quarta-feira, dezembro 31, 2008

Para vocês um 2009 com poesia e côr....

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Para vocês que me apoiam

quando me sinto sozinha...

para quem amei..

para quem abracei forte...

para quem sabe que vivo de emoções

e as entende...

para quem sente as minhas tempestades

mas que nunca deixa que eu me afogue nelas...

para os amigos que estão perto de mim..

para os amigos

que lembram-se de mim nos momentos

em que mais preciso deles...

para os amigos que não guardam palavras de conforto e sorriem comigo...

para os que já me viram fraquejar mas nunca se

esqueceram que luto sempre por eles

com todas as minhas forças...

para os que amam a minha alma

e me inspiram na poesia...

para os que me viram doente

e me ofereceram

o ombro para chorar e positivismo

para me levantar de todas as quedas...

para os que gostam de mim...

para os que já gostaram..

para os que se sentem felizes

porque eu existo e estou aqui

quando de mim precisam...

para os que se sentem tristes comigo

e não me entendem...

para os que me viram pintar estrelas no tecto..

para os que me fazem chorar com o seu silêncio...

para os que me fazem dar gargalhadas...

para os que cuidaram de mim..

para aqueles que me abandonaram...

para quem feri..

.para quem magoei..

para quem desiludi....

para todos que fazem parte da minha vida...

para aqueles que já se sentiram parte dela...


desejo um Feliz 2009, com saúde, amor , compreensão
e muita paz

Daniela Pereira..Eternamente Blue para os amigos

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Contas-me um final feliz?

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Vou-te escrever um conto..

contar todos os finais que queria tirar da cartola

e varrer todas as gatas borralheiras

que encontrar por aí...

Prender as fadas pelo pescoço

e deixá-las a apodrecer no tecto

com um duende de braços abertos

à espera de lhe apanhar algum resto de magia

que lhes escorra das estrelas que cravaram no nariz...

Vou-te escrever um poema...

com palavras e palavrinhas

e rosas depenadas...

versos a saltar ao pé coxinho

com rimas soltas desafiando os sentidos...

Vou-te escrever uma lista de desejos

impossíveis de alcançar...

mas mesmo assim não vou perder a esperança

do Pai Natal de mim se lembrar...

Deixo-lhe um prato de sopa quentinha debaixo da lareira

e outro com lágrimas minhas a brilhar

e uma carta com uma história triste para contar...

Vou-te escrever...

vou-te escrever..

Espera só a música acabar

de remexer as feridas do meu peito

porque as palavras gostam

de um coração bem suturado...

Onde tudo foi...Era uma vez..

existirá um final feliz por contar?

Daniela Pereira

Direitos Reservados

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Perdeste uma lágrima?

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Não chores..não chores..

Peço aos meus olhos

para perderem as lágrimas..

para secarem completamente a dor no olhar.

Não penses..não penses..

peço à mente

para adormecer os pensamentos

com um sorriso sereno.

Mas há lágrimas pelo chão

e imagens na cabeça

bailando rasteiras

uma melodia infernal.

Não chores mais...

queres o teu sorriso de volta

mas ele ainda não quis voltar para ti...

Prefere as folhas a rodopiar no jardim

e os poemas que jogo ao vento

e escuta-os de boca fechada

para não gritar...

Não chores..

estou cansada de te ver chorar

desse ar triste

que pintas-te no rosto

e que não sai...

estou cansada de tanto esfregar..

Tenho os dedos em sangue

e a língua com carne viva à mostra...

são as palavras que me ferem.

Não quero mais chorar...

Não quero mais chorar..

Maldita dor que não passas..

Maldito amor que me sacodes com força...

Saudade maldita que estás a sentir

por quem já não vem..

Estás presa ao peito..

com nós cegos foste amarrada...

Com laços vermelhos no cabelo

és tu lembrada...


Daniela Pereira

terça-feira, dezembro 02, 2008

Brand New!




