam sem pensar.Então..eu arranco a minha mente e flutuo vazia sem hesitar...

OK-Do you want something simple?The Gift



Cruelmente...Daniela

quarta-feira, outubro 10, 2007

A fobia de um poema




Hoje fiz um poema...

Abri o peito devagarinho
e baixei a cabeça para deixar sair uma letra de cada vez ...

Mas quando ergui o olhar
estava cercada por um mar de palavras.

Como não sei nadar... fiz-me ilha a flutuar
e procurei um barco de papel ainda vazio em todas as gavetas.

Mas todas as folhas que possuía
navegavam cheias de pensamentos ...
e o meu corpo não tinha espaço para atracar.

Então, encorajada pelo medo da água bravia...
descobri que tinha asas escondidas nos dedos
e tatuei na pele borboletas para voar mais serena...


Direitos Reservados
Daniela Pereira

sábado, outubro 06, 2007

Pulsações nocturnas...




Estás aí?

Sabes dizer-me
porque é que esta noite
este amor perdido
ainda doeu cá por dentro?
Porque é que o mundo
tão esperto e sabido...
não consegue sentir
o meu desespero
quando na minha cabeça
nascem poemas à toa
a cada segundo de escuridão?
Como dói...
não saber como pregar
folhas de papel no ar
e sentir que da respiração
não escorre tinta
porque a tua boca
nunca poderá segurar uma caneta.
E se me esqueço
de uma só palavra que seja?
Saberei amanhã
descrever com exactidão
o que me fez sentir esta dor...
Ou lamentarei ao acordar
por não lhe ter decorado o rosto?
Ainda ouves as minhas dúvidas...
ou pensarás tu
que és rei e senhor de todas as certezas!
E eu?
Quanto tempo mais
ficarei aqui...?
Assim...agarrada às 24 horas do relógio
a dar murros na cama...
à procura de uma navalha
esquecida debaixo do travesseiro...
Quero ver se a lâmina
faz feridas na pele
se eu ousar virar a carne do avesso
Pára de chorar!
Digo eu...a mim mesma
revoltada com as lágrimas
que desperdiço para o chão.
Pára de chorar aí dentro...
Grito eu para o coração
que se agita no peito...
Não sabes,
que lá fora
só existem bocas a sorrir?
O amor é uma dávida
e quem ama vive contente
diz o mundo apaixonado
com o Sérgio Godinho nos olhos...

Então...
Porque sentes
que ter amado intensamente não chegou
para matar a tua tristeza!
Que tanto amor inventado
e tantas formas de amar por ti descobertas
foram todas em vão...
A felicidade não te ama...
seduz-te e faz-te carinhos
mas vive com molas amarradas aos pés...
porque logo te abandona
num salto.
Mas como pode ela abraçar-se a ti?
Se nos teus olhos
nunca ninguém viu o pulsar da tua alma...


Daniela Pereira
Direitos Reservados

sexta-feira, outubro 05, 2007

Mais de 1000 razões...para não deixar o mundo no prato




Hoje, tenho mil braços...

e apesar de serem tantos os abraços

eles não chegam para me reconfortar.

A canção dizia...

Tenho uma lágrima no canto do olho...

e eu...

tenho somente um oceano a transbordar

bem no centro do olhar.

Logo perdoem-me

se as palavras salgarem o papel...

mas uma tempestade...deixa sempre as suas marcas.

Desaparecem com o tempo...

O sol é milagroso

e eu sou fiel à luz do dia

mesmo quando me sinto escrava da noite nos meus pensamentos.

Hoje tenho mil e uma gargantas...

Porque cada grito mudo

é um hino à tolerância humana

e hoje a capacidade de resistência

é o meu feito olímpico.

Editors-Smokers Outside The Hospital Doors






Por isso tragam a mim...

os braços e os abraços...

os sorrisos e os laços...

as cores e os arco-íris reflectidos nas gotas de chuva

para quebrar a monotonia do branco...

Por fim atirem-me lá de cima

o sol ainda embrulhado na lua...

porque o amor e o sexo

prolongam-se nos astros

com o mesmo prazer

com que se ama e se entrega

a alma e o corpo numa rua.

Porque hoje...

eu quero engolir o mundo

como recompensa...

e se um só pedaço dele escapar à avidez

que pinga desta boca...

então...a minha fome de viver

não será mais gula!

