domingo, julho 26, 2009

No teu encontro existe um Eu estranho...





quando a alma transborda...

No teu encontro..entre os espelhos e os canaviais da mente existe um Eu tão estranho para mim...
Tens o meu rosto, mas não és igual ao meu pensamento...tens fagulhas nos olhos e cinzas ruivas por apagar...
És a minha gema ao contrário...mas eu sou mais clara por dentro do que a galinha dos ovos de ouro que te habita os gestos...
Burros são os trapos que já foram vícios luxuosos mas baixaram as costuras só para que os visses com a cara em farrapos e por isso rasgaram a seda que traziam no pescoço...
Toco-te... prevejo tudo o que não vejo mas sinto..
Bola de cristal adormecida que o destino deu guarida só para adivinhar o teu futuro e tu foges para trás?
Sei que tens a mão do outro lado...no infinito e nas três dimensões onde foste feliz...
Queima a tua transparência quando voas com chamas na boca...lavei os ventos e as poeiras

Daniela Pereira
Direitos Reservados

sábado, julho 11, 2009

A escuridão também sonha com estrelas..




Foto da autoria de Daniela Pereira
(c) Direitos Reservados

"Não é permitida a sua reprodução sem autorização prévia da autora"


Fecho os olhos...por pouco via a lua nos meus olhos..bastava-me estender-lhe a mão.
De prata era o teu luar..de ouro a tua melodia...
Tenho uma teia presa aos meus cabelos de tanto unir pontas e nós no mesmo espaço de terra ...e poeira nos ouvidos que o silêncio cimentou numa só tecla tocada...
E o amor é um ponto de fuga para onde todos fogem com ilusões pintadas no olhar sempre de veias acesas e um coração por velar..
E matam-se as paixões com almofadas brancas que lhes abafam os gritos e renascem as escuridões e o luar fica à espera que o céu alise as pestanas para puder de novo deslizar na pele dos amantes e fazer-lhes um filho...
Boca seca...coração molhado..malmequeres sentados nas cadeiras e tulipas negras que te comem o pé da mesa...
Caracois no peito a rastejar e asas nas costas ..és um pássaro de fogo..fénix a festejar
Olhos abertos..coração parado no meio da sala..braços estendidos dançando num chão com todos os passos dados à volta do tapete..és uma borboleta com cores espalhadas no rosto...há flores no meu jardim e elas sonham
Fecho os olhos..por pouco era apenas Mulher...abro os olhos..ainda sou pedra de olhos posto na água que no rio é sempre tão doce...

Daniela Pereira
Direitos reservados

sexta-feira, julho 03, 2009

Liberdade denunciada




Cansa-me a incerteza dos poetas na doação ao mundo...
Os dedos por onde escorrem corações enlameados e outros tantos cobertos de laços e de promessas com calda de açúcar...
Se eles tivessem um punhal seria para cortar as veias ou as margaridas rasteiras no campo logo pela manhã...
São eternamente descobridores que não darão novos mundos ao mundo..apenas o olharão de forma diferente descobrindo-lhe os jeitos e os trejeitos com ganas de saber.
Cansa-me a irmandade dos Deuses e dos Anjos...sempre abraçados aos sonhos de alguém sentindo que os sonhos dos mortais serão sempre inferiores aos seus. E nós que queremos ser apenas perfeitos, porque as imperfeições condenam os desperdícios daquilo que falta sempre... suspiramos de mais..nós os que pertencemos à raça dos poetas! Imploramos até ao vento que passe que leve a brisa para outra direcção quando ela golpeia vendavais... esquecendo de pedir licença até para voar.
JUlgamos-nos livres de asas nas canetas com o peito a soletrar baixinho aquilo que não conseguimos dizer alto com medo que metade do mundo nos julgue almas amargas. E então lembramos amores e os aromas dos rosmaninhos como se cheirassem ao mesmo e ficamos podres quando a pele que se deita ao nosso lado teima em cheirar a papoilas...que injustiça. Dá vontade de esfregar a pele até lhe ver os ossos e apertar com força a medula para ver se ainda temos algo nosso para doar.
Cansa-me a incerteza dos poetas na doação ao mundo...
Por vezes parece que nos estendem esmolas..outras vezes parece que o mundo nos cobre de ouro e somos mesmo ricos. Ricos na dor sentida...ricos nas paixões incendiadas..ricos no amor carpido..ricos nas despedidas inesperadas...tão ricos e tantas vezes apenas nos sentimos sós. Às vezes só queria poder andar de alma rasgada pelas ruas ...sem ninguém a olhar...livre das minhas poeiras ..

