quarta-feira, dezembro 22, 2010

Feliz Natal






Se nada for mais importante que um coração aberto

então leva-me a chave do peito

para nele sempre puderes entrar...



Se nada for mais importante que um abraço apertado

quando sentires frio em ti...

então moldo nos meus braços

o perfil do teu corpo

para eternamente te abraçar...



Se nada for mais importante que uma palavra

pronta a quebrar o silêncio do teu mundo...

então deixo-te a minha voz

ou um saco cheio de ternas palavras escritas

para varreres a solidão...



Se o carinho...a promessa e a amizade forem flores na tua mesa

que eu um dia na tua alma lar deixei..

então é porque plantei o teu coração no meu jardim e com doçura te reguei.



Daniela Pereira

Direitos de Autor Reservados




Feliz Natal a todos os amigos que me deixaram entrar nos seus mundos e me acolheram sem se importarem com os dias em que sou rosa caída...malmequer sem rumo ou violeta adormecida.

domingo, dezembro 05, 2010

Sessão de lançamento do livro "Já não se fazem Homens como antigamente



Foi no dia 27 de Novembro que o Livro "Já não se fazem Homens como antigamente" foi apresentado pelos seus autores a todos que se deslocaram à Livraria Leitura Books & Living no Porto.
Essa sessão, contou com a presença inesperada do escritor Luís Miguel Rocha,autor do prefácio do livro e também com o nosso editor Francisco Abreu representando a Editora Esfera do Caos.





A tarde começou cedo para os autores que estiveram reunidos com amigos num almoço aproveitando para discutir agradavelmente sobre temas que lhes eram prazerosos...logo as palavras,os livros e as emoções que eles podem transmitir foram alguns dos assuntos servidos com o café.




A sessão de lançamento iniciou-se com as palavras bem dispostas do editor Francisco Abreu que fez uma breve apresentação dos autores e da obra,agradecendo ainda a presença do escritor Luís Miguel Rocha.Foi o Luís Miguel Rocha que iniciou a conversa com o público da livraria,falando um pouco do prefácio e da sua opinião sobre a obra.
A seguir foram os autores do livro que levantaram um pouco o véu sobre as suas histórias.



A primeira história a ser focada foi a da autora Daniela Pereira, a história "Clara ou a Cinderela dos Tempos Modernos".Daniela falou um pouco sobre a mensagem que a história encerra,mostrando uma analogia daquela história com os velhinhos contos de encantar.Sugerindo que os protagonistas da história vivem um conto de fadas mas com o final distorcido,porque Clara acaba por descobrir que o seu príncipe encantado Tozé vai revelar ser afinal um autêntico sapo.
A história brinca um pouco com as relações fugazes que se iniciam com atracções mútuas e sem tempo para uma construção sólida.As personagens são postas em situações onde os seus gestos tornam-se tão exagerados que as leva a mostrar um lado ridículo no modo como exprimem o que sentem.Uma história que pretende ser divertida mas com um forte momento de sátira ao comportamento humano nos dias de hoje.



Logo a seguir,João Pedro Duarte apresentou a sua história "Paciência de Chinês". Uma história que foca o medo que algumas pessoas sentem em assumir os seus sentimentos quando eles são verdadeiros.Numa inteligente e divertida peça de teatro guiada por um estranho fantasma,o autor retrata a vida de um casal apaixonado que continua afastado vivendo vidas paralelas numa tentativa frustrada de viver emoções que só juntos poderiam ter.O medo de sufocarem num amor tão intenso faz com que o jovem casal viva ilusões nos vários relacionamentos e experiências amorosas que partilham,mas acabando sempre por cair num vazio profundo.




A 3ª história a ser apresentada nesta sessão foi a hilariante história de um reformado idoso que desejou ter uma noite de prazer com a sua mulher.Falamos da história de Miguel Almeida, "Ele tomou Viagra,Ela chamou a polícia". O autor iniciou a sua apresentação referindo que a sua história tinha sido construída a partir de factos verídicos explicando que teve que sacrificar as férias para conseguir participar neste projecto,mostrando-se muito satisfeito por ter conseguido o seu objectivo.Nesta história o senhor Solidónio Matos tenta convencer o seu médico de família a receitar-lhe o famoso comprimido azul,o Viagra. Cansado de se sentir encerrado num corpo doente e débil,este idoso conduzido pela força das suas memórias e pela vontade do prazer pede ao seu médico a oportunidade de amar a sua mulher novamente.No entanto a toma do Viagra tem efeitos que a pobre da esposa de Solidónio não esperava.



Para terminar a apresentação da obra, o autor Pedro Miguel Rocha falou um pouco sobre a história que defendeu neste livro, "A Lâmina do Amor".Numa história que vasculha o mundo da realidade virtual e o cruza com uma relação real perturbando-a fortemente.Pedro Miguel Rocha refere os perigos e as tentações que os mundos de comunicação criados na net podem causar.A facilidade de encontrar novas pessoas e de estabelecer ligações sem conhecer a pessoa que está do outro lado do ecrã é muitas vezes responsável por enganos e por numerosas desilusões.



Finalmente houve ainda espaço para algumas perguntas da plateia e para o debate de alguns temas relacionados com o recheio deste livro.Para surpresa e admiração dos autores foram muitas as pessoas que embaladas pelas palavras dos autores não tiveram problema em mostrar a sua opinião e em partilhar experiências das suas vidas com todos os presentes.Falou-se que a idade nunca será desculpa para não amar alguém,perguntou-se se ainda haveria espaço neste mundo para o Amor verdadeiro. Se as pessoas ainda davam pedaços de si sem esperar nada em troca.Se nas relações havia tempo para dar valor aos gestos trocados e aos momentos vividos neste mundo tão fugaz.
Tivemos ainda a surpresa de sentir que as nossas palavras tinham chegado aos corações das pessoas, que saíram daquela sessão sentindo um bocadinho mais a importância de mostrar às pessoas que as amamos sem nenhum medo.Oferecer um ramo de flores à pessoa amada sem nenhuma razão aparente para além do amor que por ela sentimos ainda está na moda...e ainda bem.








Texto da autoria de Daniela Pereira

segunda-feira, novembro 08, 2010

Sessão de lançamento do livro "Já não se fazem Homens como antigamente


Convite para a sessão de lançamento do livro "Já não se fazem Homens como antigamente"...

Livraria Leitura Books & Living-Shopping Cidade do Porto-PORTO dia 27 de Novembro às 16h .Apareçam:)

quarta-feira, outubro 27, 2010

Passatempo na página do facebook do livro Já não se fazem Homens como antigamente


Bom dia :)



O sapinho encantado dá inicio ao 1º passatempo da semana...

