domingo, setembro 16, 2007

Quando se perde um amigo...




"É com uma felicidade imensa k eu partilho este poema...porque apesar de ser um poema feito de palavras tristes, hoje devolveu-me o sorriso pk essa amizade resistiu a mais uma tempestade.E sinto cá dentro k será uma amizade para a vida inteira :)


Quando sentimos que perdemos um amigo

parte de nós é lágrima que cai desamparada...

mas cá dentro, há um sorriso triste

a recordar os bons momentos

que esta amizade nos deu.

Nasce um vazio

de um todo quebrado

e um mar cinzento

chora despedaçado

pelas memórias que perderam a cor.

Abre-se um buraco no peito

e a enxada deve ter lâmina dura

porque nos escava uma ferida tão profunda

que esburaca o corpo só para nos atingir

em cheio o recheio da alma.


Se eu tivesse uma pedra no lugar

onde vi plantado o meu coração

Talvez,soubesse como impedir

que a dor me roube mais esta seara...



Quando sentimos que perdemos um amigo...

as pernas caminham sem destino

porque os passos esqueceram o seu rumo

e dormem sozinhos junto á estrada.

Há braços com frio

porque sonham com um abraço...

Há um pássaro a baloiçar naquele ramo

mas já sem vontade de cantar

para aquele banco de jardim vazio...

Há palavras sem força suplicando vozes na garganta

e restos de gritos que dela saíram altos demais...

Há quadros pintados com os dedos logo pela manhã

e arco-íris que desmaiam lá pela noitinha...

Há lágrimas abençoadas

que se ajoelham fielmente a rezar por nós

e sorrisos danados a rir do desespero das minhas preces.

Há poemas colados ao tecto

porque querem preservar no céu esta história

sem acreditarem que ela chegou ao fim...

Há sonhos por perto rasgados no chão

e folhas de papel tão teimosas que se recusam a voar para longe...


Ai se eu tivesse asas nas costas

para dar utilidade a todas estas penas!

Se eu soubesse o valor da eternidade dos gestos

e das promessas que se proferem sem olhar.


Mas, porque é que a tristeza me faz pensar

que hoje perdi um amigo...

se ainda ontem sorria tão feliz por o encontrar?


Blue

sexta-feira, agosto 31, 2007

A morte de quem sou...

Hoje morri para o mundo...
Calam-se as palavras e os dedos são mortalhas apagadas...
Os olhos não olham mais para o céu e o chão só me leva os passos.
Tudo o que sou...e fui morreu.
A alma foi fogo...hoje é cinza
O corpo foi sol...hoje é a sombra de todas as luzes escondidas nos becos escuros.
Não choro..porque querem que não chore.
Não grito...porque querem que não grite
Então, sou uma pedra seca e escura perdida em qualquer caminho
não sinto...não dou...
Cortei os braços e encurtei as pernas para não andar e proibir o sonho de se encontrar em algum pedaço do poema da minha vida.
Não mereço ser poeta,porque nada tenho para cantar no papel...
a minha canção tem pranto
tem lágrimas num pincel..
mas já não a canto pelos jardins
nem me apoio nos beirais dos telhados para caçar borboletas
e soltar papagaios de vinil.
Estou calada para sempre...
Hoje amarro a minha boca e enterro as minhas mãos
cruzadas junto ao meu peito
cravadas no meu caixão.
É de mel esta boca e de esperança viviam as minhas guitarras
Rasguem todas as minhas linhas escritas...
Hoje os meus devaneios chegaram ao fim...

Daniela Pereira

The end

quarta-feira, agosto 29, 2007

O povo é quem mais te ordena!



Imagem in Deviantart- Body I by ~pixieonprozac

Porque pensas tu

Ser mais dono da razão…

Só porque a sorte te sorriu?


Também eu, um belo dia …

Dei o meu olhar de bandeja

com ternura e dedicação

para que todos os cegos

pudessem ver as cores deste mundo

e enterrassem no horizonte

o seu melancólico mar de cinzas.


Julguei ser a mulher mais abençoada do mundo…


Para quê?

Hoje são eles

que solidários com a minha negritude

arrancam-me os olhos

e cruzam os braços quando outros

se divertem a pintar o meu olhar com escuridão .





Hoje, estou aqui …

A despertar de um sonho bom com o coração rasgado

envolta num pesadelo nada cor-de-rosa

Tenho marcas fundas e ensanguentadas

que a pele

por mais que seja espessa

não encobre…

Porque todas as ervas daninhas que abraças
têm os seus espinhos bem afiados e escondidos numa vastidão de verde


E eu… só tenho esta eterna transparência

depositada num peito de papel…


Porque não te cravas em mim sem dó

em nome de uma Força maior

e apregoas protecção divina?

Quando trepas para o meu pescoço

com vontade de me sufocar os gritos

eu juro por Deus

que me arranhas os gestos

e que me congelas as veias

com essas pedras geladas

que agora tens na tua mão!


Pelos vistos, sou eu que tenho o diabo no corpo…

Por isso, vai salvar

todos os teus supostos anjos perfeitos

à custa da minha dor …

E como sabes que as chagas em mim

estão sempre na moda.

Ainda vais poder dizer com toda a certeza

que me estás a fazer um favor

e não te sentirás culpado.


Fico tão graciosa

Assim chorosa e a flutuar mais uma vez destruída nos meus pedaços…


Porque não haveria de ficar?

Alguém te disse que sim..

Porque não irias tu acreditar?


Daniela Pereira
Direitos Reservados

domingo, agosto 26, 2007

Quando os opostos se cruzam...


I don't know by ~1hermanadedexter on deviantART

Quando os opostos se cruzam no caminho...
o inicio dos teus passos soam no fim daquela rua.
A luz enfeita-se de sombras e a escuridão penteia as estrelas
porque o dia ama a lua e a noite tem ciúmes do sol.
Quando os opostos tocam o olhar...
O chão tem nuvens dificeis de lavrar e no céu nascem mantos de tulipas
A chuva chora de luto porque uma lágrima no fogo morreu...
o vento assobia com espanto e jura que o mar se incendiou...
Quando os opostos se abraçam...
anulam-se todas as diferenças
e todas as certezas beijam-se na boca
a troco de um nada.

Daniela Pereira

Direitos Reservados

segunda-feira, agosto 20, 2007

Caprichos


.bury me by *caspell on deviantART

Queria o céu por capricho…
Deram-me as nuvens lá do alto para me compensar
E eu criei as tempestades na terra.

Queria o sol para ser o meu espelho nas manhãs…
Deram-me a lua, mas esqueceram-se de embrulhar o luar
E eu vi a escuridão a fazer-me festas no rosto.

Queria o mar para descobrir novas melodias num olhar calado…
Deram-me o grito das ondas
E eu baixei os olhos na areia só para não o ouvir.

Queria sentir o mundo a fervilhar debaixo dos meus dedos…
Deram-me o amor para guardar junto ao peito
E a noite para sufocar de paixão.

Ficaram com todos os meus desejos…
Queriam-me ver pobre de alma e solitária de corpo
Estes sonhos forretas!
Mas , fiquem a saber
Que é com um coração vazio em cima da mesa
Que me torno mais suculenta.