Aqui deixo um agradecimento ao Pedro , pela escolha do Livro Afectos Obsessivos no seu mais recente blog :"Brand New".

Um blog de divulgação cultural que dá agora os seus primeiros passos,,novidades de cinema,música, literatura e muito mais

Deixo aqui o convite para visitarem este espaço...

http://novissimas.blogspot.com/2008/11/livros-afectos-obsessivos-de-daniela.html

segunda-feira, novembro 24, 2008

O pedido

Pedes-me paz...
mas eu nunca te dei a guerra.
Não viste a flor branca que me prende o cabelo?
E a pomba que trago aninhada no meu colo...
Foi com penas dela que todas as palavras escrevi.
Mas o mar só me devolveu silêncio
e rochedos que rugiam baixinho
na maré baixa dos meus sonhos.
Fiz barcos de papel
com poesia nas velas...
e a bordo iam lágrimas de saudades
apertadas umas contra às outras...
Pintei estrelas com as poucas cores
que guardei junto ao peito..
Inventei abraços no vazio
que nunca chegavam.
Olhei espelhos
na esperança de ver algum reflexo
esculpido nas sombras...
tão cansada que me senti
da estúpida escuridão.
Pedes-me paz...
mas só me acusas
de me render à guerra...

Daniela Pereira
Direitos Reservados

quinta-feira, novembro 20, 2008

O mal não desejado...

Perguntei...
Achas que te desejo mal?
Respondeu..
Todo o mal que sentes é aquele que me desejaste a mim
Então lembrei os dias em que chorei
por não saber de ti..
Se sorrias acompanhado
ou choravas abandonado sem um abraço
a vestir-te o corpo...
Desejei-te mal?
Que mal se pode desejar a quem se ama?
A todas as saudades sem endereço
nem porta para abrir?
A todas as lágrimas que chorei
cansada por já não encontrar o teu sorriso
que conhecia tão bem como a cor da minha pele...
Que mal posso eu desejar?
A todos os sabores guardados na minha boca
recordando mil e um beijos dados com paixão?
Se eu os tivesse queimado
juntamente com cada pedaço do meu corpo
que já foi teu..
ainda teria a alma para me lembrar de ti.
Não quero que penses em mim disse...
Como se o pensamento fosse um interruptor
que se liga e desliga mediante a amplitude de escuridão que nos assola o rosto...
Como se o pensamento fosse uma folha de papel com palavras escritas a mais...
pedindo para serem apagadas com tinta branca...
Desejas-me mal?
Não..só desejei mal a mim quando lutei por ti...







O meu lado oculto


Se as paredes do meu quarto tivessem sido erguidas com boca e garganta suficientemente forte

para te gritar ao ouvido todas as noites que passei em branco a rezar por ti...
A pedir a Deus que não sentisses frio...que cuidasse de ti..
Se todas as lágrimas com que encharquei a minha almofada não estivessem hoje secas...
Se os meus olhos não estivessem pintados com sombras coloridas para disfarçar a vermelhidão com que me levantei todas as manhãs por ter adormecido sem te ter ao meu lado...
Se visses as horas que passaram na porcaria dos relógios que o tempo não poupa..se visses todas as horas que perdi sorrindo com lembranças do teu cabelo..do teu olhar que me despia em sonhos porque na realidade deixaste-me vestida com um longo vestido preto costurado nas curvas do meu corpo...
Se me tivesses visto perder o apetite por já não conseguir esconder a dor que sentia porque a única fome que tinha era da tua imagem...
As tardes em que corri como louca para o jardim para ficar sozinha entre as flores e sentir-me por momentos de novo bonita rodeada de tanta beleza...porque tu ao ires embora deixaste-me feia
Que mal desejei a ti?Amar-te como amei foi desejar o teu mal?
Sofrer com a tua ausência,foi um feitiço contra ti..sugou-te as forças?
E as minhas forças?Quem as tirou de mim?Quem deixou a minha alma a sangrar e ignorou todo o meu sangue que corria desesperado nas minhas veias tentando chegar até ti?