Daniela Pereira

Direitos Reservados

terça-feira, outubro 02, 2007

Rugas no papel...


Colder by ~NanFe on deviantART

Faltou dizer aquele pequeno nada
que por medo ou protecção
deixamos ficar encaixado na garganta
até o sentir desvanecer...
Será que o mundo sabe...
que todos os dias
inventei uma cor diferente
para pintar o teu céu?
Queria ter um acordar original
e tu fazias parte do meu quadro mais que perfeito.
E quem conhece...
o sorriso que eu pregava na cabeceira
só porque algumas palavras
deitavam-se na cama comigo?
Faltou dizê-lo...
mas a língua travou
na minha boca cerrada.
E a força de um sentimento inexplicável?
Não usava cordas...
muito menos amarras.
Dava-me toda a liberdade
e muitas vezes elevava-me aos céus num segundo.
Mas nunca ninguém
me soube explicar
porque é que a dor da queda era tão atroz..
E eu levantei-me sempre
mesmo quando do meu corpo
só sentia os ossos
porque a carne
dentro de mim
converteu-se em pó...
Feridas na pele...
rasgos no peito...
mares à solta na madrugada do olhar...
beijos trocados nas cinzas da noite...
Tantos nadas que ficaram por contar...
Acho que espetei a caneta na alma
com tanta força...
que nunca mais fui capaz de a tirar
para rejuvenescer o meu poema
e eu envelheci calada.


Daniela Pereira

Direitos Reservados

quarta-feira, setembro 26, 2007

Sonho em contra-mão


___ by ~Katarinka on deviantART


Abro os olhos com lentidão
porque ainda abrigo a preguiça nos lençóis
e o nariz sente o frio matinal
equilibrado na ponta.
Tenho a vaga ideia que sonhei...
era de noite...
mas também podia ter sido madrugada...
a escuridão pendurada nos cortinados
baralhou-me o tempo .
Vi flores no papel de parede do meu quarto
e esqueci que as paredes
agora são pedra nua rosada...
Inspirei o aroma da relva molhada
prisioneira no meu tecto
e fiz caracóis no cabelo
que faziam inveja
a qualquer mar turbulento...
Escrevi meia dúzia de livros
com os dedos sem tinta
porque nos lábios usava bâton
e as palavras assim avivadas de vermelho
carimbam-se facilmente em qualquer folha de papel assimétrica...
Joguei às cartas com o tapete
e o candeeiro de areia roubou-me a cor do dinheiro
porque estava cansado de tanto azul
a mergulhar nas suas costas...
Quis fazer bolas de sabão
com a água das garrafas
e pastilhas efervescentes com sabor a laranja...
mas elas não voaram
para fora do copo
e foi mesmo ali
que fizeram todas as manobras arrojadas...
Morreram todas em poucos minutos
mas deixaram no vidro
fortes marcas da sua existência.
Dá-me vontade de rir
quando me lembro da demência deste sonho...
Mas depois ...
pensando bem...
Porque haveria eu de rir
de um sonho tão cheio de sabor...
só porque ele me aparece no cérebro
em contra-mão?
A sensaboria em demasia
na realidade que se apresenta
impecavelmente vestida com linhas rectas
Pode parecer que não...
mas também enjoa!


Daniela Pereira
Direitos Reservados

quarta-feira, setembro 19, 2007

O original sabor do amargo...


EROTIQUE102 by ~luizovega on deviantART


Hoje despertei leve e serena...

Com o olhar sorridente e o peito cuidadosamente escancarado.

Mas a poesia em mim

Não costuma jorrar na tranquilidade.

Não me importa

Que as palavras hoje surjam nas horas mais estranhas

Ou nos momentos mais relaxados.

Estão-me a fazer cócegas nos dedos

Pedindo-me para sair

E eu até sinto

Um friozinho na barriga

Quando elas dão voltas e mais voltas à procura de um buraco...

Não tenho lágrimas nos olhos...

Nem sequer tenho um sorriso especial a cintilar nos lábios...

Mas sinto-me bem assim

Espectacularmente normal e natural...

Deliciosamente doce e amanteigada...

Vigorosamente fresca e regenerada...

Hoje despertei sentindo-me bem na minha pele

Apreciando todas as imperfeições da minha carne

E descobrindo um original sabor em todas as pedras que engulo.