Daniela Pereira

Direitos Reservados

quinta-feira, julho 26, 2007

La luna blanca





La luna blanca...prendia nos meus olhos para sempre...
Cortei castanhos e subtraí pretos ao olhar.
Pintei a pele de dourado e o sorriso roubei às rosas
O luar é mais bonito assim...com reflexos multicolores
Foge-me a escuridão por entre os dedos molhados...
penso no vazio que se apodera de mim...quando penso
fazia bem em não pensar...em ser apenas mais uma brisa sem voz
a soprar para o tecto segredos que ninguém quer apanhar...
La luna blanca...prisioneira deste meu olhar sem nome ou destino
tem gotas de orvalho no retrato e aromas esquecidos a lamber-lhe a testa fria...
La luna blanca...escreve-me no seu peito de amêndoa amarga e com pedrinhas frutadas coloca-me um vestido negro para a noite invejar as minhas sombras. Tenho ciúmes do teu brilho imenso ...leva-me contigo que a terra assim sem ti é tão escura…

Blueiela

quinta-feira, junho 28, 2007

Pinta-me de cinzento!


disaffected by ~nosurp on deviantART

Deito-me numa rocha imaginária...
Não tenho tempo
Para escolher uma cama mais mole
porque hoje a mente está dura comigo...
Fecho os olhos...
As cores que pintam o mundo
Metem-me nojo
Porque inspiram os quadros dos amantes
E o amor deixou-me tinta cinzenta nos dedos.
Então...fecho os olhos!
Não há mais céu
com o seu azul a acenar
apelando para a ternura dos corpos verdes.
Não há mais mar...
E ainda bem
Que ele se evaporou vestido de branco
Porque hoje até na maré negra me afogava
De tão pesado que estou a sentir este peito.
Sonhos de algodão doce...
Afinal eram sonhos de algodão em rama...
Para curar as feridas
Que se adivinhavam no fim.
Dá-me luz!
Peço eu à escuridão adormecida...
À nuvem que atravessa o meu nevoeiro...
Dá-me luz!
Faz-me esquecer as verdades...
Ou então inventa novas mentiras
Para eu acreditar.
Não gosto de me sentir assim tão vazia...
Se calhar não estou vazia...e afinal estou mas é cheia...
Demasiado cheia de sentimentos inexplicáveis
Para que em mim possa caber
Algum amargo de boca descartável
Se não...
Hoje espumava de raiva
E odiava de morte
A minha franca estupidez.
Estou lotada!!
Com lotação esgotada...
Não fico mais à porta de sorriso cruzado
À espera que o meu sonho
compre um bilhete para conhecer o mundo
de mãos dadas comigo
Pinta-me mas é de cinzento...
Porque a dor
É para curar com pinturas de guerra.

Daniela Pereira

sábado, junho 09, 2007

Noite salgada




Voz-Rui Diniz-Ex-Lyra
01 - Onde Me Quere...


Noite...

noite fria sem gelo nas pontas
tens orvalho nos olhos e não és manhã
tens rios que correm fugindo do mar
e luas que se escondem por detrás das estrelas..

Viste o meu amor por aí a vaguear?


Dei-lhe tantos braços…
que fiz dos meus abraços rotinas
Dei-lhe tanta guarida…
que fiz do pão..colheres de mel para a boca
que fiz do mel..uma cama densa

Noite...
Que conheces todos os amores que achei perdidos…
Que viste com que força entrei nas suas almas…
Porque me deixas tão fraca e só?
Porque me tiras um pedaço
se eu só tenho espaço para dois no peito?
Se me escavas mais fundo...não tens como cobrir de novo este buraco imundo

Noite…

Que és minha amante
e minha mãe
Porque me deixas chorar com palavras vãs?
Porque levaste de mim o sorriso
e me deixaste na boca um lamento?

Noite..
que és minha e tua...
Diz-me..
Quando chega de novo o dia?

Daniela Pereira

(Escrito com a cumplicidade de um certo "Mateus")

domingo, junho 03, 2007

Acordar com vontade de esquecer



3eme main by ~Nads-pix on deviantART


Dizem que amar as palavras
Com poucas moedas nos bolsos…
É como amar uma paixão vadia.
Mas mesmo sabendo
que o meu corpo ao morrer
se irá desfazer em ossos pedintes nas ruas
e que na minha despedida
o mundo inteiro
vai querer doar a minha carne ao esquecimento
Sou bem capaz
de morrer feliz
nesta pobreza…

E se a morte for tão doce
Como as palavras que dei em vida…
Sei que deste amor
Com que eu sempre escrevi
nas costas da minha alma…
O mundo nunca terá coragem
de não se lembrar.

Daniela Pereira
(Direitos Reservados)

segunda-feira, maio 21, 2007

A implicância de um desejo



Tenho estrelas cravejadas nos dedos
E uma meia lua
Entalada nos dentes…
Se eu engolir o sol…
Será que me nasce o céu na garganta?
Naquele dia
Em que ousei engoli o mar…
Nasceram-me flores salgadas nos olhos…
E eu ainda acredito.

Daniela Pereira





terça-feira, maio 15, 2007

Vamos falar de amor...calados?



Imagem by DeviantArt -tell me something by ~ashnicsunday

O tempo passa e o coração permanece parado
Estático na sua timidez de amar…
Ávido por uma batida mais intensa
Por um fôlego apressado..
Por um toque na pele sentido na boca.
O amor não pensa…
O amor entrega e rouba
Tudo o que é racional…
Prende-te os sorrisos
Com teias de mel…
Amarra-te os sentidos
Com abraços sem folga..
Bebe-te o olhar
Com dois copos de vinho branco bem servidos.
Devora-te o peito
E tu lambes os restos que amores antigos deixaram
Ansioso pelo gosto de uma nova sobremesa.
Como mostramos o que sentimos ao amar?
Como se pinta o tecto com beijos multicolores
Usando o vermelho como fundo na tela?
Como se respira devagar
Quando os pulmões
Fazem redemoinhos com ar na boca?
O amor não pensa…
Fecha os olhos à noite
E a tua imagem vem-lhe à cabeça
Como um sonho bom
Que cortas em pedaços
Para saborear com sumo de limão.
Amas demais…
Esqueces tudo à tua volta
E só vês um corpo
Esculpido nas sombras…
Todos os rostos
São monótonos
Se não são aquele rosto
Que idealizaste em ti.
Todos os beijos
São iguais…
Sabem a pouco
Se os teus lábios
Não estão despidos
De beijos passados.
Então amas com cuidado…
És frágil nas entregas
Porque o teu coração dos portões de ferro
Fez portas de cristal.
Amas com o coração
Mas amar... fode-te sempre a cabeça

Daniela Pereira-15/05/07




domingo, maio 13, 2007

Comunicado




Olá caros amigos do Devaneios


É com imensa pena que venho hoje aqui fazer este comunicado a todos vocês...
Infelizmente, já não haverá lançamento do livro Curiosamente Obsessiva por Afectos como tinha anunciado.
Lamento muito, só agora poder estar a dar esta notícia, mas devido a problemas surgidos de ultima hora com a Editora.Não me sentiria bem comigo mesmo se avançasse com este projecto.
Por isso mesmo, decidi que ele deixaria de existir.
No entanto, não queria deixar de agradecer a todos vocês que nestes ultimos tempos têm sido incansáveis no carinho e estima que me têm oferecido.
E quero dizer e prometer aqui...que o que aconteceu não será motivo para eu desistir de acreditar no meu trabalho e no sentimento que transmito nas minhas palavras.
Amo a poesia..sou uma apaixonada pelas palavras e pelas emoções que elas encerram e nada...mesmo nada me fará calar esta paixão.
Por isso, estarei em breve de regresso com um novo projecto e nessa altura sei que todos os que acreditam no meu valor ainda aqui estarão em silêncio aguardando o meu grito.
Obrigado...

beijos


Daniela Pereira

quinta-feira, maio 03, 2007

Inspiração invertida





Apagam-se as luzes
Com as estrelas
Encaixadas nos quebra-nozes.
A noite enfeita-se de negro
Porque as memórias
Só dão filhos na escuridão
E a lua é a madrasta má
Dos meus sonhos de encantar.
Fecham-se os olhos
Porque o dia
Tem luz a mais
Para leres estas linhas tão sombrias.
Morram as sombras
Que as paredes querem-se nuas!
Deita-te no chão…
Quero ficar a desenhar a carvão
O teu corpo vestido de asfalto
até ficar sem pilhas nos dedos.