Daniela Pereira

quarta-feira, novembro 12, 2008

O que distingue o ser humano de uma formiga?



O ser humano perdeu a capacidade de sentir culpa e responsabilidade pelos seus actos...
Numa sociedade em que as relações são descartáveis e fúteis na maioria das vezes, os sentimentos passaram para segundo plano..tornamo-nos canibais dos nossos instintos e desejos e perdemos a capacidade de saborear o que de bom nos é dado,para desejar sempre mais e melhor sem nunca nos sentirmos satisfeitos.
A sociedade só perde o seu egoísmo quando o mal lhe bate à porta e o mal dos outros desprezado for sentido na própria pele...aí todos descobrimos que não somos imortais mas sim humanos...só se aprende a dar algum valor ao sofrimento dos outros quando sofremos...só aprendemos a dar valor ao calor de uma palavra quando precisarmos dela e não a tivermos.
O ser humano ainda não aprendeu que a felicidade é um estado temporário e não é um bem adquirido...só seremos realmente felizes quando conseguirmos olhar para dentro de nós sem um único remorso...sem um único pensamento por expressar..quando todos os sentimentos forem livremente partilhados..quando a vergonha de dizer que sentimos..que sofremos..que sorrimos..que amamos ..quando essa vergonha de admitir que erramos..que somos frágeis mesmo aparentando ser fortes..quando essa vergonha for uma miragem o ser humano será um ser completo
Hoje nada mais somos do que formigas num carreiro, seguindo religiosamente o caminho que outros traçaram antes de nós..sem coragem para fazer um desvio.

Esta é uma imagem de desilusão..é mesmo um grito sentido de desilusão.
É perceber que não vale a pena sentir ou dizer o que se sente, porque já não existe tempo para ouvir as palavras dos outros...
É sentir que engolir uma dor é mais proveitoso para o mundo do que a libertarmos,porque corremos o risco de sermos acusados até por sofrer.
O mundo está a tornar-se frio,incrivelmente egoísta...nós estamos sempre primeiro que a pessoa ao lado,pode-se abandonar,destruir,ferir que tudo é permitido porque o fazemos para ficar bem mesmo que o outro não fique...
Se isto não é egoísmo,então já não conheço a definição dessa palavra...
Sem querer ser fria, porque acho que nunca o conseguirei ser..este é um grito para ser libertado.."O mundo está a tornar-se egoísta e insensível..está a perder a capacidade de sentir calor nos pequenos gestos que recebe todos os dias..um dia não haverá braços com vontade de abraçar..nem sorrisos preocupados com uma lágrima..um dia seremos como as pedras..imutáveis ,frios e distantes"

Assinado:

O desabafo de quem sente que já de nada vale sentir...

terça-feira, novembro 11, 2008

Aguaceiros




Cai chuva lá fora...
são aguaceiros a rasgar o frio de Inverno.
Chove mais aqui dentro
são tempestades à solta
que pendem dos meus olhos.
É fria a gota que me beija a boca...
é de gelo o vestido que enverga
e quando dança no meu rosto
o meu coração congela.
Chove...
é chuva aquilo que cai lá fora?
A chuva pesa tanto ao cair?
Quase que juro
que a cada gota que se perde no chão
há um buraco que se abre debaixo dos meus pés
e se prolonga até às profundezas do inferno.
Quase que juro..
que as gotas se desfazem em fumo
quando se enroscam na minha pele.
Chove mais aqui dentro
são nuvens negras a sorrir
e com cara feia
encharcam-me o pensamento
com chuva ácida..
Porque chove mais aqui dentro
do que os aguaceiros que caem lá fora?
Serei eu um pedaço de nuvem
que alguém esqueceu de erguer até ao céu
e me deixou eternamente presa às raízes que brotam na terra?
Será o meu corpo..
água fresca para carpir?
Chove tanto cá dentro..
por favor tragam um arco-íris para junto de mim!