Daniela Pereira in Liberdade denunciada
Direitos reservados

segunda-feira, junho 29, 2009

Alfabetizar....


Foto por Daniela Pereira
http://olhares.aeiou.pt/estranha_forma_de_vida_foto2877585.html



Planificar...fazer um plano partindo de um nada não realizado. Realizar uma ideia...esboçar traços num paralelo que nunca se cruza com a mesma curva mas que ergue pedras no desejo de construir muralhas.
Construir..acto de desmoralizar o caos tornando-o em algo indiscreto mas perceptível ao olhar mais competente mesmo cercado de sombras e de certezas não registadas.
Sonhar... inventar uma história sem pés nem cabeça acreditando que as personagens sorriem porque te acham graça e não porque te acham ridículo. Ridicularizar.. fingir que és perfeito e que as tuas imperfeições não importam no peso de uma balança. Equilibrar prós e contras disfarçando o desprezado com corações cor de rosa esculpidos numa árvore sem ramos..
Reacção..acto de ser emotivo perante uma acção animal e estranha às tuas rotinas. Deslocar a poeira debaixo do tapete para ver se existe pó no teu passado escovado debaixo da tua cama. Cabelos de ouro arrancados onde existiam caracóis negros caídos ...
Imortalizar... encontrar uma forma de não esmagar um sonho, imaginando que foi pura realidade contra todas as anotações que anunciam a morte do que nunca existiu...
Inteligência...propriedade
dos que julgam que todos os outros são apenas mais um conjunto de parvos iguais a todos os parvos que inteligentemente conquistam...O problema é quando os parvos percebem que o são e interrogam a inteligência sobre o rótulo que lhes pregou no peito e o arrancam à força procurando os miolos que estavam desactivados quando o corpo apagou..
Crédulo..aquele que acredita sem contestar que o céu é azul porque as nuvens chovem no terreiro dos outros..aquele que faz dos sentimentos um cavalo de batalha sempre com uma pomba da paz a vigiar ao longe a sua caminhada e não vê que existe sempre um caçador ao pé de si...
Maresia... a brisa que nos recorda das madrugadas e do perfume das ondas do mar sentidos num acaso..por acaso e sem acaso algum se desvanece...

Daniela Pereira in Alfabeto dos que nunca aprenderam a ler...
Direitos reservados





quinta-feira, junho 25, 2009

A menina dos olhos de água ...





A menina dos olhos de água que trazia peixes no olhar afogou-se de peito aberto..
jurando que nem com a alma coberta de sal deixaria de ser doce
e chorou com o coração a transbordar de mel grosso..

Daniela Pereira
Direitos Reservados

domingo, junho 21, 2009

Diário do que nunca escrevi em ti...


