quarta-feira, janeiro 28, 2009

Já não me reconheço nas sombras e nos reflexos...




Queria gritar mais alto que o som...
queria dizer-te que nas minhas veias corre uma dor rubra que é ácida quando me jorra da boca...
E eu grito...e eu grito todas as dores...todas as lágrimas..todas as perguntas que ficaram sem resposta mas o teu eco silencia-me...não o ouço...não vejo a tua voz a cruzar com as andorinhas e eu morro mais um pouco...
Puxo-me para um buraco onde possa fugir da pressão exercida no peito por não te sentir..por não te cheirar os passos nem engolir as curvas do pescoço.
Asfixio o ar que devia respirar com orgulho..danifico os sorrisos com os maxilares cerrados com força...crio rugas na pele e dispo-me de perfumes.Ainda semeio o meu jardim com lágrimas de carne que adubam a terra onde teimosamente nasces e continuas a ser o cravo mais bonito no meu jardim ...
E eu...a mesma pétala perdida de sempre tentando agarrar a esperança no verde das tuas folhas...

Daniela Pereira
Direitos Reservados

segunda-feira, janeiro 26, 2009





Se eu não faço falta ao mundo...leva-me daqui meu Deus!

Se o mundo está cheio de seres surdos e mudos e os meus gritos de dor já não são ouvidos e são descartados como se nada fossem..deixa-me morrer!

Se o amor que sinto dentro de mim não serve se quer para construir elos e carinhos,deixa-me seca a apodrecer a um canto..

Se sirvo para ser flor apenas nas noites mais desertas não me deixes mais despir a alma e segura-me o corpo debaixo de sete palmos de terra...

Se não consigo dizer o que sinto com as palavras...se elas não chegam a quem deviam chegar...esmaga-me os dedos para eles se calarem e deixarem de escrever o meu coração em folhas que nunca deixarão de ser vazios sem calor para dar...

Deixa-me morrer! Se me queres ver a mingar todos os dias porque o corpo doente e fraco não me deixa resistir nem me dá forças para lutar..então baixa-me os braços e leva-me a desistir. Não me faças mais enfrentar esta dor de frente porque ela já é mais forte do que eu..e eu já não a sei combater com as minhas armas.

Leva-me daqui Deus..dá-me um pedaço de alguma coisa que seja só para mim...que eu não tenha mais como perder.

Faz-.me eterna nos gestos..enterra-me bem lá no fundo e esquece-me..

Daniela Pereira

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Leva-me os pedaços e as brisas dos cabelos




Rasgo-me...


Já me cansei de me dar inteira


as brisas que por mim passam...


Corto-me...


Começo pelos pensamentos que trago enrolados na cabeça...

corto-os bem fininhos...

pequena tiras de aço cromado

que nada consegue derrubar...

Desço até ao pescoço

com a faca bem afiada

já suja de sangue..

marco-te com cruzes e corações à beira mar

Recordo-te e paro a olhar para o sinal...

parece que ainda vejo as estrelas a sorrir

e o teu cheiro a espiar-me por debaixo dos meus cabelos...

Afinal foi só ilusão...

Rasgo-me...rasgo-te..rasgo-o a ele e a ela e a todos os outros que não vejo...

Rasgo o vestido e a beleza que me cobria o corpo

com panos pintados de branco

e flores costuradas em rendas transparentes...

Cheira-me a velhas promessas

e a desculpas esfarrapadas espumando no fundo da linha..

Amanhã seria especial...

mas já não há amanhã nas nossas vidas..

Lembro-me da chuva a cair e eu de lhe ter adorado o gosto..

Logo eu que odeio chuva a molhar-me o rosto!

Mas um dia a chuva soube-me a mel na boca

e eu gostei de a ver chorar só para mim

gotas doces e olhares amanteigados...


Corto-me...


Leva lá o meu pedaço..

tu que coleccionas memórias

como se fossem ternos troféus..



Rasgo-me...


Já me cansei de me dar inteira


as brisas que por mim passam...


Daniela Pereira

Direitos Reservados


terça-feira, janeiro 13, 2009

(Des)igualdades informais...





Somos iguais nos nossos corpos mas tão diferentes nos nossos gestos...
Tu és a chama que me afoga...
Eu sou a lágrima que te queima...
Apagas-me o sal desta boca..já amanhã?