Daniela Pereira
Direitos Reservados

quarta-feira, novembro 05, 2008

Liberdade nos dedos e cinzas na garganta...

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Não queria este olhar triste que de mim irrompe...

Queria rasgar as estrelas

com a mesma garra com que sempre as devorei nos meus olhos...

Lembrar-me de ti é lembrar-me do sorriso mais puro que perdi...

dos gestos tão verdadeiros que do meu corpo brotavam

a cada olhar teu que cruzava com o meu...

Subia o teu corpo e o céu era mesmo ali

debaixo do teu peito..

nas curvas do teu pescoço

e o sol dormia na tua boca

quando a enchia de beijos a ferver.

Será que ainda vês a lua

quando elevas os teus olhos na direcção do tecto?

Estará ela ainda suspensa no telhado...

ou já a fizeste em pedaços

para iluminar a escuridão no teu quarto?

A lua a mim já não me visita ...

acho que perdi a varinha de condão

no dia em que te foste embora...

parti-a no chão...

só ficaram vidros coloridos

e pozinhos de estrelas a encharcar-me o chão...

Até a folha de papel entristeceu as palavras

com a tua ausência

e o vento que as levava até ti

deixou de soprar..

Está deserto o meu olhar..

vazio e sem rumo

Perdeu o Norte..

desconfia do Sul

e tropeça sempre que caminha para Oeste...

a Este nada encontra..

Se as lágrimas fossem uma certeza do que sinto...

já teria um mar bem profundo

para navegar ou para ficar simplesmente à deriva

esperando que um dia me encontres

nas tuas viagens ao centro da tua alma.

Já teria rompido o ar com gritos e gritos

até explodir os pulmões do teu silêncio

para fazer uma vela com os restos do teu fôlego..

Amarga é a saudade solitária

sem braços que a aguardem ansiosos...

sem ombros para descansar de longas caminhadas no vazio...

Triste é esta saudade que dança nos meus olhos

perdida sem ti...

Raios partam estas lágrimas que não param de cair

sempre que me surges no pensamento

vestido de mil luzes e despido de outras tantas sombras!

Falta-me o ar e estas malditas lágrimas só me sufocam..

Dizes que és passado?

Então porque te sinto ainda tão presente dentro de mim?

Fugiste do meu mundo?

Então porque é que o meu mundo não dá nem um passo em frente

se tu não estiveres por perto

para me segurar quando sinto que estou a cair...?

E se tu cais?

Porque sinto que preciso de te erguer de todos os buracos

e de aquecer todos os frios que nascem em ti?

Eu estou no chão...de olhos pregados a todas as pedras da calçada...

com gelo a correr-me nas veias e mares a rebentarem-me as costelas.

São ossos...o que vou cuspindo da boca para fora

de tanto embater com o corpo contra às pedras.

É a minha carne que queimo todos os dias na escuridão

só para não me habituar demasiado à noite...

É o meu coração que bate forte ..tão forte mas sem ninguém o ouvir...

É o meu peito que recorda o aroma dos teus cabelos

quando dormes...

e se cheira uma flor

logo ali me diz que o perfume das flores é uma grande mentira...

É a minha voz que esconde o teu nome de anjo

atrás da língua com medo que a ouças a chamar por ti...

Não queria este olhar triste e banal

com erros passados pesando nos olhos

e das palavras convertidas em memórias sem futuro

não queria sentir nem um traço...

Raios partam o vermelho dos cravos e

o amarelo dos girassóis..

e o chilrear dos passarinhos

e os peixes nos anzóis...

Hoje a minha liberdade é cinza

os girassóis só me mostram onde se escondeu a lua

os pássaros irritam-me os ouvidos

e os peixes ...

esses ..

têm demasiadas espinhas

para deslizarem suavemente na minha garganta...