Daniela Pereira
Direitos Reservados

domingo, setembro 16, 2007

Quando se perde um amigo...




"É com uma felicidade imensa k eu partilho este poema...porque apesar de ser um poema feito de palavras tristes, hoje devolveu-me o sorriso pk essa amizade resistiu a mais uma tempestade.E sinto cá dentro k será uma amizade para a vida inteira :)


Quando sentimos que perdemos um amigo

parte de nós é lágrima que cai desamparada...

mas cá dentro, há um sorriso triste

a recordar os bons momentos

que esta amizade nos deu.

Nasce um vazio

de um todo quebrado

e um mar cinzento

chora despedaçado

pelas memórias que perderam a cor.

Abre-se um buraco no peito

e a enxada deve ter lâmina dura

porque nos escava uma ferida tão profunda

que esburaca o corpo só para nos atingir

em cheio o recheio da alma.


Se eu tivesse uma pedra no lugar

onde vi plantado o meu coração

Talvez,soubesse como impedir

que a dor me roube mais esta seara...



Quando sentimos que perdemos um amigo...

as pernas caminham sem destino

porque os passos esqueceram o seu rumo

e dormem sozinhos junto á estrada.

Há braços com frio

porque sonham com um abraço...

Há um pássaro a baloiçar naquele ramo

mas já sem vontade de cantar

para aquele banco de jardim vazio...

Há palavras sem força suplicando vozes na garganta

e restos de gritos que dela saíram altos demais...

Há quadros pintados com os dedos logo pela manhã

e arco-íris que desmaiam lá pela noitinha...

Há lágrimas abençoadas

que se ajoelham fielmente a rezar por nós

e sorrisos danados a rir do desespero das minhas preces.

Há poemas colados ao tecto

porque querem preservar no céu esta história

sem acreditarem que ela chegou ao fim...

Há sonhos por perto rasgados no chão

e folhas de papel tão teimosas que se recusam a voar para longe...


Ai se eu tivesse asas nas costas

para dar utilidade a todas estas penas!

Se eu soubesse o valor da eternidade dos gestos

e das promessas que se proferem sem olhar.


Mas, porque é que a tristeza me faz pensar

que hoje perdi um amigo...

se ainda ontem sorria tão feliz por o encontrar?


Blue

sexta-feira, agosto 31, 2007

A morte de quem sou...

Hoje morri para o mundo...
Calam-se as palavras e os dedos são mortalhas apagadas...
Os olhos não olham mais para o céu e o chão só me leva os passos.
Tudo o que sou...e fui morreu.
A alma foi fogo...hoje é cinza
O corpo foi sol...hoje é a sombra de todas as luzes escondidas nos becos escuros.
Não choro..porque querem que não chore.
Não grito...porque querem que não grite
Então, sou uma pedra seca e escura perdida em qualquer caminho
não sinto...não dou...
Cortei os braços e encurtei as pernas para não andar e proibir o sonho de se encontrar em algum pedaço do poema da minha vida.
Não mereço ser poeta,porque nada tenho para cantar no papel...
a minha canção tem pranto
tem lágrimas num pincel..
mas já não a canto pelos jardins
nem me apoio nos beirais dos telhados para caçar borboletas
e soltar papagaios de vinil.
Estou calada para sempre...
Hoje amarro a minha boca e enterro as minhas mãos
cruzadas junto ao meu peito
cravadas no meu caixão.
É de mel esta boca e de esperança viviam as minhas guitarras
Rasguem todas as minhas linhas escritas...
Hoje os meus devaneios chegaram ao fim...

Daniela Pereira

The end

quarta-feira, agosto 29, 2007

O povo é quem mais te ordena!



Imagem in Deviantart- Body I by ~pixieonprozac

Porque pensas tu

Ser mais dono da razão…

Só porque a sorte te sorriu?


Também eu, um belo dia …

Dei o meu olhar de bandeja

com ternura e dedicação

para que todos os cegos

pudessem ver as cores deste mundo

e enterrassem no horizonte

o seu melancólico mar de cinzas.


Julguei ser a mulher mais abençoada do mundo…


Para quê?

Hoje são eles

que solidários com a minha negritude

arrancam-me os olhos

e cruzam os braços quando outros

se divertem a pintar o meu olhar com escuridão .