Neste 1º passatempo teremos um exemplar do livro para oferecer através de um sorteio entre todos os participantes que responderem correctamente no mural da página às seguintes questões:



1- Qual foi a data de lançamento do book trailer da obra Já não se fazem Homens como antigamente no blog do livro?



2- Em que colecção inserida no catálogo da Editora Esfera do Caos podes encontrar o livro Já não se fazem Homens como antigamente?



O passatempo irá decorrer a partir deste momento e até Domingo dia 31 até à meia noite.



Boa sorte!!!



Vamos lançar um conjunto de passatempos em que os vencedores serão premiados com um exemplar autografado. Estes passatempos irão decorrer de dia 27 de Outubro a dia 14 de Novembro. Convidem os vossos amigos a juntarem-se a nós na página





Pista: As respostas podem ser encontradas no blog oficial do livro e no catálogo da Editora Esfera do Caos... ;)

segunda-feira, outubro 25, 2010

Informação

Olá amigos do Devaneios


É com prazer que partilho mais um cantinho onde podem adquirir alguns dos meus trabalhos literários...

Na Wook existe uma página onde podem encomendar o mais recente livro Já não se fazem Homens como antigamente com desconto de pré-lançamento e o velhinho livro de poesia Afectos Obsessivos :)

http://www.wook.pt/authors/detail/id/956440


beijinhos

Daniela Pereira

sexta-feira, outubro 15, 2010

Já não se fazem Homens como antigamente

"Já não se fazem Homens como antigamente" tem como missão abalar
mentalidades e arrancar sorrisos bem rasgados. Ao longo de 4 histórias
divertidas e actuais, falamos do mundo das relações, vasculhamos
consciências, reviramos crenças de pernas para o ar, falamos de sexo
...depois dos 80 anos, falamos de futebol e das tendências de moda masculina,falamos de marisco e seduções, de paixões cegas e de amores encantados.




Dia 15 de Novembro à venda nas principais livrarias do país...

Um livro de Daniela Pereira,João Pedro Duarte,Pedro Miguel Rocha e Miguel Almeida
Prefácio de Luís Miguel Rocha

http://homenscomoantigamente.blogspot.com/

http://www.facebook.com/pages/Livro-Ja-nao-se-fazem-Homens-como-antigamente/153081791398468

segunda-feira, setembro 27, 2010

Clara ou a Cinderela dos tempos modernos...





Falar da Clara, não é simples mas também não será assim uma tarefa muito árdua.Clara é uma mulher como todas as mulheres. Tem sonhos, fantasias e desejos secretos que por educação tenta guardar só para si. Gosta de matar o tempo a ler horóscopos tentando antecipar-se ao destino. Adora vestidos fashion, mas só tem dinheiro para costurar trapos com originalidade.Imagina-se todos os dias a ganhar a lotaria, e a viajar pelo mundo sem hora marcada para o regresso...Depois, é uma mulher que vive de paixões e por isso vai perdendo o coração pelas esquinas da rua... Como perdem todas as mulheres apaixonadas.Mas a vida de Clara, vai mudar... É o destino que o diz e Clara acredita no destino. Por isso corre contra o tempo para esbarrar literalmente com o seu grande amor.Então, tudo muda… Clara volta a amar e é um amor intenso. Os defeitos da sua cara-metade pouco interessam aos olhos de quem vê tudo pintado com as cores do arco-íris. Ela sorri, quando provavelmente deveria chorar. Há um coração cego por aí, mas é um coração que se sente extraordinariamente feliz. Mas não é isso que realmente interessa? Ter um coração feliz?O que pode fazer Clara para tentar que essa felicidade nunca mude? Congelar o tempo? Fingir que tudo continuará perfeito. O Tony é o seu príncipe... O príncipe de todas as histórias de encantar. Não tem um cavalo branco? Que pormenor tão banal para ela! Ele é perfeito... Para a Clara é um homem perfeito. Pode ressonar durante a noite, gostar da sua cervejinha quando vai ver a bola, praguejar em demasia, e até mesmo olhar para todas as mulheres com saias com mais de 2 dedos acima do joelho. É o homem que Clara escolheu nos seus sonhos… O homem que a faz tão feliz. Talvez acredite que um amor assim possa ser eterno…





Clara ou a Cinderela dos tempos modernos, é um texto escrito por Daniela Pereira e fará parte do projecto a 4 mãos " Já não se fazem Homens como antigamente" ,Editora Esfera do Caos... Um livro recheado de histórias divertidas,reais e que nos fazem pensar no mundo que hoje temos.

Todas as novidades referentes ao livro poderão ser encontradas no blog:



http://homenscomoantigamente.blogspot.com/

sexta-feira, setembro 10, 2010

Minuendo....





Há um céu de estrelas com quem danço

para celebrar uma noite sem escuridão...

Há também um jardim,onde nunca pisei flores

nem ocultei sonhos.

Há quem diga que a minha alma não tem pés

mas caminha contra o vento...



Não sei,mas ouço-lhe os passos.



Há também uma figueira que nunca deu figos...

mas nem por isso deixou ao relento

as aves oriundas de mil e uma paisagens.

Há quem diga que a minha alma não tem olhos

mas vê ilusões como ninguém...



Não sei...não a consigo ver

mas pressinto que tem um coração distraído..





Daniela Pereira

Direitos de Autor Reservados

sexta-feira, agosto 20, 2010

Há homens que dormem sem escuridão...




E se os sonhos fossem papagaios de papel?

Talvez os pesadelos fossem balões para furar à luz da lua...

Atar os nossos sonhos a um arco-íris de papel e deixar as vontades voar a favor do vento...

Só um vendaval de ideias à solta e um punhado de areia para enterrar os teus erros.

Que bela é a liberdade de um sonhador

não há montanha que não alcance

nem nenhum mar que fique por atravessar...

E dos seus olhos nascem pássaros amarelos

que no topo do mundo querem pousar

e há uma campa fria no fundo do peito

onde já repousam os fracassos.

Depois há aqueles que apenas dormem com os olhos abertos na escuridão...



Daniela Pereira

Direitos de Autor Reservados

quarta-feira, agosto 11, 2010

Romã...

Foto @Raquel Moura
P.S: Parabéns amiga,só o teu olhar podia descobrir um contraste com tanta beleza...aqui fica o poema que escrevi inspirada na força e na fragilidade desta imagem*

Um dia planto uma laranjeira à tua porta


Tens um lado de ti onde nada se abre....até o sol se encobre debaixo das tuas persianas como se a tua janela fosse um fosso de escuridão aparentemente sem fundo.