Daniela Pereira

Direitos reservados

segunda-feira, outubro 27, 2008

Para o vazio mastigar




Abro os olhos e engulo a seco o meu respirar...

Tenho o olhar distante e não viajo

por entre curvas e contracurvas

porque a minha mente vai mais longe

e não deixa marcas no caminho..

Silenciosa no chegar

põe o asfalto em brasa ao partir...

Vejo flores espalmadas nas nuvens

e o céu tem aroma a violetas

quando chove em mim...

Respiro...dispo o pouco que tenho de meu

e entrego-me a uma nudez interior

para que me soprem as chagas e o sangue seque mais depressa...

Cortei o cabelo e os ombros agora têm frio de manhã

e sem as negras ondas a aquecerem-lhe a carne

estão pálidos...chega de timidez dizem aos braços caídos...

Erguam-se e façam castelos no ar

porque os que fizeram na areia

há muito que viraram poeira!

Respiro...

Tenho saudades de sonhar com o mesmo abraço
sem ter que pensar porque é que estes braços não são teus..

Olho para os joelhos

encaixados nos ossos das pernas

e sinto-me estranha...

porque se elevam assim

duros como aços?

Não deviam ajoelhar

e abençoar todos os que passaram no meu chão?

Trago água benta nos dedos

para amaldiçoar todas as minhas tentações

mas tenho alma de anjo rebelde

que renunciou ao Paraíso

só para contrariar a linhagem dos frutos do pecado..
.

Engulo em seco o meu respirar..

já não tenho mais água nos olhos

e o meu rosto é só mais um deserto para o vazio mastigar...



Daniela Pereira

Direitos Reservados

quarta-feira, outubro 08, 2008

Daquele pouco que me faz sofrer tanto...



Hoje que não te tenho mais ao meu lado..
não te adoro ...eu simplesmente ainda te amo...
Amo-te até às lágrimas
porque os sorrisos já me parecem curtos demais
para levarem a minha boca até ti..
Os teus beijos secaram nos meus lábios pingados..
não resta mel nos dedos para lamber
não me dás mais flores para embelezar os meus dias..
mas também nunca me deste uma rosa..
nem uma pétala cheirei nas tuas mãos.
Entregavas-te deserto e eu era a água que matava a tua sede...
eram cactos que plantavas na minha pele
mas eu amava cada gota de sangue
que da minha carne arrancavas com o teu corpo..
Sentia-me viva quando sorria á tua espera...
sentia-me imortal quando chorava
porque o meu coração por ti batia
e tu não chegavas
mas sabia que vinhas a caminho...
Hoje choro porque não ouço mais os teus passos
trepando o chão na minha direcção
Sinto-me morta por dentro..
porque afinal sou mortal...
porque tenho palavras na minha cabeça
que parecem que nunca vão acabar
mas para ti já nada dizem...
porque adormeço com uma pedra contra o peito
que todas as noites o meu coração esmaga mais um pouco..
Já sinto raiva de te amar tanto assim..
já me sinto louca...
sinto que ao saíres da minha vida
viras-te o meu corpo do avesso
e eu nunca mais encontrei a minha forma...
Estou trocada...
troquei as ideias pelos vazios..
troquei as pernas pelo cansaço..
troquei o sol pela lua..
troquei os sonhos pela asfixia..
Estou trocada...
remendada ás pressas..
cortada às tiras
para ser agora devorada ás postas na escuridão.
Perdi uma parte da alma
porque dividi toda a doçura para o teu lado
e fiquei reduzida a fel...
Hoje já não te amo tanto..
amo-te mais um pouco...
mais um pouco...
daquele pouco que para ti eu era
e que para mim só esse pouco
já me faz sofrer tanto...