Foto pela a autora Daniela Pereira

É quase meia noite...a hora dos pardos e dos murmúrios inacabados.
Hoje escrevo apenas para a minha escuridão...mas sei que uma luz vigia-me..ténue e fraca ensonada com medo de me ver cegar quando cerro os olhos aparentando já algum cansaço em demasia...
Mas nenhum sonho me derruba sem que eu me liberte de todas as minhas fantasias...e os pobres dos pesadelos ficam em lista de espera, esperando o meu adormecer sossegados.
Faço tranças no cabelo para recuperar alguma da minha inocência....saudosa da minha doce escravatura... Talvez não saibas, mas o monstro aqui um dia já foi criança ingénua ao pé de ti...
Lembro-me de ti e choro...talvez chore porque já te esqueces-te ou talvez soluce apenas porque há muito tempo atrás eu nunca te conheci...
Recordo com precisão de todos os recantos em que te beijei e todo o amor sentido que deixei espalhado com as tuas roupas, só pela pressa de te amar antes de não te ter aqui...no mesmo espaço desocupado em mim onde já não te tenho..
Afirmo com toda a determinação que os lençóis da tua cama eram sempre brancos e que a colcha que nos cobria no Inverno respirava em japonês e via filmes eróticos legendados a preto e branco para disfarçar o vermelho que lhe corria nas veias...tudo para não estragar o nosso cenário romântico.
Reconheço o aroma a rosas das velas que guardavas religiosamente no fundo de uma gaveta e todas as músicas que esperavam por nós em cima da mesinha de cabeceira..
E lembro-te até...fiel à estupidez que existe em todas as memórias desconexas...e lembro-me até daquela dança...daquela valsa abraçada com a tua roupa no meu corpo, despida do resto do mundo guiada só por ti...ali perdi a razão com gosto na melodia dos teus passos.
Tinhas uma lua cheia pendurada no tecto e todas as noites tenho que confessar que sentia uma vontade irresistível de a roubar só para mim para te deixar nu de toda a escuridão e sorria matreira enquanto respiravas ronronante.
Nunca vi o sol nascer no teu quarto, porque não me lembro de alguma vez ter adormecido quando desejava apenas ver-te a sonhar....Era mais feliz acordada, desperta de qualquer tentativa de encontrar um ponto fraco naquela ilusão e depois era ver-me a amar de olhos abertos pela noite fora...
Já corri descalça no teu chão depois de refrescar o corpo na tua banheira..Repara que digo sempre "tua" porque nada neste espaço foi um dia também um pouco meu...passar ali rasando perfume no corredor não te mudou os cheiros entranhados no design das paredes.
Tinhas umas lareira na sala, que por acaso nunca vi acesa...mas nunca senti gelar uma só emoção mesmo sem as labaredas crispando na tua fogueira... .
Fugia do frio calcando ligeira o negro do tapete e pulava para o teu leito feito sempre à
tua medida..
Partias e repartias livros e construções projectadas com o pó instalado nas prateleiras...Candeeiros à solta e outros tantos suspensos por um fio ou enroscados em teias complexas que não os deixavam cair ao chão... num equilíbrio perfeito, todos ficavam desejosos de iluminar a tua fácil solidão.
Tinhas gosto a tabaco e a todas as guloseimas que durante a tarde engolias..confundias-me os sentidos quando me beijavas com tantos sabores encruados na língua .
E os teus quadros? Tinhas quadros traçados por ti a exaltar a cor das paredes com amores passados que se exibiam em poses sensuais lembrando instantes onde o teu chão foi um enorme colchão de água...
No teu quarto nada te era familiar..apenas molduras sem rosto esperavam que um dia lhes devolvesses alguma alma e ficavam a olhar insistentemente para ti à espera que ainda as reconheças depois de despejadas das muralhas do teu castelo encantado.
Na sala tinhas ainda um sofá branco onde cavalgavas em mim quando o teu corpo adivinhava para onde queria ir o balanço do meu...e ali descansavas as tristezas e saciavas a tua fome por entre montanhas arrepiadas molhadas pela tua boca...
E trocávamos carícias só por trocar..porque era bom ter o que partilhar e um dia prometemos que nada ficaríamos a dever um ao outro porque teríamos sempre algo para dar...e os meus olhos brilhavam quando te sentiam numa cumplicidade que sussurrava perto de mim e afinal..afinal desconfiavas de todas as promessas com pensamentos que iam para longe...
Conhecia-te as curvas do pescoço..o peso das tuas mãos afundadas na minha carne e enterradas bem fundo na minha alma..adivinhava porém quando ias soltar aquele sorriso oblíquo e até a pele das tuas orelhas sabia ser presa a cativar por mim...
Por uma suposta curiosidade na tua cozinha não havia pão quente pela manhã...
A madrugada era quem nos alimentava sempre que nos ouvia os gemidos e as noites foram sempre acolhedoras para contarmos as horas com paixão...
Por vezes quando o silêncio se fazia sentir entre nós...eu erguia os dedos no ar como nas carteiras da escola e desenhava-te no vazio preenchendo-te pedaço por pedaço na união do meu olhar...depois repetia-te gulosa já nos teus braços e com toda a minha escrita amarga e doce fluías em mim como se fosses o meu mais rico poema...

Tristes são as memórias que já não faz sentido rever...porque sabemos que hoje florescem sem o calor das mãos que outrora as afagavam para que elas se pudessem fechar encontradas.

Felizes são os espinhos que nada têm a temer das feridas que consentem...