Hoje, estou aqui …

A despertar de um sonho bom com o coração rasgado

envolta num pesadelo nada cor-de-rosa

Tenho marcas fundas e ensanguentadas

que a pele

por mais que seja espessa

não encobre…

Porque todas as ervas daninhas que abraças
têm os seus espinhos bem afiados e escondidos numa vastidão de verde


E eu… só tenho esta eterna transparência

depositada num peito de papel…


Porque não te cravas em mim sem dó

em nome de uma Força maior

e apregoas protecção divina?

Quando trepas para o meu pescoço

com vontade de me sufocar os gritos

eu juro por Deus

que me arranhas os gestos

e que me congelas as veias

com essas pedras geladas

que agora tens na tua mão!


Pelos vistos, sou eu que tenho o diabo no corpo…

Por isso, vai salvar

todos os teus supostos anjos perfeitos

à custa da minha dor …

E como sabes que as chagas em mim

estão sempre na moda.

Ainda vais poder dizer com toda a certeza

que me estás a fazer um favor

e não te sentirás culpado.


Fico tão graciosa

Assim chorosa e a flutuar mais uma vez destruída nos meus pedaços…


Porque não haveria de ficar?

Alguém te disse que sim..

Porque não irias tu acreditar?


Daniela Pereira
Direitos Reservados

domingo, agosto 26, 2007

Quando os opostos se cruzam...


I don't know by ~1hermanadedexter on deviantART

Quando os opostos se cruzam no caminho...
o inicio dos teus passos soam no fim daquela rua.
A luz enfeita-se de sombras e a escuridão penteia as estrelas
porque o dia ama a lua e a noite tem ciúmes do sol.
Quando os opostos tocam o olhar...
O chão tem nuvens dificeis de lavrar e no céu nascem mantos de tulipas
A chuva chora de luto porque uma lágrima no fogo morreu...
o vento assobia com espanto e jura que o mar se incendiou...
Quando os opostos se abraçam...
anulam-se todas as diferenças
e todas as certezas beijam-se na boca
a troco de um nada.

Daniela Pereira

Direitos Reservados

segunda-feira, agosto 20, 2007

Caprichos


.bury me by *caspell on deviantART

Queria o céu por capricho…
Deram-me as nuvens lá do alto para me compensar
E eu criei as tempestades na terra.

Queria o sol para ser o meu espelho nas manhãs…
Deram-me a lua, mas esqueceram-se de embrulhar o luar
E eu vi a escuridão a fazer-me festas no rosto.

Queria o mar para descobrir novas melodias num olhar calado…
Deram-me o grito das ondas
E eu baixei os olhos na areia só para não o ouvir.

Queria sentir o mundo a fervilhar debaixo dos meus dedos…
Deram-me o amor para guardar junto ao peito
E a noite para sufocar de paixão.

Ficaram com todos os meus desejos…
Queriam-me ver pobre de alma e solitária de corpo
Estes sonhos forretas!
Mas , fiquem a saber
Que é com um coração vazio em cima da mesa
Que me torno mais suculenta.

Daniela Pereira

Direitos Reservados

quinta-feira, julho 26, 2007

La luna blanca





La luna blanca...prendia nos meus olhos para sempre...
Cortei castanhos e subtraí pretos ao olhar.
Pintei a pele de dourado e o sorriso roubei às rosas
O luar é mais bonito assim...com reflexos multicolores
Foge-me a escuridão por entre os dedos molhados...
penso no vazio que se apodera de mim...quando penso
fazia bem em não pensar...em ser apenas mais uma brisa sem voz
a soprar para o tecto segredos que ninguém quer apanhar...
La luna blanca...prisioneira deste meu olhar sem nome ou destino
tem gotas de orvalho no retrato e aromas esquecidos a lamber-lhe a testa fria...
La luna blanca...escreve-me no seu peito de amêndoa amarga e com pedrinhas frutadas coloca-me um vestido negro para a noite invejar as minhas sombras. Tenho ciúmes do teu brilho imenso ...leva-me contigo que a terra assim sem ti é tão escura…

Blueiela

quinta-feira, junho 28, 2007

Pinta-me de cinzento!