Do outro lado és a Primavera em flor...e todas as sementes desmaiam aos teus pés mais vivas do que nunca.Já te rasgaram a pele das paredes,como se fosses para sempre um fruto velho a secar ao tempo que passa sem pressa para murchar.Não disfarças os dedos que já te treparam o corpo despido numa ténue cor de gema de ovo como se a tinta que te pintou um dia os pontos brancos fosse impermeável ao sal dos olhos que nas tuas paredes choraram despedidas agarrados a ti..

como se tu lhes fosses dar algum alento.

Mas há um lado em ti...onde tudo se transforma..onde não há tempo para escuridões ou vozes de sombra e só os risos sobrevivem ao verde das tuas raízes.

Que linda que é a tua janela!

Aquela que nuncas abres mas onde o sol nunca se põe e a noite a ela nunca chega...

mas o luar...ai mas o luar recortado no teu corpo de vidro riscado entra pela Primavera a dentro e não existem folhas caídas que resistam no chão por muito tempo e até as flores mais tímidas brotam nos velhos telhados laranja que trazes nas veias .

Um dia abro o mundo com as minhas próprias mãos e planto uma laranjeira à tua porta ….


Daniela Pereira

Direitos de autor reservados

quinta-feira, agosto 05, 2010

A love to share...

segunda-feira, agosto 02, 2010

Rumo à liberdade...





Já cheguei às tuas pedras e não as atirei para o ar...pelo contrário,fortaleci o meu chão
porque um chão raso é que me engole...
Cheguei ao mar,incrivelmente cheguei com os pés molhados depois de atravessar tanta areia seca...é um fenómeno que não sei explicar,assim como não sei explicar porque há chuva em pleno verão e o inferno traga o verde dos meus olhos.
Vais fugir das minhas fugas?
Como se fugir fosse a solução de todos os afogamentos que o mar promove na minha mente...talvez devesse cortar o mar ao meio e caminhar por entre as ondas como se o meu corpo fosse um milagre desencaminhado e sem rumo.
A tua liberdade é o teu escudo...a minha arma é o teu grito e a paz é um colchão vazio que os sonhos perfumam para não perderem a reputação de serem Deuses maiores que tudo podem mesmo quando já em nada acreditas.
E o veludo é verde porque o vermelho desbotou com o sal da cozinha e o amarelo não tem girassois na pele,só os pressinto na barriga...
Deixa estar que o mar é surdo..sei-o porque já supliquei em tom vibrato que queria partir e ele não me deixou dar nem um passo,atirou-me logo com a onda mais feroz e sacudiu-me a esperança até ela deixar de tentar ser feliz e fez-se um caminho seguro com vidros estilhaçados para nada mais partir por dentro.
Já vejo o teu barco a acenar bandeiras brancas enquanto deriva na incerteza de uma direcção ...
Basta de esperar
que o mar se abra para mim! ...
Então dispo-me de incompetências e inocências e de todas as "ências" que nos tornam máquinas de coração estripado e rumo à liberdade
com as asas presas aos pés calcinados pelos dias que ardi à toa por alguém...

Daniela Pereira
Direitos de Autor Reservados

domingo, julho 04, 2010

Desidratação...




Estás na garganta...a arranhar-me as palavras como se fosses uma lâmina e eu já não te grito...
Silenciei-te no meu ouvido como se fosses para sempre um verbo sem futuro para conjugar..então não te conjugo..nem sequer te condeno porque o fogo por ti há muito se apagou.
És uma paisagem rara que espero não repetir no meu olhar...cegos são os amadores..visionários são os amadores da palavra amar e eu sinto-me madura à luz da vela.
E faço ondas na mente como se a memória fosse um mar com tormentas a conquistar e tu de memórias nada sabes...nada vês..só restos de um vazio que é só teu e eu costuro-me nas fendas com retalhos coloridos como se fosse uma boneca de trapos à espera de uma vida..
Estás na garganta..feres-me a voz e de nada me queixo,porque só ontem aprendi a falar..
É verdade que digo muito...que até acho que digo tudo,mas o meu coração depois de ti jamais falou de igual para igual ...podia multiplicar os dias..dividir as razões todas as noites mas mesmo assim somaria desperdícios mal contados e o meu ser seria impossível de equacionar...tu já és uma incógnita que nada tem para ser resolvido..és uma constante que se perde no tempo a apagar fórmulas que não entendes.
Matematicamente incorrecto é o teu pensar...sobes numa cadeira e atiras ao ar tudo o que já não interessa e o teu mundo reduz-se a meia dúzia de linhas,todo o resto é ficção porque a tua realidade com nada se comove.
Pirâmide de aventuras..
ruína das verdades...
nó incompleto a trepar na garganta...
Vai um copo de água para deslizares mais depressa?


Daniela Pereira
Direitos de autor reservados

quarta-feira, junho 23, 2010

O fim de todas as coisas maduras...




Escrevo-me...

Serei um drama em cada folha adormecida no colo dos leitores que me vigiam por detrás de tantas letras tristes e marcadas no papel?
Um conto cinzento que não sei colorir por ter perdido dentro de mim toda a cor?
Sempre me senti um romance mas quebrei-me em mil poesias todas as noites em que amei com o coração aberto e no entanto em nada fiz-me poema...só fui devaneio de uma cama que não se queria ver vazia.
Tive perfumes na pele..tive sonhos..beijos dados com paixão..tive promessas...não...não tive promessas,tive instantes...pedaços de tempo que corriam como cobras sem pernas por isso nunca tocavam o chão quando me percorriam.Eu pensei erradamente que galopavam o tempo porque tinham asas..ignorância súbita de quem se orgulha de saber pensar e de ter no pensamento uma esperança segura.

Escrevo-me...

Destapo-me dos pontos finais que me foram dados...das intermitências nos sentimentos que só a ruas escuras me conduziram..e os passos que eram tão firmes para mim eram pressentimentos de um andar enterrado em areias movediças de onde nunca mais poderei sair.
Interrogo-me...faço questões que o mundo inteiro não compreende e simplifica com pena e eu retribuo sentindo-me mais complexa porque já nem as respostas me satisfazem...nada é credível..porque tudo passa rápido demais para ser palpável com as mãos..até os abraços são de fumo,escassos e voláteis...formas que não prendem só sustentam a alma quando ela está prestes a cair mais fundo.Ainda vês o mar aí desse buraco? Sentes a brisa pelo menos e nadas sem te molhares...só os teus olhos atravessam as ondas com a intenção de as quebrar...o resto do teu corpo fica parado exposto às ambições de alguém sem rosto.