Olho para o relógio e as horas pardas ainda cá estão..são meia noite e meia eu com tanto ainda para dizer. Desculpa, mas ouço uma voz dentro de mim que me grita a medo vinda de algum canto virado do avesso... "Para ti poetisa, acabaram-se as folhas em branco e o coração a bater...adormece mais linda e segura porque não há mais nada para o teu pensamento decorar...porque tu já conheces esta história de cor...

The End is now..

Daniela Pereira in "Musas para trás das costas"...
Direitos Reservados

quarta-feira, junho 17, 2009

Drop

Porque o amor só pode ser simples para quem simplesmente nunca se atreveu a amar...
Todo o sorriso que morre tem que renascer da última lágrima até que o nosso rio chegue a um fim...
Porque o amor só pode ser chuva quando refresca e sol quando nos aquece...mas de pouco serve se numa tempestade não fizer dos braços um guarda-chuva para nos abrigar e se dos girassois desfolhados não guardar uma única semente...
Toda a magia se extingue quando o olhar desconhece o que era uma sombra de nós próprios de tanto a vermos ao espelho...depois sopramos o pó que ficou nas lembranças e nas marcas que ainda te parecem querer perfumar a pele... Trocamos de rosto...vincamos decisões e explicações sem nada saber para além de uma carne que sabe a vinho do Porto envelhecido....ironicamente sentimos que estamos mais sóbrios do que nunca e mergulhamos no desconhecido outra vez cheios de coragem...

* my sweet child

Daniela Pereira
Direitos Reservados

domingo, junho 07, 2009

Das pedras do teu chão fiz-te um caminho...





Caminhou...caminhou decidida a ir lado nenhum...
Partiu à procura de nada, certa que só assim o "tudo" a encontraria...reconhecendo-a pelo vazio que levava bordado junto ao peito.
Pensou que o Sol poderia ser o pote de ouro que em sonhos os duendes lhe falavam...e esqueceu as estrelas inventadas sorrindo para as cascatas...
E se todas as aves fossem douradas?
Mataria a fome de todos os corações pobres com penas e ouro...
Mas se as aves do paraíso fossem mortas...não ficariam mais tristes os jardins?
Porque não pintá-las de azul e pedir-lhes que o mar se acalme outra vez?
Vingamos o tom que nos foi roubado e exigimos de todas as pedras do chão um rigoroso silêncio...Não haverá uma segunda oportunidade para aquele grito em vão...
Fez círculos na parede... mas o maior apesar de ser de linha fina não se fez rogado e engoliu todos os pequenos só porque pesavam toneladas nas cores sóbrias da parede....
Comem-se uns aos outros...assim como se devoram as Mulheres quando um Homem se sente mais só...
Partimos à procura de "tudo" com os olhos cheios de um nada esperançados que o amanhã nos erga das memórias célebres taças...
Existem vitórias que sabem a pão caseiro e vinho branco em cima da mesa...
Existem derrotas que cheiram a tabaco e a sofás de pernas curtas...
Mas caminhou com o horizonte queimando-lhes as entranhas...sentindo as rugas que lhe apertavam o pescoço e as mãos amputadas que ainda lhe percorriam o corpo à procura de carne para trincar...
E os olhos já não tinham espaço para o rio que caminhava junto dela...o tempo parecia parar sempre que ela sorria...
Convencido que aquele sorriso não ia durar para sempre apenas por ela o futuro chorava...

Daniela Pereira in " Poeticamente falando do corpo para não prosear a alma"
Direitos Reservados

terça-feira, maio 26, 2009

pequeno...ALMOÇO





Doi-me o céu do meu corpo e alimentá-lo a estrelas cadentes já me enjoa...
Doi-me o jardim da minha alma e plantá-lo com nespereiras já não me mata a fome...
Sinto os sonhos a vomitarem por mim mesmo de estômago vazio..este chá arranha-me a garganta mas não sais para fora nem com um impulso vesicular...chove-me o coração por dentro em gotas de chumbo grosso.
Um analgésico para as dores, porque o corpo precisa!
Um analgésico para a alma porque desconfias da inteligência que te bate à porta e te diz..."cuida de ti" e loucos são os outros de quem sempre quiseste cuidar e hoje te chamam assim sem pensar em ti....
Doi-me a palavra que não disse com bolachas e chocolates a entupirem-me a boca...
Doi-me a palavra que disse com chá de limão na língua...
Doi-me a frase que deixei sair polvilhada a sal...
Soro açucarado para as veias porque o teu corpo desidratou...
Não há um soro açucarado para espetar em cheio no coração quando o dia amarga?....