Daniela Pereira
Direitos Reservados

sexta-feira, setembro 26, 2008

Reflexo em vão



Engoles-me a alma e pregas-me o corpo à parede?
Deixas-me descoberta...como um vulto que se prolonga numa sombra sem fim anunciado.
Mentes...só o teu reflexo fala a verdade por ti...



Foto e texto por Daniela Pereira

quinta-feira, setembro 04, 2008

Suposições nocturnas...




Cala-me os sons da noite
porque só a tua respiração me importa ouvir...
Prende-me as luzes do quarto
que trago soltas no meu cabelo
e afaga-me delicadamente a pele
até me sentires apagada nos teus braços...
Existe um perfume no ar
e o meu corpo é uma maçã verde
que suculenta vai-se desfazendo na tua boca
e nos teus dedos
já se faz em pedaços...
Quero Vinho do Porto a regar-me o umbigo
e ser um cálice pronto a partir
ao primeiro toque
Quero lamber-te a pele
com a boca molhada
e a língua enrolada em puras brasas
mas sem te queimar o sangue
e só chamuscar-te de mansinho...
Quero beijos no pescoço
dados sem pressa
e sem destino nenhum
quero ver-te a percorrer-me as pernas
com as mãos pingando desejo
e os olhos aprisionados junto aos meus seios...
Podes fugir com a boca inquieta
e escalar-me o corpo com carinho
porque tens montanhas em êxtase
à espera de sentir a terra tremer...
Não me apetecem sombras nas paredes...
todos os objectos neste quarto
estão deformados no meu olhar
e eu só quero a tua sombra sobre mim
a esconder-me as curvas
entre vagas com uma ondulação vigorosa...


Murmuras baixinho
quando te desenterro a alma
com as pernas arqueadas
e voamos juntos
de asas abraçadas
deixando no chão do quarto
segredos sussurrados e marcas de prazer...

Daniela Pereira
Direitos Reservados

segunda-feira, agosto 25, 2008

Nas Águas do Verso


No cantinho do Devaneios aqui vos deixo uma boa nova...a minha participação numa colectânea de poesia que já se encontra disponível. O livro "Nas águas do Verso"... escrito a 100 mãos com muita alma..sorrisos e sal...
Aqui deixo o meu agradecimento ao João Ferreira e ao Pedro Lopes por fazer parte deste projecto de partilha das palavras de um mundo onde a poesia é um rio de sentimentos puros e transparentes...


Nas Águas do Verso é uma colectânea poética idealizada e coordenada por João Filipe Ferreira e Pedro Lopes.
Nesta obra é possível encontrar textos poéticos de 100 autores tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo.
Uma obra onde cada poeta expressa livremente as suas palavras, as suas emoções, visões e estados de espírito.
Em Nas Águas do Verso o leitor poderá navegar calmamente na beleza da poesia e da prosa poética, sem nunca perder o rumo, sem nunca se afogar nas palavras.
Com muito prazer, os autores oferecem-lhe esta obra que consideram ser tremendamente rica em poesia.
Sejam bem-vindos ao barco poético e uma vez nele, desfrutem da beleza das Águas do Verso.




Titulo: Nas Águas do Verso
Subtítulo: 100 Autores - 100 Poemas
Editor: Edições Ecopy
Colecção: Poetas Contemporâneos
Ano de Edição: 2008
N.º de páginas: 128
ISBN: 9789898080684
EAN: 9789898080684
Dimensões: 20,5 x 14,0 cm

Um livro fantástico, com textos de 100 pessoas tão diferentes que se unem para criar uma obra de imenso valor... Recomendado a quem aprecia a arte de ler e a magia das palavras...

Onde comprar:

Editora Ecopy
ecopy@macalfa.pt

Livraria Leitura (Porto)
http://www.livrarialeitura.pt
Rua de Ceuta, Nº 88
Telefone 222 076 200

Livraria Byblos (Lisboa)
http://www.byblos.pt/
Rua Carlos Alberto Mota 17 Edíficio Amoreiras Square
1070-313 LISBOA

Bulhosa Books & Living
Galeria Comercial das Amoreiras ( e restantes Livrarias Bulhosa)
Av. Engenheiro Duarte Pacheco, s/n Loja 1129
1170-103 Lisboa
http://www.bulhosa.pt/

segunda-feira, agosto 18, 2008

A folga do poeta...