Escrevo-me...e o amor escreve-te em reticências amarguradas que não terminam no fim das margens,és um romance inacabado com capas negras ao ombro onde o sol está prestes a morrer em todas as páginas...mas por milagre sobrevive com os pedaços de luz que na escuridão encontra.

Escrevo-me....Sou o fim de todas as coisas maduras...
Folha verde...

Daniela Pereira
Direitos de autor reservados

segunda-feira, junho 21, 2010

Intersticios e um punhado de vento

Choveu de noite e eu não dei pela chuva a cair...
Eras leve demais naquela gota de açúcar para seres tão doce
e hoje para ter um dia com mais sol
pinto-te as sombras e os interstícios da razão
como se o vazio de alguém pudesse ser mais um quadro na parede pronto a pendurar.

Houve arco-íris de rua e no céu alguém teceu tapetes em linho verde para receber o sol de braços abertos...como se a luz de um dia fosse uma festa...um festival de brilhos e utopias...mas mesmo assim choveu de noite.
Posso dizer que as memórias são feitas de orvalho mas tinha que ter a mente mais fresca e os olhos mais secos para lhe compreender a textura como algo que passa num segundo...porque a chuva passa e o Verão até anda por perto a prender-me o vestido num vento discreto e a queimar-me os seios com desventuras.

Choveu de noite...pode também ter chovido de dia...importa é que não a senti minha,mas sim como um instante de tempo molhado que nada mais promete para além de um coração hidratado e já sem dor.

Daniela Pereira
Direitos de Autor Reservados

sábado, junho 05, 2010

Matinal e uma gota de fruta...


Enquanto a chuva vier..hão-de vir os pardais matar a sede no lago das lembranças e comer-te a mente ainda doce e fresca como se fosses o último fruto maduro ainda apetecível no jardim....


Daniela Pereira
Direitos de autor reservados

terça-feira, junho 01, 2010

Memória cheia...


A memória é um bicho estranho difícil de domar....
venham as borboletas e os rouxinóis...
que partam os corvos e as moscas pretas dos coloridos anzóis...


Enfrento a problemática do síndrome de memória cheia de pensamentos vestidos de branco a caminhar certeiros em direcção a um buraco negro esculpido a rigor...
Já passei a passadeira vermelha..hoje toda a memória é lenta quando foca um qualquer momento...
Pobre memória,tão cheia de pudor e de panos quentes nas feridas....tão bela que és quando corres como um rio sem medo de entupir os teus belos olhos nas pedras desse leito comprimido que trazes no coração...

Texto e foto de Daniela Pereira
Direitos de Autor Reservados

domingo, maio 30, 2010

quinta-feira, maio 27, 2010

Ensaio sobre seres que não o são...


Falo de pessoas....pessoas..peças de um mundo que se prevê inteiro nas emoções e nos sentimentos que transmite...em todos os ecos que dá nos caminhos por onde passa...
Ecos....prolongamento de gritos e choros que só alguns ouvidos atinge...gargalhadas prolongamento de instantes felizes que todos ouvem sem hesitar.Uma gargalhada não irrita mesmo quando pode ser irritante..uma lágrima só por si já nos estremece a não ser que caia numa pedra oca e vazia...aí o eco sufoca na indiferença de um granito que se julga avançado no meio das pedras quadradas que jura contar no seu chão.





Falo de pessoas...peças que partem em mil outras peças até um dia que voltam a unir-se seguras de nunca mais partir e lá ficam suspensas em momentos seguros que nenhuma tempestade vã parece ameaçar ruir.Mas a tempestade vem e a unidade passa a meio de alguma coisa..inseparáveis são os gestos que habitam em nós e de nós partem em várias direcções à procura de dar azul à escuridão do vosso mundo nem que seja à custa de um rosto por vezes mais cinzento...um pedaço de azul altivo junto ao peito vale por todos os ventos que te possam soprar para longe de ti mesmo...os ventos não te deixam partir para longe e sabem sempre que poderás um dia voltar...Mas as pessoas...aqueles seres que dizem ser gente e que afinal não o são,vão gostar sempre de te ver rodopiar como um pião à espera de te ver cair..mas tu que também és pessoa vais fincar os teus pés de barro na terra e por teimosia lá estarás sempre preparada para voltar a içar a tua bandeira numa alma cheia...

Daniela Pereira
Direitos de Autor Reservados

segunda-feira, maio 24, 2010

Ghost from the past....


Ghosts from the Past - Bang Gang


You fall like an angel to me
And you fell and broke your wings
It was never meant to last
You were just a ghost from the past

I thought you really could be real
That my heart was ready to bleed
When I walked through pain and fear
You would totally disappear

You know that I love you, you know what I need
You know that I find you so tender so sweet
We walked through the darkness, we walked in the sun
We shared all our sorrows, we shared all our love
You said that you love me you said that you cared
So how could I know I had something to fear
I don't know where you are I know that you're hurt
I should have been able to sense your alert


You came like a stranger to me
And you said you were for real
Now I do know where this will end
I was cold and I needed a friend
I turned on the light so you could see
I was stuck in some other dream
Still my eyes were crystal clear
You came closer and shattered my tears

Chorus

How could you say you want me to go
When my diamond was starting to glow
When you knew that I wanted you so
You left me alone






domingo, maio 23, 2010

Contraluz...

É pó de estrelas aquilo que eu vejo à superfície do teu querer...
caminhas na direcção contrária do vento porque a ti só te interessa a velocidade infinita de uma luz...
Sou um cometa que se desfaz aqui em mil pedaços já...para te construir de novo ali ao lado...
É pó de estrelas aquilo que eu vejo do cimo do meu altar sagrado onde pecas com o corpo ...sereia brava a reluzir no ninho...

Daniela Pereira
Direitos de autor reservados
Foto da autoria da autora:http://olhares.aeiou.pt/po_de_estrelas_do_mar_foto3724333.html

domingo, maio 16, 2010

O teu fabuloso destino...



Achei que tinha nascido para fazer os outros mais felizes...ando tão distraída com os sorrisos que ofereço que quase me esqueço de ser feliz...*

sexta-feira, maio 14, 2010

A lógica do que não sei sentir....