Daniela Pereira in "Resíduos vesiculares"
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foto na galeria olhares: http://olhares.aeiou.pt/pequenoalmoco_foto2796643.html

segunda-feira, maio 25, 2009

Pintas com morangos...

Foste semeada à beira mar... para que as ondas alimentassem o teu corpo e os búzios gravassem os teus gritos de semente a germinar...
Mas foi o mar que comeu o teu corpo só porque sabias a sal e todos os peixes se sentiam em casa arpoados na tua boca...
Valeu a pena nasceres de pé nu na areia e com a cabeça voltada para a lua?
És fruta verde quando te dás a trincar apaixonada...só no chão reconheces que ainda não estás madura e choras a pele que te foi arrancada com todos os segredos que deixaste fugir por entre os dedos molhados...A lua elogiou as tuas fantasias e no luar escreveu-te a alma num só poema mas rasgou-te o coração num mil folhas a desgosto...
Valeu a pena nasceres despida de silêncios e de beijos sem sumo?
Laranja ou limão?
Pau ou pedra?
Cresci com raízes enterradas numa folha de papel perfumada amando loucamente cada rasgo que trago dentro de mim...







Valeu a pena as lágrimas e a perdição...
Valeu a pena fazer um filme com o Eduardo mãos de tesoura a recortar o céu só para mim ...
Valeu a pena viajar por mares desconhecidos com um Pirata das Caraíbas que respirava mistérios pela boca...
Valeu a pena ser a Bela Adormecida à espera "daquele" lobo encantador ao acordar...
Hoje sou a bruxa má de todos os filmes...que bela ironia

És fruta verde quando te dás a trincar apaixonada...
Laranja ou limão na tinta com que escreves a tua história?
Deixa lá...
Pintas com morangos e velas acesas...



Daniela Pereira
Direitos Reservados

domingo, maio 17, 2009

Asa e meia..borboleta...





Asa e meia borboleta..só precisas de asa e meia para voar...
Levas o arco-íris mais que perfeito na tua pele de seda e o sol até cora ao ver-te passar...
Sobrevoas a lixeira dos outros e lanças perfume em todos os restos esquecidos...
A noite adora ver-te sonhar livremente e louca quando danças ao som do luar rasgando palavras de fogo no horizonte...Que louca és borboleta quando atiras o teu coração pela boca e ficas a vê-lo suplicar o teu amor...
Asa e meia borboleta..só precisas de asa e meia para voar...
Amas os lírios com a mesma intensidade que amas qualquer folha caída que vês no chão...
Amas o mar que te amedronta e mesmo assim não deixas de o amar...Que destemida és borboleta que voas com espumas passadas enroladas no teu corpo...
Que orgulho sinto de ti borboleta porque és diferente das borboletas que vejo partir rancorosas...tu apenas chegas fiel e doce e ficas eternamente fundida nas pétalas de um qualquer jardim de flores de aço...
Tens mel no coração e não tens vergonha de dizer que te falta o fôlego para o próximo voo porque tens medo de voltar a cair amarga..
Asa e meia borboleta..só precisas de asa e meia e de uma alma remendada para voltar a sonhar...
Se te esmagarem o corpo sabes que a tua alma voará por ti...
Asa e meia borboleta..asa e meia...

Daniela Pereira
Direitos Reservados

quarta-feira, maio 13, 2009

no words

Triste...definição de tristeza não possuo e mesmo assim sinto-a em mim....
A ausência de sentimentos é uma mentira que nunca devia ser pronunciada por nenhuma alma..definição de vazio..acreditar que não sentimos nada dentro de nós...definição de mentira...acabei de a dar,porque até vazia de um alguém esse alguém nunca deixa de existir no meu sentir...verdade