Sprout
By Joanna Newsom
Best Video Codes



Tens ganas pelo limite?
Então saltamos os dois despidos de miolos
daquele penhasco afiado
De onde gritei um nome esquecido
3 vezes sem o cansar.
Depois deixo que
Grites 5 vezes o meu novo nome
Quando o chão nos abrandar a queda
E te partir os dentes.
Não acreditas nas minhas doces promessas?
Não tenhas medo de me deixares com feridas profundas
Porque há muito que a escuridão
Esfola-me os joelhos.
E se é verdade que nas minhas veias
O sangue corre com pressão alta nas despedidas…
É mentira dizer que o meu coração explode
Só porque tu também me vais dizer adeus no fim da corrida.
Já rasguei muitos quilómetros
Com ele em bicos de pés…
Chegar a ti
É só mais um metro de alma perdida.


Porque me perfuras o ventre
Com flashes lânguidos
E não me abres à queima-roupa?
Odeio esperar desejos
Com a saliva batendo-me à porta!
Dizes que estou a chorar?
E então?
Bebe-me as lágrimas num copo
E imagina-me a soltar gargalhadas pelo nariz!
Eu tenho espaço na minha boca
Para os teus beijos
E quero-os já!
Hoje a poeira do chão
É só minha…
Amanhã serás tu o pó
Que ficará por soprar.

Daniela Pereira



quinta-feira, abril 12, 2007

A explicação do inexplicável é só mais uma dúvida a ganhar pó na prateleira…




O que sinto por ti…
Não sei explicar
Porque apenas sei sentir.

Não te odeio
Por nada sentires por mim
Como podias sentir
Se nunca fizeste parte do meu corpo?
Como poderias saber
Que a minha pele grita pela tua?
Que a noite é o meu diário
Onde escondo os meus segredos
E quando ela chega..
Eu paro o meu coração
Para poder ouvir a tua voz bater no meu peito
Porque só assim
adormeço tranquila.

Não te odeio mais que tudo no mundo
Porque olhas para as estrelas
E vês outro rosto que não é o meu…
Mas odeio o resto do mundo
Quando ele está junto de ti.

Não explico a origem destas lágrimas
Mas a dor é uma possibilidade
Que dificilmente ponho de parte.
Já olhaste para os olhos de uma flor quando ela murcha?
É tão bela a pureza da dor..
Daquele sentimento nascido no seu seio.
Como podem dizer
Que as flores só têm perfume
Ao desabrochar…
Se é no momento que sentem que vão morrer
Que expelem todo o seu verdadeiro aroma ?
Basta fechar os olhos
E inspirar
Aquela maresia
Com odor a cravos e jasmins.

O que sinto por ti…
Também é assim.
é quando te sinto partir
Que preciso abraçar-te com mais força …
De esconder os lenços brancos
Porque não quero que me acenes um adeus…
Que atropelo as palavras como louca
Por temer tanto o teu silêncio nos meus dias…
Que ponho de pernas para o ar todos os relógios da casa
Na esperança que o tempo não caminhe mais em frente
E imite os caranguejos nas passadas…

Não explico de onde nasce este sorriso que trago na boca
Quando visitas serenamente os meus pensamentos
Nem tão pouco
Te sei dizer
porque por vezes surge nevoeiro a escondê-lo de ti…
Mas alguém sabe dizer
Porque existe chuva em dias de sol?

O que sinto por ti…
Já me disseram que podia ser amor.
Eu digo que talvez possas ser um vício…
Uma cocaína rara
Que vicia mas não mata
Quando injectada em excesso.
Deixa-me apenas tonta
Presa a sonhos e fantasias
Livre de amarras e de limites.
Preparada para voar por cima de todos os muros
Com este sentimento espetado nas veias.
Que se lixe que o mar não seja meu…
Ninguém me pode impedir de o adorar
E de o querer com todas as minhas forças!
Vem prender-me à realidade se conseguires…
Se fores capaz
De impedir que o meu coração arda …
Se tiveres água nas mãos
Então afoga-o bem lá no fundo
Porque se ficar mal apagado
é certo que vai reacender
para incendiar com mais coragem todo o mato que lhe surgir pela frente
só para chegar ao sonho onde tu estás
Queres saber o que realmente sinto por ti?
Pergunta a outra
Porque de sentimentos há muito que nada sei

Blue-12/04/07





quarta-feira, abril 11, 2007

Estradas e encruzilhadas...



Foto by DeviantArt-Voyage Immobile by *Alyz
Entra…
Bate à porta e entra devagar
Hoje o meu peito está aberto
Para quem o quiser ver.
Não o reconheces assim?
Parece-te vazio e sombrio?
Que pena….
Não é impressão tua
Ele agora é assim..
Negro…feio e oco de beleza.
Atirei tudo boca fora…
Tudo…
Não vi se era mau ou se era bom
Se estava ali encolhido a um canto a murchar
Então é lixo
E como lixo por mim será tratado.
Dizes que não querias que eu me sentisse assim?
Não acredito
Porque ou estavas surdo quando te supliquei uma palavra
Ou então tapaste os ouvidos para não ouvires os meus gritos…
E isso não te desculpa
Nem te tira o peso da culpa
Por me teres morto por dentro
Por me teres feito sentir
Que a palavra Confiança era só mais uma miragem
Por teres apedrejado o meu coração
Com pregos de aço
Por me ensinares que as feridas
Por mais que doam
sempre se suportam
basta que se ame muito quem nos feriu.
Amar é uma loucura…
Odiar um caminho sem regresso
Fico-me pela ponta da navalha
Suspensa por cima de duas estradas
Curvando-me na direcção que o vento quiser.
Agora vai…
Já moras cá dentro
Tatuado em sangue neste chão de carne
Deixa que o odor forte
Te indique um dia o caminho de volta.
Mas se quiseres regressar
Trás contigo sonhos que cheirem a novo
Para pendurares no meu pescoço
Porque os que eu tinha semeado na pele
Estão podres graças a ti.

Daniela Pereira-11/04/07






domingo, abril 08, 2007

Matas sonhos à paulada




Não vi a pedra que caiu no chão
Mas foste tu que a atiraste…
Nisso, sei que tenho razão

Desenho com giz quadrados
E declaro tudo o que em mim mataste…
Foi um tiro certeiro
São meus os todos que sangram aos bocados
Nisso , sei que tenho razão
Foste tu que erraste primeiro
Planeaste um tiro certeiro…

Não vi a pedra que caiu no chão
Mas foste tu que a atiraste…
Mas foi da tua boca
Que lambi o meu coração
Nisso, sei que tenho razão
Foi um tiro certeiro…
Ñem avisaste primeiro

Porque é que o chão tem pedras?
Porque é que a tua mão…mata a palavra
Como quem mata sonhos à paulada?

Não vi a pedra que caiu no chão
Mas foste tu que a atiraste
E a minha alma
Para a morte empurraste.

Porque é que o chão tem pedras?
Porque é que a tua mão..mata a palavra
Como quem mata sonhos à paulada?

Desenho beijos com rebuçados
E escondo de ti todos os meus passados…
E declaro tudo o que em mim mataste
Quando com a tua boca me provaste
Nisso, sei que tenho razão
Não vi a pedra que caiu no chão
Mas foste tu que a atiraste…
Mas foste tu que a atiraste…


Daniela Pereira



sexta-feira, abril 06, 2007

Um pedaço de mim

:)É com imenso prazer que deixo neste espaço a link  do programa Lugar aos Outros no audioblog de Luis Gaspar, que gentilmente deu voz a alguns poemas da minha autoria...Podem também saborear a poesia com cheirinho a Brasil de Sonia Regina.
O meu obrigado ao Luis Gaspar e também à LusoPoemas por me ter dado a conhecer esta voz cheia de alma na garganta

P.s: Podem aceder ao site directamente pela link exibida na secção de links do blog,através do "Lugar aos Outros"

http://www.estudioraposa.com/index.php?id=192

beijinhos

daniela pereira

quinta-feira, abril 05, 2007

Até que as palavras morram de tristeza...