Daniela Pereira

quarta-feira, janeiro 07, 2009

As leituras do Corvo




Olá aos amigos do Devaneios...hoje quero deixar aqui as palavras de uma amiga e de uma poetisa talentosa e única no seu recheio de alma e nas cores com que pinta o cinzentismo das suas palavras.
Carla Ribeiro,fez com muita simpatia a critica ao meu livro Afectos Obsessivos que hoje partilho com vocês. A ela deixo o meu orgulho e dedicação ao seu trabalho sempre elaborado com corpo e alma e agradeço o carinho e a força com que sempre acompanhou e acalentou o mundo poético...

No blog "As leituras do Corvo" -

Que melhor livro para inaugurar este novo espaço que a segunda obra da minha amiga poetisa Daniela Pereira!
Nestas páginas de palavras derramadas dos confins do coração, encontram-se todos os sentimentos, fundidos e trabalhados na magia às vezes crua, às vezes temperadíssima de uma pena que quase sangra na beleza de uma poesia que canta a alma.
Ao longo dos escritos da Daniela, fui encontrando sentimentos com que me identificar, palavras que poderiam definir muitos de nós nas experiências que vivemos e nos caminhos e obstáculos que encontramos em cada dia.
É esse o verdadeiro encanto da poesia que preenche este livro. Num mundo onde, tantas vezes, a racionalidade e a indiferença nos obrigam a esconder os sentimentos sobre uma rígida armadura de silêncio e de ferrugem, a voz da Daniela é um hino à emoção e ao sonho que nos habitam.
Todas as pessoas que pensam que o sentimento está ultrapassado deviam ler este livro. E todos que procuram emoção escrita com qualidade e, acima de tudo, com alma, não podem deixar passar a mágica excelência que transborda da voz desta poetisa que canta, com o coração em fogo, os afectos que nos atravessam os dias e a melancolia que nos embala as noites.
Os meus parabéns, Daniela, por mais este livro mágico. Que a tua voz nunca perca a intensidade e a verdade que tens!

Carla Ribeiro in Leituras do Corvo
http://asleiturasdocorvo.blogspot.com/

quinta-feira, janeiro 01, 2009

A imperfeição do verbo amar...




O Amor que eu desejo...

Não desejo um amor simples e estupidamente banal...com datas marcadas para as lágrimas e horas definidas para poder por ele sorrir...

Não desejo aquele Amor que não nos aquece o peito e muito menos nos tira o fôlego ou nos mata com saudades...

Quero aquele amor que não se explica...que não se lê nos livros mas lembra todas as histórias que o romantismo gravava em tempos nas árvores de um jardim com pedras afiadas e corações vermelhos servindo de molduras desajeitadas...

Aquele amor que nos obriga a romper as roupas e a engolir flores por entre os beijos , porque tudo está a mais para além dos nossos corpos..

Aquele amor que ao primeiro toque abre logo uma porta no coração e nos acende uma fogueira que nos queima todo e qualquer frio sentido nos invernos e sentimos que o verão chegou para ficar abraçado para sempre na nossa pele...

Não quero um amor que não entenda porque morro quando não o sinto presente e porque sinto vontade de gritar e de quebrar todos os vidros da janela para acordar todas as lembranças adormecidas...

Não quero um amor que se esqueça do aroma dos meus perfumes e da cor da minha alma..quero mais..quero um amor que invente comigo sombras nas paredes..que invente melodias desafinadas só porque sente vontade de chilrear e os pássaros estão longe de mais para lhe roubarmos os bicos...

Não quero um amor que não me ame por aquilo que eu sou..que não admire as minhas tempestades e olhe para mim com orgulho sempre que saio ilesa de cada uma.. que não sinta vontade de me apertar junto ao peito só para me ver serenar imersa em todas as ondas onde decido mergulhar...

Quero um amor que me faça chorar...que me faça acordar a meio da noite para escrever poesia..para encontrar desesperadamente a palavra que defina o que estou a sentir e que todas as folhas rasgadas sejam sinal que de falhei ao tentar dizê-lo ...