Todos que amo são perfeitos...
porque o amor é a perfeição de todos os sentimentos.
Só me sinto imperfeita porque vos podia amar mais um pouco...
então amo-vos um pouco mais e os defeitos do que não sinto ficam mais pequenos ...


Todos que amo são perfeitos...
e eu sou perfeita quando vos sei amar...
e todo o resto que não amo
é imperfeito demais para eu amar...

Daniela Pereira
Direitos de Autor Reservados

sábado, maio 08, 2010

O amor não é uma palavra simples...é um verbo sem partida nem chegada





Vem depressa Amor,porque te sinto frágil no meu peito...a perder os arco-íris que pintei para ti e há um rio tão tranquilo dentro de mim que espera de novo ver-te naufragar...
Faz-me sentir segura nos abraços e nos beijos que guardei para te dar quando voltares a florir de mim..já soprei os meus desertos que ficaram despojados num só chão..já plantei novas sementes,mas acho que ainda não as consigo desejar tão puramente quanto desejei naqueles dias que moravas no meu coração cheio de vida e tão certo.

Vem depressa Amor,porque te sinto frágil...a fugires do meu horizonte por entre os dedos já cansados de escrever amores ausentes...das lágrimas passadas já fiz tantos mares a transbordar de sal...porque não nasce em mim uma nova onda de espuma que me molhe todas as angústias?
Tenho o sol preso à algibeira,como se fosse pecado deixá-lo brilhar outra vez...como se as estrelas tivessem correntes que ainda não aprendi a soltar...
E se te encontrar no fundo daquela nota mais profunda? Serás mais uma melodia ou um som vazio que nada em mim escuta?

Vem depressa Amor,porque te sinto frágil e a morrer dentro de mim numa metamorfose de medos e risos que nada consegue criar de tantas árvores cortadas ao relento...meu peixinho dos sonhos dourados,mergulha em paz.

Daniela Pereira
Direitos de Autor Reservados

quinta-feira, maio 06, 2010

O célebre motor...


Na impedância dos meus olhos
já não há espaço para silêncios turbo...
Ai como seria tão bom,se pudéssemos pausar o motor
e abraçar tranquilamente a ressonância da viagem...
sem sentir todas as pedras ocas
que nos entupiram o coração pelo caminho...

Daniela Pereira in Impedâncias cognitivas
Direitos de Autor Reservados

foto "La lumiére" de Daniela Pereira

sábado, maio 01, 2010

L'amour...






"L'amour... "

...E porque o amor jamais será eterno então não te posso amar porque não conheço a estrada do infinito...
Amo-te só num pequeno espaço de tempo..como se desse um beijo às rosas antes de caírem murchas no chão...
Não deixes doces sementes ao abandono nos braços da desilusão...rega-te e quando te sentires perto do fim...ama-te porque ainda és pétala rosa..


Daniela Pereira
Direitos de Autor Reservados

quarta-feira, abril 28, 2010

melodias discretamente incertas...




Fechar os olhos...respirar...paz...nuvens negras vão suspensas lá ao fundo...bem lá ao fundo...
...Que venha a paz quando abrir os olhos devagarinho....silêncio que a alma respira por fim...

terça-feira, abril 27, 2010

The puppet mirror...




Já não tenho cordas para controlar os meus gestos...
Já não tenho espelhos por partir...
todos os vidros já me rasgaram a pele e desenharam-me a alma outra vez...
Se vi o luar à luz de um rio impuro...hoje ainda me ardem os olhos por ter mergulhado a seco em ti...
Marioneta dos sentidos e dos prazeres adiados deixa-me dançar ao som dos meus desejos...
Estou cansada de fantasmas que me assombram os beijos e me atropelam a ternura como se fossem camiões desgovernados a pedir um corpo por um fio...
Já não tenho tesouras presas aos meus dedos...cortei-me fundo e esvaziei-me de veias mornas...

Daniela Pereira
Direitos de autor reservados

domingo, abril 25, 2010

Ainda é Abril...





Em todas as cinzas plantei cravos vermelhos e arranquei espinhos profundos....
e tudo o que jamais fui capaz de soprar ergue-se hoje mais livre de culpas e correntes...

Em todas as grades derrubei sólidas prisões da alma com uma caneta revolta em aromas passados e uma pomba de asas abertas esvoaçando no peito coberto de areia..

Em todas as ruas por onde passei rasguei-me de paixões e remendei-me com ilusões e sonhos a granel...
Ainda bem que existem canteiros com flores e sorrisos de sabão para combater a feia escuridão que espreita lá fora!

Em todos os amores que abracei nem a pele ficou por vestir nos ternos abraços...e se lágrimas chorei foi por não me sentir crente que alguns amores tivessem a palavra liberdade escrita na testa...
Ainda bem que existem letras negras para eu forrar as fendas das paredes e corações vermelhos com gosto a rebuçado...
Digo adeus às lutas amargas porque hoje é Abril e ainda ficaram tantas flores por despir...

Daniela Pereira
Direitos de autor Reservados

terça-feira, abril 20, 2010

Sublinhados...




De todas as marcas e símbolos do quotidiano....escolhi o ponto final como prova da minha vontade mais formosa...
O ponto..sem curvas incorrectas nem virgulas amestradas...és um ponto final no meu caminho reticente..
E em todas exclamações que já dedilhei na guitarra de fumo..tu foste o espanto mais desafinado do meu peito...
Dou pausas no prazer e sigo serena nas minhas páginas de sonhos revestidas...
Sei que tenho uma pergunta irregular algures à minha espera...mas prefiro saltar os pontos de interrogação que me deste.

De todas as marcas...escolhi o ponto final como valor supremo na minha boca...


Daniela Pereira in Sublinhados
Direitos de autor reservados

sábado, abril 10, 2010

"De azul se faz mais um pouco de cor





...E eu aqui fico imersa em devaneios e alguns paleios menores...
Não gosto deste mundo tão certo que não me faz vénias quando planto papoilas nem me beija a mão quando desenho borboletas com a ponta dos dedos e digo adeus à nuvem cinzenta que caminha distraída com o seu passo a saber a chuva...
Pode chover que eu não me importo...
conheço as minhas lágrimas de sal como conheço os ceus azuis por onde já bailei destemida com a mente seca de pensamentos e o coração cheio de mais alguma coisa que ontem era coisa nenhuma...
Pode chover que eu não me importo...
as pedras são para aqueles que perderam a vontade de voar e eu gosto de amar com gotas de chuva...
E eu posso ser pequena neste mundo bafejado de gigantes mas jamais estarei só..
Embalo sonhos na minha sombra e os ventos fazem castelos nos meus cabelos enquanto faço serenatas ao bicho papão ...
E eu tenho um certo gozo em ver-te contente imaginando que embrulho folhas de papel como quem faz um laço ao sol da Primavera bem apertado para ele não mais fugir..
e lá fico perdida no horizonte de Inverno a ver chegar os pássaros de luz com melodias de areia...
no meu mundo...no meu mundo...