A ti …que és poema
E fazes do meu grito a tua voz
Confesso-me!
Não esqueço…
Não apago…
Não perdoo…
Que o mar seja sempre azul
Mesmo que nos meus olhos
Ele seja só um ponto cinzento
Difícil de avistar.
Não me lembro
Quem lhe roubou a beleza da cor…
Quem se atreveu
A dizer-me que os meus olhos sabiam a sal grosso
E que o mar
Tinha nas ondas
Uma mordaça para o meu pranto.
Não perdoo
Que o céu tenha nuvens carregadas
E que esconda as estrelas do meu olhar
Quando a noite em mim cai…
Não perdoo…
Que o mel que barrei em mil palavras
Seja saboreado como se fossem fel.
Não apago…
Todos os passos que dei às cegas e com o coração às costas…
Não esqueço…
Que não caminhei em círculos
Porque sei que em todos os momentos
Não tinha os pés no chão.
Estou certa que neles sempre voei
Então porque me iria esquecer
O que é ter asas num segundo ?

A ti… que és poema
E sabes que no luar me refugio
Confesso-me!
Não sonho…
Não sinto…
Não vejo…
Que o tempo seja a cura
Mas acredito
que os dias nascem e morrem a toda a hora.
Não sinto…
Que o coração tenha segredos
Que o corpo desconhece mas que a alma confia…
Mas confiei…
E ele parou na areia
E quis ver o mar de perto
E eu confesso
Que o levei lá.
Que não pensei
Que ele fosse sentir frio
Quando o verão o abandonasse
Para aquecer outras paisagens.
Não sonhei
Com jardins de folhas caídas no chão
Mas dentro do meu peito
o Outono parece não ter mais fim.

A ti…que és poema
E em silêncio agora me contemplas
Não olhes para mim
Com os teus olhos piedosos
Suplicando que deixe os meus versos
Pingarem no teu rosto…
Hoje não…
Deixa-me ser eu…
a egoísta desta vez
e que todas as lágrimas dos poetas
nasçam e renasçam vezes sem fim
na ponta desta caneta
até que exaustas na sua confissão
morram de tristeza.

Blue-5/04/07

segunda-feira, março 26, 2007

Amanhã...é sempre cedo demais




Não me digas
com esse ar frenético
que eu te levo ao céu
quando montas nas minhas pernas
porque eu atiro-te ao chão
nesse mesmo segundo.

Por isso
ouve bem o que te digo
enquanto ainda consigo
trincar com calma
o teu ar afoito…

Se eu soltar a minha alma esta noite
não será o teu corpo
que a irá prender entre 4 paredes
e 5 grades de ferro
hoje não chegam
para encerrar as asas
que o meu coração
ontem amarrou às cegas ao pensamento.
Por isso
até que o dia nos corte às postas o desejo
e nos arrefeça irremediavelmente os beijos…
Deixa-te ficar
estupidamente em silêncio
aqui abandonado
no chão da minha boca



Daniela Pereira-26/03/07

quarta-feira, março 21, 2007

A poesia não tem mais alma






Nas palavras um coração não bate
e o palpitar de uma letra
numa folha de papel
é tão lento e sossegado
que nem o escutas...
Mas se soprares um doce verso
Com o teu ar enternecido
O sangue do outro ferve mais depressa
E palidez do teu rosto
É mais uma miragem
Que jamais verás...

WORDSONG-OPIÁRIO





Faço uma coroa com as palavras azuis
Que me costumam enfeitar os cabelos
Mas distraída como sou
Esqueço-me que as palavras que o meu coração sente
Não são mais do que rosas disfarçadas
E todos os meus beijos
Pintam-se de sangue
Quando a língua
Se despede de um céu
Que sangra no alto da tua boca.
Depois ....
invento um poema com os teus olhos
Igual a tantos outros
Que imaginei a acordar
dos braços de um sonho meu
E a escuridão sem ti
Já não me assusta..
Porque tenho a lua na memória
E dos sorrisos retalhados
No acaso de uma estrela
Que não cai
Tenho a lembrança...
Do meu choro perdido..
Posso escutar mil vezes o eco
Se o sono não vem...
Do meu riso
Sei prever o rasgar dos lábios
Que colo à força
Quando um sorriso
Insiste em ir mais além ...
Dos meus dedos
roubo canções de embalar
que a noite escreve em segredo
só para não perturbar o sono de um anjo
temendo o despertar do diabo
que como mulher escondo nas sombras

Com a poesia mal alinhavada ao peito
cometo todos os crimes
Que o meu corpo incansável sempre deseja.
Mas se a alma por vezes
Recusa-se a ir por aí
Vagabunda e com rumo incerto...
Então eu rasgo a realidade com os dentes
Sem me importar com os restos
Que deixo á vista de todos no chão.
E mesmo que me digam
Que sonhar solitária é uma prisão
Levarei os poemas
para trás das grades
quando o sonho acabar.
E se a poesia
um dia perder-se na minha alma
Saibam que amarei ainda mais cada palavra
Que encontrar carpindo as dores do mundo
em silencio no meu corpo.

Blue-21/03/07

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Curto-Circuito


Foto by DeviantArt -nothing to say by Pekthong

Electrifica-me o corpo
esta saudade
que dá choque na pele
e acelera na voz
um grito molhado
que hoje não quero soltar...

QUE FIQUE AÍ...
bem preso à tomada
no fundo da garganta
até que a noite
queime todos os fusíveis
e esta escuridão
que me assola enfraqueça de vez.
Então...
Vou desligar em silêncio as palavras da boca
com o mesmo
on - off intermitente
de sempre...
Porque muda
nunca ficarei
se pensar em ti
com os dedos ligados à corrente.