Não quero um amor moldado em silêncios e tempos sem abraçar...não quero um amor prisioneiro, mas também não quero um amor que voe de flor em flor só porque as minhas asas numa noite qualquer não lhe rasaram a cama...

Quero um amor que me deixe dar aquilo que tenho e aquilo que não tenho mas que vou imaginar.. quero um amor que durma comigo nos meus sonhos mesmo quando não está do meu lado...quero um amor sem medo de se doar...sem desculpas para não chegar...sem razões para partir...

Não quero um amor fraco , tecido com linhas finas e ligado por nós infernais que ninguém se preocupa em querer desatar..

Quero um amor atencioso...que corra para o meu coração ao primeiro sinal de cansaço na sua batida..quero um amor que desespere ao ver-me sofrer..que perca a cabeça quando eu o mandar calar...que salte um muro para roubar todas as rosas que encontrar num jardim... que encha um cesto com frutas e alimente a minha fome por entre beijos e sucos apressados num chão pintado a preto e branco.

Quero um amor dos poetas..um amor suícida..um amor drogado por uma overdose de emoções...um amor com ódio por amar demais..um amor sereno nas horas e possuído nos minutos..um amor bebido num segundo mas sem nunca perder o gosto a vintage ..quero um amor que nunca me peça para ser esquecido..quero um amor que me soletre "recorda-me" em cada despedida...

Quero um amor que me enlouqueça....que me faça sentir a mais traquina das crianças e o mais ousado dos diabos...

quero um amor que seja a cor dos meus olhos...o meu braço direito e o esquerdo também...quero o amor que me trepe as pernas em todas as viagens e me estenda uma almofada para depois eu descansar das minhas caminhadas..das nossas caminhadas dadas lado a lado...

Quero um amor impossível..um amor perfeito em todas as suas imperfeições..quero um amor amigo e fiel ás minha desilusões..

Quero um amor assim..mas para além de ti já nada mais quis amar...

Daniela Pereira

Direitos Reservados

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Para vocês um 2009 com poesia e côr....

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Para vocês que me apoiam

quando me sinto sozinha...

para quem amei..

para quem abracei forte...

para quem sabe que vivo de emoções

e as entende...

para quem sente as minhas tempestades

mas que nunca deixa que eu me afogue nelas...

para os amigos que estão perto de mim..

para os amigos

que lembram-se de mim nos momentos

em que mais preciso deles...

para os amigos que não guardam palavras de conforto e sorriem comigo...

para os que já me viram fraquejar mas nunca se

esqueceram que luto sempre por eles

com todas as minhas forças...

para os que amam a minha alma

e me inspiram na poesia...

para os que me viram doente

e me ofereceram

o ombro para chorar e positivismo

para me levantar de todas as quedas...

para os que gostam de mim...

para os que já gostaram..

para os que se sentem felizes

porque eu existo e estou aqui

quando de mim precisam...

para os que se sentem tristes comigo

e não me entendem...

para os que me viram pintar estrelas no tecto..

para os que me fazem chorar com o seu silêncio...

para os que me fazem dar gargalhadas...

para os que cuidaram de mim..

para aqueles que me abandonaram...

para quem feri..

.para quem magoei..

para quem desiludi....

para todos que fazem parte da minha vida...

para aqueles que já se sentiram parte dela...


desejo um Feliz 2009, com saúde, amor , compreensão
e muita paz

Daniela Pereira..Eternamente Blue para os amigos

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Contas-me um final feliz?

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Vou-te escrever um conto..

contar todos os finais que queria tirar da cartola

e varrer todas as gatas borralheiras

que encontrar por aí...

Prender as fadas pelo pescoço

e deixá-las a apodrecer no tecto

com um duende de braços abertos

à espera de lhe apanhar algum resto de magia

que lhes escorra das estrelas que cravaram no nariz...

Vou-te escrever um poema...

com palavras e palavrinhas

e rosas depenadas...

versos a saltar ao pé coxinho

com rimas soltas desafiando os sentidos...

Vou-te escrever uma lista de desejos

impossíveis de alcançar...

mas mesmo assim não vou perder a esperança

do Pai Natal de mim se lembrar...

Deixo-lhe um prato de sopa quentinha debaixo da lareira

e outro com lágrimas minhas a brilhar

e uma carta com uma história triste para contar...

Vou-te escrever...

vou-te escrever..