segunda-feira, maio 04, 2009

Heart sound





É música para os meus ouvidos tanto silêncio...
Em todas as notas que ficaram por tocar..ficou um grito por nascer..
É música para os meus ouvidos tanto silêncio..
E nos telhados já corri louca e vagabunda..felina madrugada que te fez partir..
E já contei tantas histórias e inventei tantos finais sem me lembrar sequer de onde atracavam os inícios que me ficaram a deriva da mente...
E abanei a cabeça para dizer Não e a música tocava lá bem ao fundo e os dedos diziam Sim e a boca reconhecia o apelo de um "Já"..
É música para os meus ouvidos tanto silêncio..
Posso ouvir rosas a respirar no jardim e todos os tons do vento...posso engolir pássaros sem os mastigar e ficar a vê-los a voarem no estômago..
Sou tão feliz assim!
É musica o que ouço..está parado o coração?
Que me importa...amanhã bate outra vez noutro compasso...

Daniela Pereira in O coração é uma bomba prestes a rebentar....

Direitos Reservados

http://olhares.aeiou.pt/heart_sound_foto2739723.html

sábado, abril 25, 2009

Ode ao carrasco do amor...




Já respirei!...

Ia jurar que já tinha respirado
mas o sangue ainda ferve
e nas veias corre
sem previsões para abrandar...

É pele que cravas nas unhas ou são máscaras que te caem da carne
agora que despis-te a tranquilidade que te vestia o rosto?

Tens os olhos inchados e o nariz está torto
por tantas verdades em ti suportadas...

Vi-te ontem...trajado de bom menino
chorando aos pés de alguém...
Ajoelhei-me e rezei..
pedi ao infinito para te roubar a leveza da voz...
para que o tempo fosse implacável
a sufocar-te em lembranças..
Por cobardia confesso
que menti em todas as preces
e que ontem pela primeira vez
não pensei em ti...
Não te deixes enganar pelas palavras...
estás calado aqui dentro!

Respira!
Já respirei..
jurou um pulmão
esfomeado por um pouco de ar..

Dou uma gargalhada
e a saliva já me cospe o sangue
do último murro que do meu peito
fez carne ferida...
Que gosto terá o ar quando é puro?

É pele que cravas nas unhas ou o teu choro é de pedra agora...
que me farejas de longe todos os ossos?

Tens a boca grande e os teus dentes trincam sobras
como se o teu estômago fosse a única sobremesa que engoles...
Lá bem no fundo ainda exibes orgulhoso
restos do último piteu
que te jazia no prato aquecido...
Enriqueces pela ponta da língua...
nunca pela ponta dos dedos...

Inspira..
Já inspirei
acena um pulmão
vagamente interessado no meu novo respirar..

Fecham-se as bocas com fome e a sede de sufocar mata-se pelo nariz..
porque das peles expiradas já nada resta...
Foi o carrasco do amor que já me levou a alma
para o cume das montanhas
onde o meu sonho fala sempre mais alto que a dor...
O corpo dorido?..
esse atirei-o ao mar cansada de tantas alianças...


Respira...

Já respirei...

Daniela Pereira in " O amor pressupõe dois lados opostos"
Direitos Reservados

segunda-feira, abril 20, 2009

Gritar de tras para a frente...


Se eu não disser nada terei no silêncio a contenção de um tudo?


Sinto um amargo na boca e a voz desce dormente para o fundo da garganta...o choro rasga-me todos os gritos e no entanto ainda guardo sozinha um sorriso dentro de mim.
Que bela lutadora eu sou! Já bati nas paredes 4000 vezes e todas as nódoas se voltaram contra mim. Chamam-me estranho ser por querer perto de mim o que me faz bem...
Irreal e sonhadora por acreditar num sentir...estranha forma de vida um dia nasceu em mim.
Pega-me ao colo anjo invertebrado ..pega-me ao colo que estes passos já não me levam a lado nenhum...
Se eu rodopiar um pouco mais devagarinho,alinhas-me a alma que ficou fora dos eixos?
Às vezes posso jurar que vejo o mundo ao contrário...que os rios estão secos e que os jardins são todos de cimento.Que as flores são cinzentas e que as crianças correm apenas porque fogem dos papões...já não trepam às árvores nem fazem desenhos com as pedras do chão...
Que em todas as nuvens existe uma chuva por cair e que em todos os sois se escondem buracos negros para engolir num dia marcado toda a minha luz..
Não existem lágrimas que durem para sempre, nem amores que sejam sentidos em vão...mas existem vazios e corações molhados em todas as ruas do amor.
Há punhais por cima de todas as cabeças prestes a cair e apunhalar-te a beleza das memórias em cada hora que sai do relógio...
Há fitas vermelhas despidas dos cabelos e beijos esmagados nas mãos...
Há um mar que nos quer afogar e uma onda que nos salva incomodada pelo gosto doce que temos na pele..somos cuspidos para fora da revolução como se os lobos pudessem ser cordeiros mansos e as formigas soubessem como trazer a paz às guerras de um gigante...
Ai se os anjos fossem mesmo desprovidos de sexo poderiam viver eternamente a sentir o amor dos humanos..porque só ele em nós é imortal. O corpo é um pedaço de carne que a dor apodrece...imoral é deixar que a alma morra...