Blue-22/02/07

sábado, fevereiro 03, 2007

Somos cães que as larvas desprezam




Não quero ser arrogante nas palavras que exalo, mas a arrogância aqui faz todo o sentido. Estou a olhar o mundo que está lá fora e sinto nojo por senti-lo assim....bruto e grotesco. As pessoas parecem uma matilha de cães esfomeados lutando pelo melhor pedaço que a vida lhes atira ao chão.. e como cães que são mostram-se bichos rudes e insensíveis não hesitando em morder os fracos e derrotados até ficarem com os dentes bem cravados na carne... porque neste mundo só os vencedores merecem comer. Vale tudo para se ser feliz neste planeta de mesquinhez e cobardia! Queres ser feliz ? Então, não penses mais porque a maneira mais fácil de lá chegares é devorares a felicidade dos outros...engole-a só para ti...tira-lhe o ar e depois deixa-a seca e vazia num canto qualquer da tua rua. De preferência, num canto escuro, só para que ninguém veja o teu trabalho sujo a brilhar na sujeira que amontoas na tua alma. Não podes ser descuidado e deixar á mostra de todos, as lágrimas daqueles que espezinhaste porque ainda rompes a tua máscara e toda a gente vai saber que és um monstro horrendo. Montas-te ao meu coração um cenário lindo de morrer! Só podia porque no fim ele será o meu cemitério ...e a morte de um sentimento tem que ser celebrada com euforia e cor. Fico a rir dos teus rios límpidos e cristalinos, onde a água é na tua dimensão imaginária um objecto de pureza extrema. Achas que não consigo ver que ela está conspurcada de restos maltratados? Louco e inocente...é isso que és! Tenho olhos de breu, mas ainda consigo ver para lá da mentira porque a verdade nunca me enganou e sabe bem guiar os meus passos. Iludiste-me... enfeitiçaste-me com palavras doces e lenga-lengas, mas o meu peito sempre desconfiou dessa doçura reforçada. Batia mais forte...é certo que batia! Mas em todas as corridas que fazemos o coração acelera mesmo que tu vás direito a um precipício ...ele não pára. Não escolhe porque bate...apenas sente debaixo de um emaranhado de músculos entalados na carne e abraçados por sangue que tão depressa ferve como congela a uma velocidade estonteante.
O mundo gosta de pregar sermões aos peixes... de cuspir amabilidades e falsas certezas pela simplicidade do acto. Ser sincero é muito mais trabalhoso! Custa sofrer quando se diz uma verdade e ela é sentida até à raiz dos teus cabelos....imagina-a como uma dor dentes. Assim mesmo...aguda...fininha mas percorrendo cada espaço do teu ser com a subtileza de um elefante numa loja de louça francesa. E tu finges que não dói, porque achas que é justo não a sentires, então porra...se eu disser ISTO NÃO DÓI NADA, só pode não doer. Tem lógica e é a consequência esperada do teu esforço animal.
Olhas nos olhos?... não tu não olhas, porque te arriscavas a ver alguém por inteiro e ainda acreditavas que as pessoas têm um lado negro escondido. E isso iria contrariar o modo que tens de ver as coisas á tua volta. Tudo é perfeito num mundo temporário... num mundo que controlas a teu belo prazer e ao sabor das tuas vontades. Gosto disto!....Então tem que ser meu...pensas tu possuído pelo espírito de um caçador.
Escolhes as armas... as mais convincentes...aquelas que nunca falham! Estudas os terreno...analisas as fraquezas que terás que fingir cuidar e depois resta-te elogiar os pontos fortes até que mel escorra das nossas bocas. Atiras uma rede para o fundo do meu mar, porque no fundo tens alma de pescador... e ficas sossegado e em silêncio a ver o peixe enrodilhado e quando o sentes cansado de tanto se debater...toca a comê-lo crú e com muito sal à mistura!
Mas hoje, não sou mais caça nem bicho do mato... muito menos sou taínha. Porque por ti, fiz-me leoa...fiz-me tubarão! Despi a pele de cordeiro e renasci lobo com corpo de serpente... uni as minhas fraquezas que tanto desprezaste e fiz um manto de aço que na pele fundi. Por isso cospe para aí no meu prato...apagas as minhas estrelas e pinta de negro o meu céu. Já não me importo...ganhei forças para decorar o mundo ao meu gosto. Não preciso de conselhos...nem de panos quentes para por nas minhas feridas. Posso muito bem lambê-las ...a saliva sempre foi o remédio para curar as chagas dos animais. E é isso que eu sou...é isso que tu és...é isso que somos todos até que o odor da morte nos chame à razão.


blue- 3/02/07

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Perfurei a lua cheia




Hoje sirvo ao teu silêncio

palavras cortadas num só golpe

na esperança que assim aguçadas

possam ficar bem atravessadas no teu pescoço.

Rápida… incisiva

e surpreendentemente letal

furo-te a alma

em meia lua ou em três quartos…

para mim tanto me faz!

Porque inteira…

hoje é que ela não fica!


Daniela Pereira-31/01/07


 

sábado, janeiro 27, 2007

Choro contido

 Não me digam que não posso chorar
Porque hoje vou contrariar
Qualquer sorriso que enfrente as minhas lágrimas...
Atravesso a lua de uma ponta à outra se for preciso
Só para com ele não me cruzar.
Ele vai compreender
que hoje nos meus lábios
até o sal é mais espesso que o mel
ao cair da minha boca.
Por isso não me digam que não posso chorar
E que a tristeza é sinal de fraqueza...
Porque hoje estou triste
e a ondulação que rebenta salgada no meu olhar
de tão forte faz naufragar até a calmaria de um rio.

blueiela

Freak On A Leash Featuring Amy Lee from Evanescence



quarta-feira, janeiro 24, 2007

Pelas palavras...eu juro!




Ato-me às palavras que escrevo

deixando-me sufocar aos poucos

e numa punição merecida

escrevo o que me chega à boca.

A noite está aqui ao pé de mim

e com o seu ar contemplativo

vai-me apalpando os dedos transpirados.

Enquanto ela lhes percorre a pele

desce-lhes em vão o suor

até à ponta das unhas

no esforço de me calarem os sentimentos no peito.

Mas eu não posso calar esta indignação

que me percorre a carne ate aos ossos

e se não a posso explodir com um pavio curto

então... faço-a em pedacinhos à minha maneira!

Hei-de vê-la rendida num canto qualquer do papel

suplicando que a poupe de um perdão

só pelo desejo de morrer mais depressa.

Por isso Noite...

Diz às tuas palavras mulatas

que mesmo com os dedos adormecidos de cansaço

ficarei com elas ate que chegue o teu fim.



Blueiela



 

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Prova oral


Não me sais da cabeça

Quando te sinto a fervilhar

Debaixo da língua...

És como um grão de pimenta

Que trinquei por engano

Mas queimas-me a saliva

Só como o desejo de te ter

Ardendo dentro da minha boca.

Deixas esta cabeça tonta

A andar à roda...

És como um espumante

E meio-seco

Vais transbordando

Pelos bordos curvos do meu corpo.

És pimentao- doce alcoolizado

Nesta prova oral...

Mas desconfio

Que poderias bem ser

um Rum cubano

quente e letal!

Assim te tornas quando te escoas de palavras

Na minha garganta

E deixas o silêncio

A baloiçar perigosamente

No canto da mesa.



Daniela Pereira-12/01/07


 

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Jazem num leito de papel...




Hoje doem-me as palavras…
Não me dói a carne ou os ossos
doem-me as palavras nas pontas dos dedos.
Pobres palavras
que destinadas a sofrer de dor na alma
jazem num leito de papel
tão fragilizadas e magoadas
a sangrarem 2000 gotas suicidas por minuto.
E tu, mundo sabes que eu não as quero
deixar sair assim
só porque elas reclamam
que aqui dentro de mim
o sangue está infestado pelas saudades que do teu amor sinto.

Daniela Pereira-5/01/07

segunda-feira, dezembro 25, 2006

A enciclopédia da saudade


(Mesmo que as palavras sejam tristes não faltará em mim um sorriso para amar com saudade)