Espera só a música acabar

de remexer as feridas do meu peito

porque as palavras gostam

de um coração bem suturado...

Onde tudo foi...Era uma vez..

existirá um final feliz por contar?

Daniela Pereira

Direitos Reservados

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Perdeste uma lágrima?

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Não chores..não chores..

Peço aos meus olhos

para perderem as lágrimas..

para secarem completamente a dor no olhar.

Não penses..não penses..

peço à mente

para adormecer os pensamentos

com um sorriso sereno.

Mas há lágrimas pelo chão

e imagens na cabeça

bailando rasteiras

uma melodia infernal.

Não chores mais...

queres o teu sorriso de volta

mas ele ainda não quis voltar para ti...

Prefere as folhas a rodopiar no jardim

e os poemas que jogo ao vento

e escuta-os de boca fechada

para não gritar...

Não chores..

estou cansada de te ver chorar

desse ar triste

que pintas-te no rosto

e que não sai...

estou cansada de tanto esfregar..

Tenho os dedos em sangue

e a língua com carne viva à mostra...

são as palavras que me ferem.

Não quero mais chorar...

Não quero mais chorar..

Maldita dor que não passas..

Maldito amor que me sacodes com força...

Saudade maldita que estás a sentir

por quem já não vem..

Estás presa ao peito..

com nós cegos foste amarrada...

Com laços vermelhos no cabelo

és tu lembrada...


Daniela Pereira

terça-feira, dezembro 02, 2008

Brand New!




Aqui deixo um agradecimento ao Pedro , pela escolha do Livro Afectos Obsessivos no seu mais recente blog :"Brand New".

Um blog de divulgação cultural que dá agora os seus primeiros passos,,novidades de cinema,música, literatura e muito mais

Deixo aqui o convite para visitarem este espaço...

http://novissimas.blogspot.com/2008/11/livros-afectos-obsessivos-de-daniela.html

segunda-feira, novembro 24, 2008

O pedido

Pedes-me paz...
mas eu nunca te dei a guerra.
Não viste a flor branca que me prende o cabelo?
E a pomba que trago aninhada no meu colo...
Foi com penas dela que todas as palavras escrevi.
Mas o mar só me devolveu silêncio
e rochedos que rugiam baixinho
na maré baixa dos meus sonhos.
Fiz barcos de papel
com poesia nas velas...
e a bordo iam lágrimas de saudades
apertadas umas contra às outras...
Pintei estrelas com as poucas cores
que guardei junto ao peito..
Inventei abraços no vazio
que nunca chegavam.
Olhei espelhos
na esperança de ver algum reflexo
esculpido nas sombras...
tão cansada que me senti
da estúpida escuridão.
Pedes-me paz...
mas só me acusas
de me render à guerra...

Daniela Pereira
Direitos Reservados

quinta-feira, novembro 20, 2008

O mal não desejado...

Perguntei...
Achas que te desejo mal?
Respondeu..
Todo o mal que sentes é aquele que me desejaste a mim
Então lembrei os dias em que chorei
por não saber de ti..
Se sorrias acompanhado
ou choravas abandonado sem um abraço
a vestir-te o corpo...
Desejei-te mal?
Que mal se pode desejar a quem se ama?
A todas as saudades sem endereço
nem porta para abrir?
A todas as lágrimas que chorei
cansada por já não encontrar o teu sorriso
que conhecia tão bem como a cor da minha pele...
Que mal posso eu desejar?
A todos os sabores guardados na minha boca
recordando mil e um beijos dados com paixão?
Se eu os tivesse queimado
juntamente com cada pedaço do meu corpo
que já foi teu..
ainda teria a alma para me lembrar de ti.
Não quero que penses em mim disse...
Como se o pensamento fosse um interruptor
que se liga e desliga mediante a amplitude de escuridão que nos assola o rosto...
Como se o pensamento fosse uma folha de papel com palavras escritas a mais...
pedindo para serem apagadas com tinta branca...
Desejas-me mal?
Não..só desejei mal a mim quando lutei por ti...