Daniela Pereira in "De azul se faz mais um pouco de cor"
Direitos Reservados

sábado, abril 03, 2010

Papoilas




Por todas as palavras que não disse...
Ficaram papoilas por florir e rosas por murchar...
Mas o vento fez-me a vontade e levou para longe os teus silêncios amargurados
e enquanto o vento sopra...já não há mais nada por dizer.
Fecho a janela às madrugadas vestidas de branco...


Daniela Pereira
Direitos de Autor Reservados

quinta-feira, março 25, 2010

O peixe riscadinho e o gato sem riscas...





Era uma vez um peixe riscadinho e um gato preto sem nenhuma risca no pêlo...
O peixe riscadinho vivia num lago e passava os dias a nadar feliz no seu cantinho de águas limpas.Algumas vezes ele gostava de mergulhar bem fundo e ir ter com as pedras ou com as algas que encontrava sempre agarrada a elas.Nas tardes com sol a água aquecia e o peixinho fechava os olhos e flutuava contra o vento.
Nessa casa mas afastado do jardim vivia também um gato..um gato preto de gestos ágeis e pêlo brilhante.O gato sem riscas gostava de ficar até bem tarde na cama..era muito friorento e preferia o quentinho dos cobertores da dona ao ar frio das manhãs.Por vezes também gostava de ficar à janela, a olhar para os amigos vizinhos que o cumprimentavam de longe.
Um dia o peixe riscadinho estava a gozar uma tarde de sol no seu lago,livre de pensamentos quando ergueu os olhos para o céu e viu uma grande mancha negra e uns grandes olhos verdes a olhar fixamente para ele.Assustado deu um enorme pulo e o gato preto num reflexo inesperado esticou a pata na sua direcção mas não agarrou o peixinho. O pobre do peixe ficou com o coração aos saltos depois daquele grande susto e o gato ao vê-lo em tamanha aflição apressou um pedido de desculpas...
- Mil perdões companheira,foi mais forte do que eu..é que ao olhar para si imaginei-a com ares de uma apetitosa sardinha.Mas deixe-me que lhe diga,que a senhora para sardinha é um pouco estranha com essas riscas pretas nas costas.
O peixe foi lentamente recuperando o fôlego e logo deu resposta ao gato preto atrevido...
-Pois fique sabendo que não sou sardinha nenhuma,mas sim um peixe de linhagem asiática e de paladar refinado,digo-lhe eu!Disse o peixe riscadinho ofendido pelo desconhecimento da sua classe...
-Mais uma vez desculpa,mas não digas que tens paladar refinado,porque aviso-te que ainda não meti nada nesta barriguinha hoje e as tuas palavras estão a aumentar-me a fome...disse o gato preto salivando sem se aperceber.
-Bem,senhor gato é melhor mudarmos de assunto realmente...achou melhor dizer o peixinho,já a imaginar-se na boca daquele grande gato preto esfomeado e o gato assim fez.
-Não tinha reparado que moravas aqui neste lago e passo tanto tempo neste jardim...
-É natural,quando a água está mais fria eu prefiro ficar escondido debaixo das pedras onde está mais quentinho,por isso nunca deves ter reparado em mim durante os dias de Inverno..explicou o peixe ao gato curioso.O gato piscou um olho porque um raio de sol tinha entrado demasiado fundo e lhe ofuscado a visão...
-Mas olha que eu no Inverno,também não ando muito cá pelo jardim...primeiro porque está frio..segundo porque odeio molhar as patas quando chove e terceiro não há muito para se ver em dias de tempestade para além de um vento irritante a zumbir-me nas orelhinhas.
O peixe explicou-lhe que também não era adepto dos dias frios e que era normal hibernar no fundo do lago até a água aquecer...
O gato achou estranho e imaginou-se no fundo do lago de patas para o ar sem mexer um músculo...mas quando pensava nisso mais se lembrava que assim iria parecer que estava morto.
-Ai,que estranho essa coisa do hibernar...mas tu não tens fome,nem ficas com dores no corpo por estares tanto tempo parado no fundo da água?E os teus donos nunca pensaram que estavas morto ao ver-te assim?Aquela história do fingir de morto durante o Inverno ultrapassava a sensatez do gato preto,que não consegui ver vantagem nenhuma em poder ser confundido com um animal moribundo e ser atirado para uma cova cheia de terra ou então no caso do peixinho ser descartado para o esgoto ou para a boca do cão da casa o que seria um cenário ainda pior para imaginar.


Daniela Pereira
Direitos de autor reservados

quarta-feira, março 24, 2010

Seda...




A seda de todos os sonhos não se tece em vasos partidos...

Foto @ Daniela Pereira

http://olhares.aeiou.pt/seda_foto3562065.html

domingo, março 21, 2010

Ao acaso...




Quero gritar bem alto...
Projectar as palavras
para longe da garganta.
Libertá-la deste nó
que a sufoca
sempre que abro a boca.

Escrever frases sem nexo
sem conexão com os sentidos.
Cortar ligações entre palavras
e os sentimentos enlouquecidos .
Amachucar as letras
como se elas fossem apenas desperdícios.
Juntá-las por brincadeira
e como uma criança
construir palavras sem pensar.

Respirar lentamente
este ar doce que me envolve
enquanto a noite acaricia
a minha pele com mãos de veludo.
Olhar em frente
mas com o coração debruçado
nas curvas do silêncio
que ecoa no quarto.

Respirar profundamente
e asfixiar-me de desejos.
Rasgar os lençóis da cama
com os dentes trilhados na seda.
Quero rir bem alto...

Pregar os sorrisos à parede
como se fossem quadros.
Ensurdecer o silêncio
com gargalhadas sonoras.
Mergulhar numa banheira
encharcada de perfume
e fazer inveja às rosas.

Quero sonhar que ainda estou viva
enquanto caminho nas nuvens
e deixar morrer suavemente nos meus braços
todos os desejos sonhados contigo ao acaso.

Daniela Pereira in "Cortar as Palavras num só Golpe,Corpos Editora 2005"
Direitos de Autor Reservados

sábado, março 13, 2010

Façam festas às paredes como se elas fossem de veludo...