DAMIEN RICE- ELEPHANT


As saudades...já ouvi tantas vezes a palavra SAUDADE dita em mil bocas, mas agora que a sinto acho que nunca ouvi ninguém dizer a verdade... Todos falam deste sentimento mas hoje sinto que nunca ninguém o sentiu realmente. Agora que penso na solidão do meu quarto sinto-me no direito de afirmar que a saudade é só minha...foi uma palavra inventada por mim! Existem belas poesias...melancólicas e tristes grávidas de lamentos contando histórias de amores que partiram chorados à beira mar acenando um adeus qualquer... não lhes conhecemos os rostos... sim, porque as saudades têm rosto só que os poetas não o dizem porque recordar fá-los sofrer . Então falam de almas que vivem espetadas no seu peito como se sombras se tratassem e que ferem na escuridão...não lhe dão nome...não lhe descrevem os traços...a alma não se vê por isso talvez se sinta menos que a falta de um rosto bem delineado.
Depois a saudade é um sentimento sem cor nem cheiro mas que se sente... também já ouvi dizer. Mas se eu dissesse que a saudade é negra como a noite e cheira a solidão, acham que estaria a mentir? Porque é assim que eu a pinto nos meus olhos... com um rosto negro sujo de cinzas de olhar sombrio e sorriso desmaiado nuns lábios brancos sem brilhos a adornar. Vejo-a nua e sem pudor da sua nudez imagino-a a dançar num palco iluminado para toda a gente apreciar a sua beleza erudita. Ouço as palmas descrevendo a admiração dos mortais perante a sua graciosidade e delicadeza no ferir... uma verdadeira rainha, majestosa nos gestos lancinantes e nas lágrimas que espalha em seu redor.
Nada a consegue travar e todas as batalhas que enfrenta são vitórias a enumerar....
A saudade é imponente...tem um nariz arrebitado que não torce a qualquer cara feia que lhe surge pela frente. Não se comove com choros a horas adiantadas, nem tão pouco se compadece com os gemidos de dor de um coração destroçado. É implacável no momento de brilhar e brilha como ninguém quando sapateia em cima dos teus sonhos. Até tu te ajoelhas quando a vês assim tão magnifica...confessa!!
Na saudade cabe um mundo inteiro porque o seu corpo alonga-se com o tempo e a cada minuto que passa outro solitário a ela chega sem esperanças de lá sair. O mar conhece-a bem, porque já viu tantas mulheres amarguradas e tantos homens desiludidos nas suas ondas a desfalecer por ela. O sal que ele guarda nas marés ainda tem o odor das suas lágrimas e todos lhe confessaram que vinham ali chorar por ela.
Que não queriam mais sentir a sua ausência a devorar-lhes a carne e soluçavam arrependidos por nunca terem acreditado nos boatos que reclamavam a sua existência. Tinham ouvido histórias de uma musa que encantava os apaixonados com promessas de eternidade e de felicidade sem fim...e tolos amaram-se sem limites até que o sonho fosse só fumo. Porque haveriam de ter medo da saudade? De uma beleza sem par...de um sentimento perturbador e duradouro? A emoção que não seria senti-lo a remoer nas suas entranhas... porquê ter medo se podiam dar as mãos ao outro e sentir que a saída era mesmo ali ao lado?
Não havia razões para temer a saudade, só vontade de a possuir com loucura...
E a saudade é uma dama que não se faz rogada a nenhum convite meloso e em pouco tempo é certo que te abraça o corpo com mil e um braços de ferro forjado....quando dás por ti já não tens forças para dela te libertares. Então conheces de perto o perfume da dor, o som dos ponteiros do relógio que rangem como portas velhas, o teu desenho ao espelho que juras estar distorcido porque o teu rosto parece inchado de tanto chorares, até esqueces a cor do sol e afirmas que ele hoje não é amarelo e inventas um novo tom de cinzento só para não te chamarem de mentiroso por dizeres que ele te faz sentir frio quando vais á janela.
Mas tu sabes que ele não te consegue aquecer por mais que te deites debaixo dele todos os dias...
Depois dizem-te que as saudades passam se pensares noutra coisa... e tu pensas... pensas... e imaginas um jardim cheio de flores em plena Primavera e até parece que sorris de novo, mas quando começas a esboçar um sorriso as flores murcham de repente e o céu enche-se outra vez de nuvens e ameaça chover na tua cabeça porque as nuvens que nela pairam são tão negras e feias. E tu então, foges dali...corres sem cessar para lado nenhum o que te importa mesmo é fugir. Fechas os olhos, respiras fundo porque parece que adivinhas que ainda tens um longo caminho a percorrer e tentas novamente pensar em coisas boas e abandonar a maldita saudade. Esqueces as imagens e concentras-te nos sons à tua volta...carregas o silêncio no teu leitor de cds e aguardas que a música comece a tocar. É claro que esperas ouvir algo novo, um som harmonioso e calmo mas que te encha de boas vibrações... já concentrado ficas à escuta e realmente ouves ao fundo uma melodia quase imperceptível mas por momentos tens a vaga sensação que ela te é conhecida. Sentes que os teus olhos tremem ao ouvir cada nota e o teu coração parece que enfraquece no teu peito... aquela música ..”foi com aquela música que nós ...”e tu bem tentas acabar a frase mas já não consegues porque irrompes num pranto e as tuas palavras já não são mais que soluços. Foi o regresso da saudade que sentiste ali...mas por favor não desistas que um dia ainda lhe vais dizer adeus para sempre...

Daniela Pereira-25 /12/06

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Um cais no teu caminho



Na penúltima lágrima
que por ti chorei
pensei em dizer-te adeus.
Mas quando ao mar cheguei
para acenar os meus lenços brancos...
O mar jurou-me comovido
que todo o sal por ti derramado
só daria mais sabor ao teu regresso ...
Então sentei-me na negra areia do tempo
e na melancolia de um cais de lembranças
esperei que as lágrimas secassem .

Daniela Pereira

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Enterrar os sentidos numa campa de estrelas





Escreve o teu nome a preto e branco
e atrás de cada letra
diz o que ficou por fazer
antes que morras com as palavras presas na tua boca.
Tenta agora pensar um pouco
mas não tentes pensar tudo de uma vez
porque os teus pensamentos podem ser pesados...
Deixa que eles se passeiem livremente na tua cabeça
e em tempo algum não lhes force a saída
porque o teu coração é que tem na mão o comando
e tu aqui não mandas em nada!
Olha para o chão...
Estás à espera de quê?
Que te peçam por favor!!
Eu disse...OLHA PARA O CHÃO...
E não vale a pena tentares desviar o olhar
só porque não te agrada
ver os passos que deixaste ficar para trás
quando perdeste a coragem de seguir em frente
e recuaste no teu tempo.
Agora que já conheces a cor dos passos
com que pintas o teu chão de pedras
dá um passo em frente...
Achas que vai cair
só porque essa vertigem de lamentos que te assola
desequilibra o teu andar
e o corpo abana como se fosse uma boneca de trapos?
Desengana-te... porque ainda não chegou a tua hora
e nenhum buraco espera os teus ossos
com essa capa de carne tenra que ainda tens colada a ti.
Estás demasiado viva
para morreres de dor...
Queres saber um segredo?
Chega mais perto
e ouve bem ...
O teu nome não é JULIETA
e o teu amor nunca se chamou ROMEU.



Então... resta-te descobrir melhor o céu nos teus dias
porque a terra não tem ainda morada para ti.
Por isso esta noite olha para ele atentamente
mesmo que ele não te pareça tão estrelado como sonhaste ontem.
E se alguém te disser que as nuvens cinzentas
que vês pregadas às estrelas
no passado não existiam no teu horizonte...
Podes rir à vontade na sua cara
porque tu sabes
que essas nuvens estiveram sempre guardadas no teu bolso
Hoje limitaste a soltá-las um pouco mais cedo
e foi por isso que o céu chorou por ti antes da hora marcada...

Daniela Pereira-8/12/06

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Numa só palavra...


:) Hoje nesta manhã de feriado deixo aqui no Devaneios uma mensagem um pouco diferente do habitual! Considerem-na um desafio para todos os leitores deste meu pequeno espacinho de poesia...
Por isso, queria pedir-vos para deixarem aqui a vossa definição para a minha poesia...escolham a melhor palavra... aquela com que identificam mais tudo o que aqui sentem.
Pensem... sejam sinceros e partilhem a vossa palavra comigo! :)



beijinhos

blue

terça-feira, novembro 28, 2006

O algodão não engana...