O meu lado oculto


Se as paredes do meu quarto tivessem sido erguidas com boca e garganta suficientemente forte

para te gritar ao ouvido todas as noites que passei em branco a rezar por ti...
A pedir a Deus que não sentisses frio...que cuidasse de ti..
Se todas as lágrimas com que encharquei a minha almofada não estivessem hoje secas...
Se os meus olhos não estivessem pintados com sombras coloridas para disfarçar a vermelhidão com que me levantei todas as manhãs por ter adormecido sem te ter ao meu lado...
Se visses as horas que passaram na porcaria dos relógios que o tempo não poupa..se visses todas as horas que perdi sorrindo com lembranças do teu cabelo..do teu olhar que me despia em sonhos porque na realidade deixaste-me vestida com um longo vestido preto costurado nas curvas do meu corpo...
Se me tivesses visto perder o apetite por já não conseguir esconder a dor que sentia porque a única fome que tinha era da tua imagem...
As tardes em que corri como louca para o jardim para ficar sozinha entre as flores e sentir-me por momentos de novo bonita rodeada de tanta beleza...porque tu ao ires embora deixaste-me feia
Que mal desejei a ti?Amar-te como amei foi desejar o teu mal?
Sofrer com a tua ausência,foi um feitiço contra ti..sugou-te as forças?
E as minhas forças?Quem as tirou de mim?Quem deixou a minha alma a sangrar e ignorou todo o meu sangue que corria desesperado nas minhas veias tentando chegar até ti?

Daniela Pereira

quarta-feira, novembro 12, 2008

O que distingue o ser humano de uma formiga?



O ser humano perdeu a capacidade de sentir culpa e responsabilidade pelos seus actos...
Numa sociedade em que as relações são descartáveis e fúteis na maioria das vezes, os sentimentos passaram para segundo plano..tornamo-nos canibais dos nossos instintos e desejos e perdemos a capacidade de saborear o que de bom nos é dado,para desejar sempre mais e melhor sem nunca nos sentirmos satisfeitos.
A sociedade só perde o seu egoísmo quando o mal lhe bate à porta e o mal dos outros desprezado for sentido na própria pele...aí todos descobrimos que não somos imortais mas sim humanos...só se aprende a dar algum valor ao sofrimento dos outros quando sofremos...só aprendemos a dar valor ao calor de uma palavra quando precisarmos dela e não a tivermos.
O ser humano ainda não aprendeu que a felicidade é um estado temporário e não é um bem adquirido...só seremos realmente felizes quando conseguirmos olhar para dentro de nós sem um único remorso...sem um único pensamento por expressar..quando todos os sentimentos forem livremente partilhados..quando a vergonha de dizer que sentimos..que sofremos..que sorrimos..que amamos ..quando essa vergonha de admitir que erramos..que somos frágeis mesmo aparentando ser fortes..quando essa vergonha for uma miragem o ser humano será um ser completo
Hoje nada mais somos do que formigas num carreiro, seguindo religiosamente o caminho que outros traçaram antes de nós..sem coragem para fazer um desvio.

Esta é uma imagem de desilusão..é mesmo um grito sentido de desilusão.
É perceber que não vale a pena sentir ou dizer o que se sente, porque já não existe tempo para ouvir as palavras dos outros...
É sentir que engolir uma dor é mais proveitoso para o mundo do que a libertarmos,porque corremos o risco de sermos acusados até por sofrer.
O mundo está a tornar-se frio,incrivelmente egoísta...nós estamos sempre primeiro que a pessoa ao lado,pode-se abandonar,destruir,ferir que tudo é permitido porque o fazemos para ficar bem mesmo que o outro não fique...
Se isto não é egoísmo,então já não conheço a definição dessa palavra...
Sem querer ser fria, porque acho que nunca o conseguirei ser..este é um grito para ser libertado.."O mundo está a tornar-se egoísta e insensível..está a perder a capacidade de sentir calor nos pequenos gestos que recebe todos os dias..um dia não haverá braços com vontade de abraçar..nem sorrisos preocupados com uma lágrima..um dia seremos como as pedras..imutáveis ,frios e distantes"

Assinado:

O desabafo de quem sente que já de nada vale sentir...

