segunda-feira, outubro 29, 2007

Eu e o meu medo...o meu medo e Eu...




EStou deitada de olhos presos num tecto pintado de branco e o tempo passa devagar...

Tenho os olhos pesados pelas lágrimas, mas não os consigo fechar e as horas vão passando todas iguais...estupidamente iguais, só porque não tenho forças para adormecer com tantos pensamentos a correr cá por dentro.

Sinto medo...de quê?Não sei!Mas é medo aquilo que sinto...

Tento explicar o que ele me faz sentir e reviro todas as palavras que conheço e até invento algumas...

Crio paisagens com os dedos, e só para fugir do escuro, imagino que planto candeeiros no cimento e fico à espera que a luz nasça em mim como se de uma flor tardia se tratasse.E são os meus olhos que esta noite a vai regar...

Eu sei que tudo á minha volta está calado...mas ouço gritos sem voz que me baralham a paz e me lançam para outras guerras e eu vou...

E o medo dá pontapés cá por dentro e grita...És culpada da escuridão e de todos os males que no teu mundo se atravessam sem pensar.Então..eu arranco a minha mente e flutuo vazia sem hesitar...

OK-Do you want something simple?The Gift



Cruelmente...Daniela

quarta-feira, outubro 10, 2007

A fobia de um poema




Hoje fiz um poema...

Abri o peito devagarinho
e baixei a cabeça para deixar sair uma letra de cada vez ...

Mas quando ergui o olhar
estava cercada por um mar de palavras.

Como não sei nadar... fiz-me ilha a flutuar
e procurei um barco de papel ainda vazio em todas as gavetas.

Mas todas as folhas que possuía
navegavam cheias de pensamentos ...
e o meu corpo não tinha espaço para atracar.

Então, encorajada pelo medo da água bravia...
descobri que tinha asas escondidas nos dedos
e tatuei na pele borboletas para voar mais serena...


Direitos Reservados
Daniela Pereira

sábado, outubro 06, 2007

Pulsações nocturnas...




Estás aí?

Sabes dizer-me
porque é que esta noite
este amor perdido
ainda doeu cá por dentro?
Porque é que o mundo
tão esperto e sabido...
não consegue sentir
o meu desespero
quando na minha cabeça
nascem poemas à toa
a cada segundo de escuridão?
Como dói...
não saber como pregar
folhas de papel no ar
e sentir que da respiração
não escorre tinta
porque a tua boca
nunca poderá segurar uma caneta.
E se me esqueço
de uma só palavra que seja?
Saberei amanhã
descrever com exactidão
o que me fez sentir esta dor...
Ou lamentarei ao acordar
por não lhe ter decorado o rosto?
Ainda ouves as minhas dúvidas...
ou pensarás tu
que és rei e senhor de todas as certezas!
E eu?
Quanto tempo mais
ficarei aqui...?
Assim...agarrada às 24 horas do relógio
a dar murros na cama...
à procura de uma navalha
esquecida debaixo do travesseiro...
Quero ver se a lâmina
faz feridas na pele
se eu ousar virar a carne do avesso
Pára de chorar!
Digo eu...a mim mesma
revoltada com as lágrimas
que desperdiço para o chão.
Pára de chorar aí dentro...
Grito eu para o coração
que se agita no peito...
Não sabes,
que lá fora
só existem bocas a sorrir?
O amor é uma dávida
e quem ama vive contente
diz o mundo apaixonado
com o Sérgio Godinho nos olhos...

Então...
Porque sentes
que ter amado intensamente não chegou
para matar a tua tristeza!
Que tanto amor inventado
e tantas formas de amar por ti descobertas
foram todas em vão...
A felicidade não te ama...
seduz-te e faz-te carinhos
mas vive com molas amarradas aos pés...
porque logo te abandona
num salto.
Mas como pode ela abraçar-se a ti?
Se nos teus olhos
nunca ninguém viu o pulsar da tua alma...


Daniela Pereira
Direitos Reservados

sexta-feira, outubro 05, 2007

Mais de 1000 razões...para não deixar o mundo no prato




Hoje, tenho mil braços...

e apesar de serem tantos os abraços

eles não chegam para me reconfortar.

A canção dizia...

Tenho uma lágrima no canto do olho...

e eu...

tenho somente um oceano a transbordar

bem no centro do olhar.

Logo perdoem-me

se as palavras salgarem o papel...

mas uma tempestade...deixa sempre as suas marcas.

Desaparecem com o tempo...

O sol é milagroso

e eu sou fiel à luz do dia

mesmo quando me sinto escrava da noite nos meus pensamentos.

Hoje tenho mil e uma gargantas...

Porque cada grito mudo

é um hino à tolerância humana

e hoje a capacidade de resistência

é o meu feito olímpico.

Editors-Smokers Outside The Hospital Doors






Por isso tragam a mim...

os braços e os abraços...

os sorrisos e os laços...

as cores e os arco-íris reflectidos nas gotas de chuva

para quebrar a monotonia do branco...

Por fim atirem-me lá de cima

o sol ainda embrulhado na lua...

porque o amor e o sexo

prolongam-se nos astros

com o mesmo prazer

com que se ama e se entrega

a alma e o corpo numa rua.

Porque hoje...

eu quero engolir o mundo

como recompensa...

e se um só pedaço dele escapar à avidez

que pinga desta boca...

então...a minha fome de viver

não será mais gula!

Daniela Pereira

Direitos Reservados

terça-feira, outubro 02, 2007

Rugas no papel...


Colder by ~NanFe on deviantART

Faltou dizer aquele pequeno nada
que por medo ou protecção
deixamos ficar encaixado na garganta
até o sentir desvanecer...
Será que o mundo sabe...
que todos os dias
inventei uma cor diferente
para pintar o teu céu?
Queria ter um acordar original
e tu fazias parte do meu quadro mais que perfeito.
E quem conhece...
o sorriso que eu pregava na cabeceira
só porque algumas palavras
deitavam-se na cama comigo?
Faltou dizê-lo...
mas a língua travou
na minha boca cerrada.
E a força de um sentimento inexplicável?
Não usava cordas...
muito menos amarras.
Dava-me toda a liberdade
e muitas vezes elevava-me aos céus num segundo.
Mas nunca ninguém
me soube explicar
porque é que a dor da queda era tão atroz..
E eu levantei-me sempre
mesmo quando do meu corpo
só sentia os ossos
porque a carne
dentro de mim
converteu-se em pó...
Feridas na pele...
rasgos no peito...
mares à solta na madrugada do olhar...
beijos trocados nas cinzas da noite...
Tantos nadas que ficaram por contar...
Acho que espetei a caneta na alma
com tanta força...
que nunca mais fui capaz de a tirar
para rejuvenescer o meu poema
e eu envelheci calada.


Daniela Pereira

Direitos Reservados