Clara despertou lentamente e olhou de mansinho para o relógio… 9h30 nem mais um minuto porque o tempo tem um passo certo. Enquanto projectava o olhar na mesinha de cabeceira deparou-se com um espaço invulgarmente vazio…o outro lado da cama.
Sim, porque aquela cama de casal tinha dois lados fortemente marcados e independentes.
O lado esquerdo encostado à parede onde os lençóis viviam numa perfeita desordem porque ali o caos era apreciado por ser um sintoma de liberdade. Era o lado do Tony, machista e dominador onde tudo estava a seu gosto…e ela sabia que nem valia a pena contrariar uma força da natureza, por isso limitava-se a sorrir e sempre que invadia temporariamente aquele espaço aproveitava sempre para ajeitar um pouco as rugas da roupa de cama… assim como quem não quer a coisa, com muito jeitinho e discretamente.
Agora, já o lado direito da cama era o oposto…mais arejado sem barreiras e com a luz da janela sempre a incidir na cabeceira. Os lençóis ali eram como cadetes em dia de inspecção na tropa…todos direitinhos e alinhados. Rugas no tecido…nem vê-las…lençóis sempre lisinhos e aprumados. É claro que este lado, só podia ser o lado da Clara, feminino e harmonioso onde a ordem vencia por unanimidade.
Mas hoje o lado esquerdo estava nu e sem exercer o seu direito de voto a ordem comandava aquela cama com maioria absoluta. Clara sentia falta da desordem… dos lençóis pendidos para o chão… do cheiro forte a conhaque que costumava empestar o ar daquele quarto. Até disso ela sentia falta!! Como podia ser, aquele cheiro a álcool costumava deixá-la fora de si… mas não …hoje sentia a sua ausência.
Não havia pó na sala porque todos os objectos estavam limpos e colocados nos lugares exactos. E isso esta manhã irritava-a profundamente, tinha vontade de cuspir para o chão, de abrir todas as gavetas da cómoda e deixá-las assim com a roupa toda de fora… sim isso seria o ideal.
Então sentou-se na cama e endireitou a cabeceira, depois ergueu os olhos e olhou em frente … mesmo em cheio na direcção do espelho. Não se achava feia, era até uma mulher com alguma graça de rosto perfeitinho e uns olhos grandes que o Tony costumava apelidar de pérolas selvagens… só que eles hoje estavam domesticados, sem garra nem ousadia no brilho. De certeza que estavam mortos…
No que diz respeito ao desenho do corpo, também considerava que não se saía mal… as suas curvas estavam bem delineadas e eram generosas mas sem serem demasiado dadas.
Sim ela até que era bonita, então o que tinha falhado ali? Porque é que nesta manhã estava ali na cama estupidamente a falar sozinha?
Então subiu-lhe pelo corpo uma raiva súbita que a deixou em brasa e em poucos segundos um candeeiro voou contra a parede caindo depois rendido no chão.
E lá ficou ele, desfeito em mil pedaços impossíveis de recuperar…
Clara sentia agora o inevitável arrependimento pelo gesto precipitado… sentimento de culpa e remorsos porque não ter sido capaz de respirar fundo antes de agir. PRECIPITAÇÃO!! Aquela palavra ecoava na sua cabeça como louca …
PRECIPITAÇÃO… sim talvez fosse ela a razão de todos os seus problemas. Talvez fosse nela que ela devia despejar toda a sua ira. Afinal ela tem tudo para ser culpada pela sua dor.
Foi ela que a atirou de cabeça para os braços do homem errado… foi ela que lhe mandou dizer sim quando outros lhe diziam não… até foi ela que deu aquele beijo molhado num dia de sol. Sim foi ela… sempre ela!
Palavras ditas cedo demais que bem podiam ter ficado mais algum tempo a marinar e a ganhar gosto antes de serem servidas à mesa.
Noites demasiado fáceis com orgasmos demasiado óbvios sentidos em posições demasiadamente previsíveis… se ela tivesse sido menos precipitada nas suas certezas e tivesse optado pelo e “porque não?” em vez do “gosto mais assim” se calhar ainda estava a dormir com um abraço cortando-lhe a respiração em vez de estar ali sentada com o corpo teimosamente livre e desprendido.
Mas Clara sabe tão bem que nada dura para sempre… nada é eterno para alem da dor. Essa sim! Dá voltas e voltas ao mundo mas regressa sempre algum dia ao ponto de partida… o teu peito.
E a verdade é que hoje são 11h30 menos minuto …mais minuto, a cama dela está imutavelmente perfeita e porque o algodão não engana… ela sente que alguém limpou o seu coração e nem um grão de poeira de recordação nele deixou…hoje ele voltou a ser apenas mais um quarto vazio.


Daniela Pereira-28/11/06

terça-feira, novembro 21, 2006

A solidão da carne




Porque tenho que me sentir assim?
Porque não sou apenas só mais uma pedra
no caminho por onde todos passam…
Porque tenho que sentir na carne
todos os passos que me atropelam a alma?
Se os pássaros quando cantam
ouvissem todos os ruídos do mundo
se calhar não perderiam tempo a inventar seus trinados
mas eles conseguem calar tudo à sua volta
para puderem chilrear no silêncio.
Então…Porque tenho eu que ouvir
o barulho de todas as bocas que se fecham para mim
a ranger prolongadamente nos meus ouvidos?
Não podiam fechar-se lentamente
com gestos suaves
como quando a areia escorre por entre dedos mal cerrados…
Tinha que as ouvir fechar!

Porque preciso de palavras densas
repletas de claridade e lucidez
e não me contento
com as que são ditas pelo meio
só para não dizer que chegou o fim.
Nasci no seio de uma maldição
e abri os olhos pela primeira vez
no berço traiçoeiro da sensibilidade
que hoje me afaga
como se fosse uma segunda mãe para mim.
Beija-me o corpo todos os dias…
Fere-me a alma todas as noites…
Ama-me e odeia-me como ninguém
Morro mil vezes por ela
quando o desespero em mim se instala
de malas e bagagem.
Mas no fundo sei
que será sempre com o seu ar doce
a entrar pela minha boca que voltarei a renascer
de olhos inchados e no rosto um sorriso discreto.
Mas porque tenho eu que sentir?
Não podia ser só mais uma pedra na solidão de uma calçada…
Existem tantas por aí perdidas…
Eu seria só mais uma…

Daniela Pereira-21/11/06

segunda-feira, novembro 06, 2006

Será a presa do predador

"Porque este espaço é tão especial para mim...porque sem ele sou como uma pintora sem tela...voltei :)"

Será a presa do predador?

Será que amo menos o silêncio
só porque ele grita estridente na minha noite?
Será que ainda tenho palavras
que o derrubem
como se ele fosse só mais um castelo de cartas
que ergui numa mesa de uma esplanada qualquer
sem sentir o vento
que rugia no meu rosto?
Será que ainda provo um fruto proibido
e não receio cometer um pecado capital
porque da luxúria
já fui escrava sem cativeiro
e agora sou apenas vítima dos sentimentos?

Será?






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Será que ainda grito livremente o grito das mulheres
ou desta garganta só saem gemidos
que um corpo de homem aprisiona?
Pobres destes murmúrios
que não sabem
que estão destinados a morrer
num beijo cortante
roubado à minha boca de papel
quando o coração
se recusar a bater mais por mim.

Então porque se
escondem as tesouras
dos meus dedos irrequietos
só porque os meus lábios
hoje brilham como papéis de prata
e a língua parece pedir
para ser recortada?
Será que ainda não sabem
que já vivo na ponta de uma navalha
sempre que converto
a minha alma
num predador sanguinário do meu corpo…
Será que o mundo está assim tão cego?

Blue- 4 /11/06

domingo, outubro 29, 2006

Um até breve...ou só um adeus..

Porque hoje as palavras não fazem nenhum sentido...não me dizem mais segredos que eu queira desvendar. Porque o sol brilha sempre na mesma direcção e eu desvio-me sempre do seu caminho,talvez mereça esta escuridão que alastra na minha alma.Não sei,talvez...
Porque os sentimentos não são mais uma certeza da razão,deixem-me apenas duvidar do silêncio porque ele aperece incerto e sem nos dar tempo algum instala-se no olhar e cegamos por dentro.O coração é aquele que menos vê quando a cegueira se instala,porque cego confia na eternidade...como se a eternidade pudesse ser soletrada sempre com flores na boca e escrita num manto de céu azul sem nuvens que a apagassem sem nos lembrar que a eternidade será sempre uma miragem.
Matem-me por dentro...rasguem-me o peito em dois pedaços usados porque eu já dei os primeiros golpes e cravei o punhal bem fundo. Amei um pássaro de asas coloridas e esqueci-me de lhe perguntar se ele gostava da segurança desta prisão que fiz nos braços...esqueci-me que ele nasceu para voar de pele em pele em busca da pele mais perfumada..do ninho mais macio que nos seios mais tenros pode esculpir.Mas a inspiração é uma ave que voa demasiado alto para que eu a consiga alcançar só com a solidão dos meus dedos
Agora morro porque a imaginação já não me faz sonhar...por isso adeus ou até breve meus queridos devaneios azuis...