terça-feira, novembro 11, 2008

Aguaceiros




Cai chuva lá fora...
são aguaceiros a rasgar o frio de Inverno.
Chove mais aqui dentro
são tempestades à solta
que pendem dos meus olhos.
É fria a gota que me beija a boca...
é de gelo o vestido que enverga
e quando dança no meu rosto
o meu coração congela.
Chove...
é chuva aquilo que cai lá fora?
A chuva pesa tanto ao cair?
Quase que juro
que a cada gota que se perde no chão
há um buraco que se abre debaixo dos meus pés
e se prolonga até às profundezas do inferno.
Quase que juro..
que as gotas se desfazem em fumo
quando se enroscam na minha pele.
Chove mais aqui dentro
são nuvens negras a sorrir
e com cara feia
encharcam-me o pensamento
com chuva ácida..
Porque chove mais aqui dentro
do que os aguaceiros que caem lá fora?
Serei eu um pedaço de nuvem
que alguém esqueceu de erguer até ao céu
e me deixou eternamente presa às raízes que brotam na terra?
Será o meu corpo..
água fresca para carpir?
Chove tanto cá dentro..
por favor tragam um arco-íris para junto de mim!

Daniela Pereira
Direitos Reservados

quarta-feira, novembro 05, 2008

Liberdade nos dedos e cinzas na garganta...

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Não queria este olhar triste que de mim irrompe...

Queria rasgar as estrelas

com a mesma garra com que sempre as devorei nos meus olhos...

Lembrar-me de ti é lembrar-me do sorriso mais puro que perdi...

dos gestos tão verdadeiros que do meu corpo brotavam

a cada olhar teu que cruzava com o meu...

Subia o teu corpo e o céu era mesmo ali

debaixo do teu peito..

nas curvas do teu pescoço

e o sol dormia na tua boca

quando a enchia de beijos a ferver.

Será que ainda vês a lua

quando elevas os teus olhos na direcção do tecto?

Estará ela ainda suspensa no telhado...

ou já a fizeste em pedaços

para iluminar a escuridão no teu quarto?

A lua a mim já não me visita ...

acho que perdi a varinha de condão

no dia em que te foste embora...

parti-a no chão...

só ficaram vidros coloridos

e pozinhos de estrelas a encharcar-me o chão...

Até a folha de papel entristeceu as palavras

com a tua ausência

e o vento que as levava até ti

deixou de soprar..

Está deserto o meu olhar..

vazio e sem rumo

Perdeu o Norte..

desconfia do Sul

e tropeça sempre que caminha para Oeste...

a Este nada encontra..

Se as lágrimas fossem uma certeza do que sinto...

já teria um mar bem profundo

para navegar ou para ficar simplesmente à deriva

esperando que um dia me encontres

nas tuas viagens ao centro da tua alma.

Já teria rompido o ar com gritos e gritos

até explodir os pulmões do teu silêncio

para fazer uma vela com os restos do teu fôlego..

Amarga é a saudade solitária

sem braços que a aguardem ansiosos...

sem ombros para descansar de longas caminhadas no vazio...

Triste é esta saudade que dança nos meus olhos

perdida sem ti...

Raios partam estas lágrimas que não param de cair

sempre que me surges no pensamento

vestido de mil luzes e despido de outras tantas sombras!

Falta-me o ar e estas malditas lágrimas só me sufocam..

Dizes que és passado?

Então porque te sinto ainda tão presente dentro de mim?

Fugiste do meu mundo?

Então porque é que o meu mundo não dá nem um passo em frente

se tu não estiveres por perto

para me segurar quando sinto que estou a cair...?

E se tu cais?

Porque sinto que preciso de te erguer de todos os buracos

e de aquecer todos os frios que nascem em ti?

Eu estou no chão...de olhos pregados a todas as pedras da calçada...

com gelo a correr-me nas veias e mares a rebentarem-me as costelas.

São ossos...o que vou cuspindo da boca para fora

de tanto embater com o corpo contra às pedras.

É a minha carne que queimo todos os dias na escuridão

só para não me habituar demasiado à noite...

É o meu coração que bate forte ..tão forte mas sem ninguém o ouvir...

É o meu peito que recorda o aroma dos teus cabelos

quando dormes...

e se cheira uma flor

logo ali me diz que o perfume das flores é uma grande mentira...

É a minha voz que esconde o teu nome de anjo

atrás da língua com medo que a ouças a chamar por ti...