disaffected by ~nosurp on deviantART

Deito-me numa rocha imaginária...
Não tenho tempo
Para escolher uma cama mais mole
porque hoje a mente está dura comigo...
Fecho os olhos...
As cores que pintam o mundo
Metem-me nojo
Porque inspiram os quadros dos amantes
E o amor deixou-me tinta cinzenta nos dedos.
Então...fecho os olhos!
Não há mais céu
com o seu azul a acenar
apelando para a ternura dos corpos verdes.
Não há mais mar...
E ainda bem
Que ele se evaporou vestido de branco
Porque hoje até na maré negra me afogava
De tão pesado que estou a sentir este peito.
Sonhos de algodão doce...
Afinal eram sonhos de algodão em rama...
Para curar as feridas
Que se adivinhavam no fim.
Dá-me luz!
Peço eu à escuridão adormecida...
À nuvem que atravessa o meu nevoeiro...
Dá-me luz!
Faz-me esquecer as verdades...
Ou então inventa novas mentiras
Para eu acreditar.
Não gosto de me sentir assim tão vazia...
Se calhar não estou vazia...e afinal estou mas é cheia...
Demasiado cheia de sentimentos inexplicáveis
Para que em mim possa caber
Algum amargo de boca descartável
Se não...
Hoje espumava de raiva
E odiava de morte
A minha franca estupidez.
Estou lotada!!
Com lotação esgotada...
Não fico mais à porta de sorriso cruzado
À espera que o meu sonho
compre um bilhete para conhecer o mundo
de mãos dadas comigo
Pinta-me mas é de cinzento...
Porque a dor
É para curar com pinturas de guerra.

Daniela Pereira

sábado, junho 09, 2007

Noite salgada




Voz-Rui Diniz-Ex-Lyra
01 - Onde Me Quere...


Noite...

noite fria sem gelo nas pontas
tens orvalho nos olhos e não és manhã
tens rios que correm fugindo do mar
e luas que se escondem por detrás das estrelas..

Viste o meu amor por aí a vaguear?


Dei-lhe tantos braços…
que fiz dos meus abraços rotinas
Dei-lhe tanta guarida…
que fiz do pão..colheres de mel para a boca
que fiz do mel..uma cama densa

Noite...
Que conheces todos os amores que achei perdidos…
Que viste com que força entrei nas suas almas…
Porque me deixas tão fraca e só?
Porque me tiras um pedaço
se eu só tenho espaço para dois no peito?
Se me escavas mais fundo...não tens como cobrir de novo este buraco imundo

Noite…

Que és minha amante
e minha mãe
Porque me deixas chorar com palavras vãs?
Porque levaste de mim o sorriso
e me deixaste na boca um lamento?

Noite..
que és minha e tua...
Diz-me..
Quando chega de novo o dia?

Daniela Pereira

(Escrito com a cumplicidade de um certo "Mateus")

domingo, junho 03, 2007

Acordar com vontade de esquecer



3eme main by ~Nads-pix on deviantART


Dizem que amar as palavras
Com poucas moedas nos bolsos…
É como amar uma paixão vadia.
Mas mesmo sabendo
que o meu corpo ao morrer
se irá desfazer em ossos pedintes nas ruas
e que na minha despedida
o mundo inteiro
vai querer doar a minha carne ao esquecimento
Sou bem capaz
de morrer feliz
nesta pobreza…

E se a morte for tão doce
Como as palavras que dei em vida…
Sei que deste amor
Com que eu sempre escrevi
nas costas da minha alma…
O mundo nunca terá coragem
de não se lembrar.

Daniela Pereira
(Direitos Reservados)

segunda-feira, maio 21, 2007

A implicância de um desejo



Tenho estrelas cravejadas nos dedos
E uma meia lua
Entalada nos dentes…
Se eu engolir o sol…
Será que me nasce o céu na garganta?
Naquele dia
Em que ousei engoli o mar…
Nasceram-me flores salgadas nos olhos…
E eu ainda acredito.

Daniela Pereira





terça-feira, maio 15, 2007

Vamos falar de amor...calados?