Daniela Pereira
Direitos Reservados

sábado, abril 18, 2009

A fórmula dos amantes





O mundo é um catálogo de relações temperadas às pressas...
Hoje amo-te com cuidado...porque amanhã tu já não prestas!
Não chores à minha frente
nem me cortes o pescoço...
Sabes que a dor não é minha
e o teu sangue suja-me o rosto.


O mundo é um desfile de corpos bem apurados...
então diz-me donzela
porque não tiras já a roupa
nos meus lençóis perfumados?
Já te disse...Je t'aime e ternamente amei-te em francês .
Não te faças de rogada e vem foder loucamente com este belo português!

Tens uns olhos tempestivos e os teus beijos ..até são frouxos..
que importa cinderela...só quero trincar a carne tenra das tuas coxas.
Podes também dar-me os teus seios ,nesta festa o corpo é rei.
Matas-me a fome por gosto
e explorar-te livremente faz parte da minha lei!

O mundo é um catálogo de relações temperadas às pressas...
Hoje amo-te com cuidado...porque amanhã tu já não prestas!

Dar flores e namorar são provas de pouco uso,...
vamos mas é rebolar lá para as dunas do Araújo!
Amo-te tanto que o meu corpo não sabe estar parado à tua beira...
Dizem os astros sabidos que quero lamber-te a pele para a vida inteira!


O mundo é um catálogo de paixões entusiasmadas...
Hoje pinto-te nas paredes
és a mais bela das minhas musas...
Vem deitar-me ao meu lado que esta solidão já arrepia...
Sabes que amanhã já não estou cá
e aproveita porque facilmente desapareço por magia.

O mundo é um catálogo de relações temperadas às pressas...
Hoje amo-te com cuidado...porque amanhã tu já não prestas!

Nesta corrida contra o tempo
O amor já não tem posto...
namorar é solitário,
vamos fazer uma orgia
porque sexo a três é que dá gosto!

O mundo é um catálogo de relações temperadas às pressas...
Hoje amo-te com cuidado...porque amanhã linda menina..
tu já não prestas!

Daniela Pereira
Direitos Reservados

quinta-feira, abril 16, 2009

Haverá sempre esperança no fim de uma utopia...




Penso que a vida é feita de encontros desnecessários e de desencontros desperdiçados em ruas com cruzamentos mal calculados...
Talvez fosse bom parar um pouco e ficar a olhar apenas para a perfeição das estrelas...


Haverá sempre um sorriso atrás do espelho desejando a eternidade das sombras...
Uma pintura nos lábios que não combina com o desenho idealizado na tela..."falta-lhe algo" pensarás tu quando vês o teu sorriso a desmaiar cansado...
Faço caretas ao espelho..talvez assim ele mude a expressão da sua tristeza para traços menos duros. Vou alugar um palhaço a um circo qualquer que encontre a actuar na estrada...Afinal ter sonhos não é proibido..e o algodão doce não engorda a alma

Daniela Pereira

terça-feira, abril 14, 2009

Conjunções despropositadas




Tenho tantas palavras entaladas cá por dentro..que o melhor é trincá-las com força quando tocarem nos meus dentes.

Prefiro migalhas a pedras duras..prefiro pão tostado a um pedaço de chão. E as palavras rimam e nada dizem umas às outras...conheço-as assim. Pesadas no toque e doces no olhar..meras palavras.Conjunções despropositadas e pronomes por vezes tão impessoais que de longe não me parecem descrever nenhum pedaço de gente...mas ao perto sou um micróbio debaixo de uma lente que o tempo não consegue ampliar. E fico assim..pequena a abraçar alguma poeira que deixei cair...