Não queria este olhar triste e banal

com erros passados pesando nos olhos

e das palavras convertidas em memórias sem futuro

não queria sentir nem um traço...

Raios partam o vermelho dos cravos e

o amarelo dos girassóis..

e o chilrear dos passarinhos

e os peixes nos anzóis...

Hoje a minha liberdade é cinza

os girassóis só me mostram onde se escondeu a lua

os pássaros irritam-me os ouvidos

e os peixes ...

esses ..

têm demasiadas espinhas

para deslizarem suavemente na minha garganta...


Daniela Pereira

Direitos reservados

segunda-feira, outubro 27, 2008

Para o vazio mastigar




Abro os olhos e engulo a seco o meu respirar...

Tenho o olhar distante e não viajo

por entre curvas e contracurvas

porque a minha mente vai mais longe

e não deixa marcas no caminho..

Silenciosa no chegar

põe o asfalto em brasa ao partir...

Vejo flores espalmadas nas nuvens

e o céu tem aroma a violetas

quando chove em mim...

Respiro...dispo o pouco que tenho de meu

e entrego-me a uma nudez interior

para que me soprem as chagas e o sangue seque mais depressa...

Cortei o cabelo e os ombros agora têm frio de manhã

e sem as negras ondas a aquecerem-lhe a carne

estão pálidos...chega de timidez dizem aos braços caídos...

Erguam-se e façam castelos no ar

porque os que fizeram na areia

há muito que viraram poeira!

Respiro...

Tenho saudades de sonhar com o mesmo abraço
sem ter que pensar porque é que estes braços não são teus..

Olho para os joelhos

encaixados nos ossos das pernas

e sinto-me estranha...

porque se elevam assim

duros como aços?

Não deviam ajoelhar

e abençoar todos os que passaram no meu chão?

Trago água benta nos dedos

para amaldiçoar todas as minhas tentações

mas tenho alma de anjo rebelde

que renunciou ao Paraíso

só para contrariar a linhagem dos frutos do pecado..
.

Engulo em seco o meu respirar..

já não tenho mais água nos olhos

e o meu rosto é só mais um deserto para o vazio mastigar...



Daniela Pereira

Direitos Reservados

quarta-feira, outubro 08, 2008

Daquele pouco que me faz sofrer tanto...



Hoje que não te tenho mais ao meu lado..
não te adoro ...eu simplesmente ainda te amo...
Amo-te até às lágrimas
porque os sorrisos já me parecem curtos demais
para levarem a minha boca até ti..
Os teus beijos secaram nos meus lábios pingados..
não resta mel nos dedos para lamber
não me dás mais flores para embelezar os meus dias..
mas também nunca me deste uma rosa..
nem uma pétala cheirei nas tuas mãos.
Entregavas-te deserto e eu era a água que matava a tua sede...
eram cactos que plantavas na minha pele
mas eu amava cada gota de sangue
que da minha carne arrancavas com o teu corpo..
Sentia-me viva quando sorria á tua espera...
sentia-me imortal quando chorava
porque o meu coração por ti batia
e tu não chegavas
mas sabia que vinhas a caminho...
Hoje choro porque não ouço mais os teus passos
trepando o chão na minha direcção
Sinto-me morta por dentro..
porque afinal sou mortal...
porque tenho palavras na minha cabeça
que parecem que nunca vão acabar
mas para ti já nada dizem...
porque adormeço com uma pedra contra o peito
que todas as noites o meu coração esmaga mais um pouco..
Já sinto raiva de te amar tanto assim..
já me sinto louca...
sinto que ao saíres da minha vida
viras-te o meu corpo do avesso
e eu nunca mais encontrei a minha forma...
Estou trocada...
troquei as ideias pelos vazios..
troquei as pernas pelo cansaço..
troquei o sol pela lua..
troquei os sonhos pela asfixia..
Estou trocada...
remendada ás pressas..
cortada às tiras
para ser agora devorada ás postas na escuridão.
Perdi uma parte da alma
porque dividi toda a doçura para o teu lado
e fiquei reduzida a fel...
Hoje já não te amo tanto..
amo-te mais um pouco...
mais um pouco...
daquele pouco que para ti eu era
e que para mim só esse pouco
já me faz sofrer tanto...