Soltem-se os braços porque as minhas mãos já não são roseiras com espinhos e os abraços são para se dar até ao último fôlego da tristeza que se quer raio de sol...
Corações ao alto...porque um coração de rastos não sabe bater ao som do compasso...
Almas ao vento....porque uma alma amarrada não tem vida de borboleta e é um sopro sem voz...
Beijem as nuvens que passam..porque ontem eram trovoada e hoje já só sabem ser nuvens cinzentas ,ai como é bom saber que nenhuma chuvada ficou por cair nos teus ombros molhados!
Ai como é bom sentir que acidez que sentias no teu peito já não vence a doçura que sempre pingas na tua boca quando sorris para o vazio sentindo-o cheio de espuma branca...
Corações ao alto...porque os corações não são pedras para amontoar num só chão à espera que os pisem de novo..
Almas ao vento..porque o poeta já não tem cordas na língua nem cravos pregados nas prosas...
Façam festas às paredes como se elas fossem o pedaço mais suave que as vossas mãos podem sentir...
Depois carimbem estrelas em cada passo que passe por vós para retribuir até os momentos de escuridão com luas maiores...
Ai como é bom sentir que ainda temos um coração capaz de apaziguar todos os nossos monstros de cartão...


Daniela Pereira
Direitos de Autor Reservados

terça-feira, março 09, 2010

Para as Mulheres da minha vida....


8 de Março de 2010-Dia Internacional da Mulher




Para as Mulheres da minha vida deixo um sorriso colorido e o abraço mais apertado que nos braços posso conter....
Para as Mulheres da minha vida..que são mães,doces e protectoras...
Que são fadas sem asas mas sempre me aconchegam os sonhos se na noite passada tive pesadelos...
Que me escutam,mesmo quando digo disparates ou encho os olhos com lágrimas salgadas e perco a força que em mim procuram ver..
Que são amigas...ternas,fieis até quando não consigo ser perfeita e lambem as minhas imperfeições até sentirem que já não há ferida...
Para as Mulheres da minha vida roubo pedaços ao céu..sopro nuvens negras...pinto o sol em tons de mel...perco o calor do meu peito se no coração de alguma entristeço...
Pelas Mulheres da minha vida perco a voz..solto o grito..atravesso o escuro porque no fundo do corredor elas trazem-me sempre uma nova luz à minha escuridão...

Às Mulheres da minha vida..Obrigado por serem tão Mulheres....
Um beijo nos gestos*

Daniela Pereira

quinta-feira, março 04, 2010

O Inferno fica sempre à escuta...






Se todos os seres tivessem alma em vez de dois neurónios certeiros...
não existiriam rios manchados de impurezas nem vagabundos perdidos na rua à espera que a chuva fosse feita de gordos tostões para puderem encher os bolsos vazios..

Se as mãos do Homem fossem mãos de pescadores a fome do mundo morreria no fundo da barriga de um peixe e o pão dos pobres teria fermento...
De magras carcaças o Céu
já está tão cheio!
Mas a Natureza parece que nos quer engolir num leito de terra e pastas de lama
e o Céu hoje é pasto de anjos...

E o Homem grita que tem fome de calmaria e pede uma chuva branda e mares adormecidos... mas o Inferno fica sempre à escuta com as mãos a tremer de frio.


Daniela Pereira
Direitos de Autor Reservados

Foto by @Daniela Pereira

segunda-feira, março 01, 2010

Ainda fico de braços abertos...

Goldfrapp-It's Not Over Yet(Grace & Klaxons Cover)






Ainda não terminei as lágrimas e os laços desapertados
que me deixam solta nos vazios temporários...
Não posso entristecer..porque estar triste é perder forças..
Porque estar cansada...
ser flor cortada ao meio é dispensável num mundo que se quer inteiro.
Ainda não terminei as lágrimas e os cansaços...
Ontem vi um sorriso à espreita e pedi-lhe um abraço parada junto à porta..
mas ele não me viu ..
acho que se esqueceu que eu costumo estar ali de braços abertos...

Daniela Pereira
D.R

sábado, fevereiro 27, 2010

Insólitos Descartáveis I

Insólitos Descartáveis- Excerto do texto "Somos cães que as larvas desprezam"






Não quero ser arrogante nas palavras que exalo, mas a arrogância aqui faz todo o sentido. Estou a olhar o mundo que está lá fora e sinto nojo por senti-lo assim....bruto e grotesco. As pessoas parecem uma matilha de cães esfomeados lutando pelo melhor pedaço que a vida lhes atira ao chão.. e como cães que são mostram-se bichos rudes e insensíveis não hesitando em morder os fracos e derrotados até ficarem com os dentes bem cravados na carne... porque neste mundo só os vencedores merecem comer. Vale tudo para se ser feliz neste planeta de mesquinhez e cobardia! Queres ser feliz ? Então, não penses mais porque a maneira mais fácil de lá chegares é devorares a felicidade dos outros...engole-a só para ti...tira-lhe o ar e depois deixa-a seca e vazia num canto qualquer da tua rua. De preferência, num canto escuro, só para que ninguém veja o teu trabalho sujo a brilhar na sujeira que amontoas na tua alma. Não podes ser descuidado e deixar á mostra de todos, as lágrimas daqueles que espezinhaste porque ainda rompes a tua máscara e toda a gente vai saber que és um monstro horrendo. Montaste ao meu coração um cenário lindo de morrer! Só podia porque no fim ele será o meu cemitério ...e a morte de um sentimento tem que ser celebrada com euforia e cor. Fico a rir dos teus rios límpidos e cristalinos, onde a água é na tua dimensão imaginária um objecto de pureza extrema. Achas que não consigo ver que ela está conspurcada de restos maltratados? Louco e inocente...é isso que és! Tenho olhos de breu, mas ainda consigo ver para lá da mentira porque a verdade nunca me enganou e sabe bem guiar os meus passos. Iludiste-me... enfeitiçaste-me com palavras doces e lenga-lengas, mas o meu peito sempre desconfiou dessa doçura reforçada. Batia mais forte...é certo que batia! Mas em todas as corridas que fazemos o coração acelera mesmo que tu vás direito a um precipício ...ele não pára. Não escolhe porque bate...apenas sente debaixo de um emaranhado de músculos entalados na carne e abraçados por sangue que tão depressa ferve como congela a uma velocidade estonteante.
O mundo gosta de pregar sermões aos peixes... de cuspir amabilidades e falsas certezas pela simplicidade do acto. Ser sincero é muito mais trabalhoso! Custa sofrer quando se diz uma verdade e ela é sentida até à raiz dos teus cabelos....imagina-a como uma dor dentes...

