domingo, julho 04, 2010

Desidratação...




Estás na garganta...a arranhar-me as palavras como se fosses uma lâmina e eu já não te grito...
Silenciei-te no meu ouvido como se fosses para sempre um verbo sem futuro para conjugar..então não te conjugo..nem sequer te condeno porque o fogo por ti há muito se apagou.
És uma paisagem rara que espero não repetir no meu olhar...cegos são os amadores..visionários são os amadores da palavra amar e eu sinto-me madura à luz da vela.
E faço ondas na mente como se a memória fosse um mar com tormentas a conquistar e tu de memórias nada sabes...nada vês..só restos de um vazio que é só teu e eu costuro-me nas fendas com retalhos coloridos como se fosse uma boneca de trapos à espera de uma vida..
Estás na garganta..feres-me a voz e de nada me queixo,porque só ontem aprendi a falar..
É verdade que digo muito...que até acho que digo tudo,mas o meu coração depois de ti jamais falou de igual para igual ...podia multiplicar os dias..dividir as razões todas as noites mas mesmo assim somaria desperdícios mal contados e o meu ser seria impossível de equacionar...tu já és uma incógnita que nada tem para ser resolvido..és uma constante que se perde no tempo a apagar fórmulas que não entendes.
Matematicamente incorrecto é o teu pensar...sobes numa cadeira e atiras ao ar tudo o que já não interessa e o teu mundo reduz-se a meia dúzia de linhas,todo o resto é ficção porque a tua realidade com nada se comove.
Pirâmide de aventuras..
ruína das verdades...
nó incompleto a trepar na garganta...
Vai um copo de água para deslizares mais depressa?


Daniela Pereira
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