Daniela Pereira
Direitos Reservados

sexta-feira, setembro 26, 2008

Reflexo em vão



Engoles-me a alma e pregas-me o corpo à parede?
Deixas-me descoberta...como um vulto que se prolonga numa sombra sem fim anunciado.
Mentes...só o teu reflexo fala a verdade por ti...



Foto e texto por Daniela Pereira

quinta-feira, setembro 04, 2008

Suposições nocturnas...




Cala-me os sons da noite
porque só a tua respiração me importa ouvir...
Prende-me as luzes do quarto
que trago soltas no meu cabelo
e afaga-me delicadamente a pele
até me sentires apagada nos teus braços...
Existe um perfume no ar
e o meu corpo é uma maçã verde
que suculenta vai-se desfazendo na tua boca
e nos teus dedos
já se faz em pedaços...
Quero Vinho do Porto a regar-me o umbigo
e ser um cálice pronto a partir
ao primeiro toque
Quero lamber-te a pele
com a boca molhada
e a língua enrolada em puras brasas
mas sem te queimar o sangue
e só chamuscar-te de mansinho...
Quero beijos no pescoço
dados sem pressa
e sem destino nenhum
quero ver-te a percorrer-me as pernas
com as mãos pingando desejo
e os olhos aprisionados junto aos meus seios...
Podes fugir com a boca inquieta
e escalar-me o corpo com carinho
porque tens montanhas em êxtase
à espera de sentir a terra tremer...
Não me apetecem sombras nas paredes...
todos os objectos neste quarto
estão deformados no meu olhar
e eu só quero a tua sombra sobre mim
a esconder-me as curvas
entre vagas com uma ondulação vigorosa...


Murmuras baixinho
quando te desenterro a alma
com as pernas arqueadas
e voamos juntos
de asas abraçadas
deixando no chão do quarto
segredos sussurrados e marcas de prazer...

Daniela Pereira
Direitos Reservados

segunda-feira, agosto 25, 2008

Nas Águas do Verso


No cantinho do Devaneios aqui vos deixo uma boa nova...a minha participação numa colectânea de poesia que já se encontra disponível. O livro "Nas águas do Verso"... escrito a 100 mãos com muita alma..sorrisos e sal...
Aqui deixo o meu agradecimento ao João Ferreira e ao Pedro Lopes por fazer parte deste projecto de partilha das palavras de um mundo onde a poesia é um rio de sentimentos puros e transparentes...


Nas Águas do Verso é uma colectânea poética idealizada e coordenada por João Filipe Ferreira e Pedro Lopes.
Nesta obra é possível encontrar textos poéticos de 100 autores tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo.
Uma obra onde cada poeta expressa livremente as suas palavras, as suas emoções, visões e estados de espírito.
Em Nas Águas do Verso o leitor poderá navegar calmamente na beleza da poesia e da prosa poética, sem nunca perder o rumo, sem nunca se afogar nas palavras.
Com muito prazer, os autores oferecem-lhe esta obra que consideram ser tremendamente rica em poesia.
Sejam bem-vindos ao barco poético e uma vez nele, desfrutem da beleza das Águas do Verso.




Titulo: Nas Águas do Verso
Subtítulo: 100 Autores - 100 Poemas
Editor: Edições Ecopy
Colecção: Poetas Contemporâneos
Ano de Edição: 2008
N.º de páginas: 128
ISBN: 9789898080684
EAN: 9789898080684
Dimensões: 20,5 x 14,0 cm

Um livro fantástico, com textos de 100 pessoas tão diferentes que se unem para criar uma obra de imenso valor... Recomendado a quem aprecia a arte de ler e a magia das palavras...

Onde comprar:

Editora Ecopy
ecopy@macalfa.pt

Livraria Leitura (Porto)
http://www.livrarialeitura.pt
Rua de Ceuta, Nº 88
Telefone 222 076 200

Livraria Byblos (Lisboa)
http://www.byblos.pt/
Rua Carlos Alberto Mota 17 Edíficio Amoreiras Square
1070-313 LISBOA

Bulhosa Books & Living
Galeria Comercial das Amoreiras ( e restantes Livrarias Bulhosa)
Av. Engenheiro Duarte Pacheco, s/n Loja 1129
1170-103 Lisboa
http://www.bulhosa.pt/