Prefiro cravos vermelhos às margaridas amarelas...prefiro um mar resmungão aos calados rios turvos. E as palavras não rimam e tudo dizem umas às outras mas esqueceram-se de aprender a ouvir aquela letra minúscula que ficou presa ao teu rodapé...E ela balança..balança e o vento não lhe pede para voar e ela casmurra vira-se de pernas para o ar só para contrariar...

E as palavras rimam e chocam umas com as outras..acho que querem dançar..mas há quem diga que querem mesmo é fugir da vergonha. De boca fechada sempre serei o vosso destemido ninho...



Daniela Pereira in "Despropósitos aceitáveis"
Direitos Reservados

sexta-feira, abril 03, 2009

O céu fica ali mesmo ao lado...




.E se todas as escadas tivessem como destino mais próximo o céu...subias mais um degrau ou ficavas parado a pisar a porcaria que brilha do teu chão?
Hoje o céu está mais azul e as nódoas do teu peito têm aroma a limão...
Há uma lua deitada no fundo de um poço..jura a pés juntos que já fez nascer no seu regaço pedaços de luar. Porque dizes que é mentirosa..se quando pedias estrelas ela dava-te imediatamente todas as que tinha na mão?
Hoje o céu está mais azul..eu sei! Pintei-o às pressas antes de adormecer com a tinta desbotada da camisa de dormir...Ontem estavam mais vivas as cores, mas chorei e o veludo enfraqueceu....tenho pena,porque o azul sempre foi a minha cor.
É injusta a chuva que cai quando o sol está farto de esperar para me ver...dá-me raiva ver aquelas nuvens mal paradas que não atam nem desatam no meio do caminho. Lembram-me a inflexibilidade da tua mente.Tenho vontade de lhes dar pontapés até as ver cair de lado...
Há um mar que descansa tranquilo nos meus olhos...são gotas ainda não caídas a aguardarem a sua vez na borda do rio...e a lua lá no fundo a jurar que é verdadeira.
Se eu descer mais um degrau na tua escada,será que o céu ainda se recorda do meu encanto?

Daniela Pereira in "O céu é mesmo ali ao lado.."
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sexta-feira, março 27, 2009

Suicídio imprevisto



Eterna sangria...

Mato o meu amor por ti e fico a olhar para o peito que ainda sangra..lentamente quero esquecer o que os olhos já viram. Talvez se eu fosse uma vez mais cega não me visses rodar os lençóis na cama à procura do teu cheiro no branco.
Tenho que matar o meu amor por ti..ouvir os teus gritos..comer e calar.Fiz um punhal aguçado das palavras que me deixaste nas insónias e é com ele que te mato. Perfuro as memórias vezes sem conta, para ter a certeza que amanhã não haverá restos do teu riso nem pegadas do teu corpo pesado em cima do meu.O anjo perdeu a humanidade e converteu-se numa fera sem perdão...Tiro-te os olhos se voltas a olhar para mim! Mas tu também já não olhas...não me viste chorar nem suplicar ao teu Deus que fosse brando com a minha dor. As lágrimas confesso que durante algum tempo tinham travo a mel...era a saudade a refrescar a loucura..ainda meiga e doce. Hoje as lágrimas não têm sabor, não me sabem a nada e apenas me molham o rosto piedosas. Sinto-te..mato já o meu sentir se me trair a voz e me libertar os dedos...não te quero sentir..dás-me arrepios na alma e ela já tem tanto frio.
Mato o meu amor por ti...e eu não sei matar..
Sei fazer florir rosas nos desertos e erguer escadas para te ver chegar mais longe nos teus sonhos...porque me cortas hoje as pétalas e me esmagas as pernas?Quero caminhar nas brisas mornas das tuas costas...
Mato o meu sonho onde a tinta rosa pingava da tua boca...estranhamente aprendeste a fórmula dos pesadelos e na escuridão me injectas sombras e monstros de fumo negro...
Era tão fácil se tivesses sido apenas um sonho ruim...assim esquecer-te seria uma morte natural e não um suicídio

Daniela Pereira
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