Imagem by DeviantArt -tell me something by ~ashnicsunday

O tempo passa e o coração permanece parado
Estático na sua timidez de amar…
Ávido por uma batida mais intensa
Por um fôlego apressado..
Por um toque na pele sentido na boca.
O amor não pensa…
O amor entrega e rouba
Tudo o que é racional…
Prende-te os sorrisos
Com teias de mel…
Amarra-te os sentidos
Com abraços sem folga..
Bebe-te o olhar
Com dois copos de vinho branco bem servidos.
Devora-te o peito
E tu lambes os restos que amores antigos deixaram
Ansioso pelo gosto de uma nova sobremesa.
Como mostramos o que sentimos ao amar?
Como se pinta o tecto com beijos multicolores
Usando o vermelho como fundo na tela?
Como se respira devagar
Quando os pulmões
Fazem redemoinhos com ar na boca?
O amor não pensa…
Fecha os olhos à noite
E a tua imagem vem-lhe à cabeça
Como um sonho bom
Que cortas em pedaços
Para saborear com sumo de limão.
Amas demais…
Esqueces tudo à tua volta
E só vês um corpo
Esculpido nas sombras…
Todos os rostos
São monótonos
Se não são aquele rosto
Que idealizaste em ti.
Todos os beijos
São iguais…
Sabem a pouco
Se os teus lábios
Não estão despidos
De beijos passados.
Então amas com cuidado…
És frágil nas entregas
Porque o teu coração dos portões de ferro
Fez portas de cristal.
Amas com o coração
Mas amar... fode-te sempre a cabeça

Daniela Pereira-15/05/07




domingo, maio 13, 2007

Comunicado




Olá caros amigos do Devaneios


É com imensa pena que venho hoje aqui fazer este comunicado a todos vocês...
Infelizmente, já não haverá lançamento do livro Curiosamente Obsessiva por Afectos como tinha anunciado.
Lamento muito, só agora poder estar a dar esta notícia, mas devido a problemas surgidos de ultima hora com a Editora.Não me sentiria bem comigo mesmo se avançasse com este projecto.
Por isso mesmo, decidi que ele deixaria de existir.
No entanto, não queria deixar de agradecer a todos vocês que nestes ultimos tempos têm sido incansáveis no carinho e estima que me têm oferecido.
E quero dizer e prometer aqui...que o que aconteceu não será motivo para eu desistir de acreditar no meu trabalho e no sentimento que transmito nas minhas palavras.
Amo a poesia..sou uma apaixonada pelas palavras e pelas emoções que elas encerram e nada...mesmo nada me fará calar esta paixão.
Por isso, estarei em breve de regresso com um novo projecto e nessa altura sei que todos os que acreditam no meu valor ainda aqui estarão em silêncio aguardando o meu grito.
Obrigado...

beijos


Daniela Pereira

quinta-feira, maio 03, 2007

Inspiração invertida





Apagam-se as luzes
Com as estrelas
Encaixadas nos quebra-nozes.
A noite enfeita-se de negro
Porque as memórias
Só dão filhos na escuridão
E a lua é a madrasta má
Dos meus sonhos de encantar.
Fecham-se os olhos
Porque o dia
Tem luz a mais
Para leres estas linhas tão sombrias.
Morram as sombras
Que as paredes querem-se nuas!
Deita-te no chão…
Quero ficar a desenhar a carvão
O teu corpo vestido de asfalto
até ficar sem pilhas nos dedos.




Sprout
By Joanna Newsom
Best Video Codes



Tens ganas pelo limite?
Então saltamos os dois despidos de miolos
daquele penhasco afiado
De onde gritei um nome esquecido
3 vezes sem o cansar.
Depois deixo que
Grites 5 vezes o meu novo nome
Quando o chão nos abrandar a queda
E te partir os dentes.
Não acreditas nas minhas doces promessas?
Não tenhas medo de me deixares com feridas profundas
Porque há muito que a escuridão
Esfola-me os joelhos.
E se é verdade que nas minhas veias
O sangue corre com pressão alta nas despedidas…
É mentira dizer que o meu coração explode
Só porque tu também me vais dizer adeus no fim da corrida.
Já rasguei muitos quilómetros
Com ele em bicos de pés…
Chegar a ti
É só mais um metro de alma perdida.


Porque me perfuras o ventre
Com flashes lânguidos
E não me abres à queima-roupa?
Odeio esperar desejos
Com a saliva batendo-me à porta!
Dizes que estou a chorar?
E então?
Bebe-me as lágrimas num copo
E imagina-me a soltar gargalhadas pelo nariz!
Eu tenho espaço na minha boca
Para os teus beijos
E quero-os já!
Hoje a poeira do chão
É só minha…
Amanhã serás tu o pó
Que ficará por soprar.

Daniela Pereira