Daniela Pereira in Afectos Obsessivos (Excerto do texto “Somos cães que as larvas desprezam”),Edições Ecopy 2007

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Aproximações


Todas as recordações guardam perfumes e gotas de sal em frascos de vidro fosco..Todos os teus passos têm cheiro a passado..gosto a presente e gestos para memória futura...O resto..o que não nos marca...o vento sopra como folhas castanhas que o Outono desprezou




E quando dançamos...dançam aos nossos pés todas as estrelas caídas na maré dos nossos sonhos...E todos os jardins ganham cor nos amontoados de terra que ninguém quis florir...Já tens margaridas brancas penduradas nos cabelos e nos teus lábios rosas de carmim ganham mais carne...Mas quando dançamos a tua alma é fresca brisa que me arrefece até aos ossos..


Daniela Pereira
Direitos de Autor Reservados


segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Afago ...


E
nos teus olhos vi o sol poisar aos pés da lua todos os teus segredos...
as tuas viagens nocturnas pelos telhados e as marcas das tuas passagens
gentis.. Afago-te...já não pareces cansada mas apesar de tudo...ainda
descansas


Daniela Pereira

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Quando uma chama respira na tua boca..morre uma cinza nos teus cabelos..


Vamos celebrar as palavras como quem festeja os anos que passam..
Os anos que correm nas tuas veias,apenas se virares o mundo de pernas para o ar...
Se não, o chão pára a ver-te silenciar o coração
como se tu fosses uma rosa sem espinhos
que o vento não perdoa...

Vamos dizer que estás vivo..
Que a água que te molha os pés e te faz espirrar
já foi um rio num dia que passou
na folha escrita do teu calendário...
Sei de fonte segura que te rasgaram algumas vezes...mas tu não te fizeste página rasgada e rasuraste as tuas feridas mais profundas lambendo o mel que te colou..
E morreram os teus amargos de boca
esmagados pelo peso daqueles dedos que gritavam...
LIBERDADE

E se as palavras te disserem...
Sentes medo ?

Tu vestes um sorriso..
como quem veste a pele de um filho acabado de nascer
e com todas as tuas forças
proteges a tua boca de todos os frios de Inverno
que já viste em ti mil vezes renascer...
Depois ficas sossegada no teu mundo
a desenhar luas no tecto
e a tatuar estrelas nos tornozelos
à espera que peixes dourados
vejam em ti uma onda de água doce
reflectida num espelho...
Não te partes...
Queres-te inteira
a saborear os mergulhos
e já não és mais um resto de ser...
És borboleta que desponta ao pôr-do-sol..
És orvalho com folhas por beijar...
És castiçal de luz e a escuridão já não te vela...

"Se as tuas palavras estão vivas
e o teu coração bate tão depressa no respirar de cada uma delas..
então menina dos olhos de terra
tu só podes ser alegremente
um belo poema imortal..."


Daniela Pereira
Direitos Reservados

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Aqueles gestos nas horas vazias...


Perfumes ácidos nas tuas pétalas mais doces...
Chuvas corroídas nas veias...
Eternamente ...uma desfolhada de ternura na eira do meu peito...

Daniela Pereira

Direitos de Autor Reservados...Foto e texto da autoria de Daniela Pereira



domingo, janeiro 10, 2010

Meio sonho acordado...



Foto por Daniela Pereira
Direitos Reservados



Jamais me fiz ao Mundo
sem caminhar com os olhos
olhando de frente a maré...
Já rasguei ondas e vendavais
com os dedos cortando chapa...
Existem telhados que são de vidro
e o meu coração há-de ser sempre
uma fina vidraça e nada mais..

Se fechar os olhos vou dormir
e o resto do mundo
há-de permanecer acordado
dando vivas à sua existência experimental...

Porque não vamos ser fadas ou cardeais por um dia...
só para desventrar a melancolia?
Apetece-me ter asas nas costas e escamas na pele
para não me afogar nos meus voos ..

Deixa-me ser mais um grão de poeira
amansado pelo cansaço
para eu dormir tranquila este chão de areia...


Jamais me fiz ao Mundo
sem lhe perguntar
porque não há respostas
para a tristeza de um olhar e para o singelo grito de mudança...

Se fechar os olhos vou dormir e tu coração de maçã vais dormir comigo com os cabelos cheirando ao pomar da manhã...

Daniela Pereira in "Meio sonho acordado"
Direitos de autor reservados

quinta-feira, janeiro 07, 2010

A estrelinha dos desejos e a nuvem das desilusões





Era uma vez uma estrelinha que brilhava mais do que todas as outras estrelinhas penduradas lá no céu...
Esta estrela tinha um brilho invulgar porque alimentava-se dos desejos que todas as pessoas do mundo lá de baixo iam atirando ao vento que passava..
Mas também havia uma nuvem lá no céu...cinzenta e mal encarada. Era a nuvem das desilusões que chorava sempre que alguém não conseguia realizar um sonho,porque sentia um coração mais apertado. Quando isso acontecia, a pobre nuvem cinzenta espremia o coração e todo ele se desfazia em grossas gotas de chuva salgada.
A estrelinha dos desejos não gostava muito da sua vizinha,porque era triste e sempre que a via tão chorosa lembrava-se que algum desejo não se realizava.A estrelinha era muito esforçada,passava os dias a viajar de país em país a escutar os desejos que as pessoas deixavam sussurrados na cabeceira.Depois fazia uma lista com todos os desejos gravados em tinta azul que as borboletas traziam às escondidas de algumas flores mais distraídas e pronto ..depois era só deixar todas as noites uma luzinha nos corações das pessoas para iluminar a vontade de realizarem os seus desejos mais queridos que a estrelinha sempre os ajudava.
Então se a estrelinha nunca deixava sozinhos os desejos das pessoas porque seria que alguns ficavam perdidos e por realizar? A nuvem das desilusões era a única que sabia o quanto custava perder um desejo..
As pessoas por vezes desejavam com tanta força um sonho que ele ficava sufocado antes mesmo de vir ao mundo. Mas se todos os desejos fossem realizados pela estrelinha dos desejos quem daria valor aos desejos realizados?Realizar um sonho já não teria o mesmo sabor.Por isso a nuvem das desilusões lá está, escondida no céu para lembrar às pessoas que tudo o que se deseja pode ser desilusão se não for trabalhado com muito amor e carinho.


Daniela Pereira in "Contos sem pés nem cabeça mas de coração cheio"
Direitos de autor reservados