AQUI ESQUECI O MUNDO POR MOMENTOS E SONHEI...MUSE-CAMPO PEQUENO-26/10/06



domingo, outubro 22, 2006

A fera e o cordeiro




O amor é uma fera
que nos devora a alma ate aos ossos
e é no corpo que jazem os seus restos.
Por isso ,só para ti me dispo
oh minha doce escuridão!
Que venham as feras
pelos caminhos de carne batida
porque o sangue quente marcou a tua hora...

blue-22/10/06

sábado, outubro 07, 2006

Carta escrita na areia molhada





Encontra-me depressa, porque sinto-me perdida na memória dos teus passos que o mar bravio não consegue apagar. Vês-me a caminhar na areia em círculos confusos mas não me deixas pedras a marcar o caminho que devo seguir. Por isso ando...e ando por caminhos de ninguém. Por estradas que não me levam a lado nenhum ou então a lugares exaustivamente explorados. Faço o percurso sozinha ou abraçada aos restos de alguém na esperança que esta peregrinação possa fazer algum sentido. Mas o mundo graceja e chama-me louca só porque te amo assim...porque te quero ver feliz mais do que a mim própria e como dizer-te adeus é definitivo demais os “até breve” vão-se alternando com noites mal dormidas.
A areia está fria porque o sol já não a aquece com o seu calor e os búzios da praia calaram a sua voz para me poderem ouvir chorar de mansinho. Repouso por momentos...talvez esteja cansada...talvez queira simplesmente desistir de te procurar em todos os buracos onde te podes esconder. Sinto que deformo a minha natureza quando escavo a alma com as mãos e nada encontro porque há muito que sei que ela é um vazio maior. São frases confusas as que debito aqui....não faz mal cobras-me uma certeza da próxima vez que me vires sorrindo com um botão de rosa sangrando no peito.
Porque eu sangro ...sim porque eu sangro com as flores que se pintam de orvalho vermelho para sentir o pôr do sol e nas lágrimas que escrevo tenho o retrato mais bonito da dor que nenhum pintor nos teus olhos ousou recriar.


Daniela Pereira-07/10/06

sexta-feira, outubro 06, 2006

As sobras do tempo




Hoje sobra-me tempo a mais
para dizer o que sinto
porque as horas
já conhecem os meus gestos de cor e salteado.
Acabaram-se os segredos
que por ti ainda guardava na manga
e todos os coelhos mágicos fugiram da cartola
vencidos pelo cansaço.
Resta-me os aplausos
De um público
Ludibriado por meia dúzia de palavras
Que ficaram esquecidas
E que o vento não soprou.

Então, acho que ficarei calada...
Unirei os meus dedos
E numa irmandade de sangue
Vou costurar os seus corpos
De costas voltadas
Para que não mais tentem segredar.
Talvez o meu silêncio
Possa gritar mais alto
Que todos os gritos
Que nas paredes deixei por engano.

Mete-me raiva este silêncio...
Tão cheio de tranquilidade
E de certezas falsificadas
Em papéis envelhecidos
Com a tinta demasiado desbotada
Para conseguir ler o que neles ainda dizes.
Prefiro não ver a rapidez da tua boca
Fingindo que vejo
O tempo a passar lentamente
Sem saltos bruscos
Nem espaços vazios
Que se prendam ao infinito no meu olhar.
Mas sei que hoje o tempo sobra...
Sobra-me tempo...
Tempo..
para sentir que todas as palavras de orvalho
têm demasiado tempo para murchar
abandonadas numa madrugada de pele e osso.


Daniela Pereira-06/10/06

segunda-feira, outubro 02, 2006

O início de um fim sem tempo para desvios





Espera...pára de respirar por alguns minutos!
Deixa-me respirar por ti
este ar anestesiante que nos cerca
até sentir que o meu corpo
já não reage ao arfar da tua boca.

Olha bem... penetra com os teus olhos na minha pele
Como se o teu olhar
fosse uma lâmina afiada
e não te desvies do relevo do meu desenho
mesmo que encontres montanhas generosas
palpitando no caminho das tuas mãos.
Sabes bem que em breve
elas poderão ser somente vales
por isso não te distraias com tempos mortos
porque aqui deitado junto a mim
cada segundo conta.


Não peças mais...
Não quero mais sentir que os teus braços são pedintes
por isso sem mais palavras
possui o que é teu por direito.
Não esperes mais que os meus lábios
se precipitem perigosamente nos teus
com voos lascivos de desejo
e ganha coragem neste fértil instante
para mergulhares neles
porque este mar vermelho para ti será pura seda.
Substitui as tuas palavras vãs...

Sim...ouviste bem..
Eu disse as tuas palavras vãs!

Por isso
Substitui essas palavras
pelos meus gritos cheios...
As pedras negras que nos separam
por lençóis mais brancos...
O aroma da chuva nos teus dedos
pelo perfume dos meus cabelos.
Tudo o que tu quiseres ter
desde que sintas que eu quero dar.
Só me importa que troques o vazio que hoje sinto
por uma noite de prazer
mesmo sabendo que ela se escreve
com linhas muito incertas
e que o mais certo
é que amanhã na minha cama sejas uma miragem.

Depois arranca-me um beijo bem molhado...
Mas espera, deixa-me respirar primeiro.


Daniela Pereira-01/10/06

sexta-feira, setembro 22, 2006

Curiosamente obsessiva por afectos







Estás à espera de um afecto?

De um abraço caloroso …

Ou de sentir o toque daquelas mãos nos teus cabelos?

Então sonha acordada

porque todos os teus dias são sonhos despedaçados.



Tens a manhã encravada no teu olhar

e o orvalho ainda goteja nos teus olhos

gotas salgadas

que tu queres compulsivamente mais doces

porque os teus lábios

são por mel eternamente viciados.

Então, ouves melodias repetidamente

para preencher o vazio dessa voz adocicada

que não fica o tempo suficiente

para ecoar nos teus ouvidos.

Não suportas mesmo o silêncio

que a sua ausência deixa em teu redor

e a velha música será sempre o teu escape

minha curiosa obsessiva!



Queres a tua janela pintada de azul…

De um azul que faça inveja a um céu de Verão

mas plantas tulipas brancas na tua varanda

só para as veres crescer sem pecado todas as noites.

Julgas que molhando os dedos nas ondas do teu pensamento

podes salpicá-las de mar

mas ainda saberás

qual o perfume desse azul

que no teu peito encerraste apaixonada?



Deixa-me desconfiar das tuas boas intenções…

És generosa demais no carinho que destilas por amor

para eu acreditar

que por ele nunca pecaste…

que dele nada desejas em troca…

quando te vejo assim

debruçada nessa varanda

despida de flores azuis.

Não

estarás tu à espera de um afecto?


Daniela Pereira-22/09/06














 

sábado, setembro 16, 2006

À luz de duas velas quase apagadas...




Não preciso de olhar
quando quero sentir
porque a dor sente-se no peito
e os meus olhos só sabem chorar por ela.

E se os beijos...
Os doces beijos
são sempre dados de olhos fechados
quando a boca dou a outra boca...
quando os sentidos despertam cegos
nesta cama de veludo vermelho
que nos meus lábios faço.
Então...
Para quê olhar?

Porque teimo ainda em sentir de olhos abertos?

Talvez se fechasse este olhar
numa redoma de vidro
e aprisionasse o pensamento
num nó bem dado na cabeça
saberia de cor que a escuridão
será sempre o cenário perfeito para amar
e deixaria de procurar a verdade
à luz de duas velas quase apagadas.

Daniela Pereira-16/09/06