Apetece-me escrever sobre o mar...
Sobre as ondas que nascem tão cheias de orgulho e fortes
e depois logo morrem com vergonha de engolir o mundo
numa só vaga...
Apetece-me escrever sobre o céu...
Aquele infinito que tantos poetas cantam no papel
mas quando olho pela janela...
vejo nuvens e mais nuvens...
e nem se quer sabem a algodão doce
porque já as tentei soprar , mas são tão espessas
que nada as remove do meu cenário
pintado com tinta azul...
Alguém roubou todas as cores do meu tinteiro...
e eu imagino um horizonte coberto de tons cinza...
Apetece-me escrever sobre o amor...
Aquele sentimento tão imenso
que nos leva a ser crianças 24 horas por dia
sem nunca hesitar em dar o salto...
o salto em queda livre...
a queda para o precipício..
O Amor...
Divino...sorrateiro...encantador....
Farpa que cega o olhar mas o rasgo fica no peito...
Gesto celestial de entregas e partilhas
por vezes tão debilmente equilibradas...
Eterna fonte da juventude...
curiosamente salgada quando chega ao fim...
A única eternidade que termina..
mas não é falsa...é só fraca
porque se deixa abater bem devagar
batendo com a cabeça contra os teus sonhos.
Apetece-me escrever sobre o ódio...
Sentimento banal mas recheado de tanta verdade
naqueles ossos ingratos...
Tem lágrimas geladas a caírem-lhe incessantemente pelo rosto abaixo
por isso dizem que o ódio é um sentimento feio...
e ele acredita e sente raiva por ser assim..
um monstro tão hediondo
que na verdade só quer voltar a ser bela adormecida...
pura e doce
sem mágoas nem despedidas a rasgarem-lhe a carne de seda...
Talvez por isso o ódio não goste de mim..
não se dê bem com o ar que respiro...
Sabe que já fui fada e tinha magia na ponta dos dedos
e que bastava abanar uma varinha de condão
para esquecer que o ódio existe
porque só o mel me entrava regularmente na boca...
Mas eu também não gosto dele...
calha bem..
assim o nosso Amor não resiste...
E o mar ainda tem ondas
e vagas fortes para me afogar
se me fartar da tranquilidade dos rios...
E o céu ainda pode ser pintado por mim
com a cor que bem me apetecer...
Por isso se acordar com vontade de o ver púrpura..
púrpura para mim será!
E de nada vai valer ouvir vozes de burro
pedindo estrelas e luares de prata
porque se eu quiser dentro de mim
o céu também pode ser breu
como pode ser um arco-íris
com cores nunca vistas pelos mortais...
Porque se eu quiser ser Feliz...
não há dor nenhuma no mundo
que me consiga impedir
de sorrir de novo para o mundo...
nem que tenha que construir o meu sorriso
dente por dente...
Por isso..
Hoje não acho que não me apetece escrever sobre nada...
escrevam vocês por mim...
escrevam vocês em mim...
porque hoje os meus dedos
têm fome de leitura...

Daniela Pereira
Direitos Reservados

quarta-feira, agosto 13, 2008

O invulgar silêncio do teu grito






Se as palavras já não entendes
porque hei-de eu deixar sair letras vazias
salivadas no canto da minha boca?
Gritar com a voz partida
já não quebra os teus muros de aços
e os meus ecos são realidades
tão banais de tão permanentes
que se tornaram pela noite dentro...
Ruídos naturais
que já não incomodam ninguém...
nem os mosquitos mais insistentes
os escutam por debaixo
do zumbido das tuas asas...
muito menos tu
que te tornas-te imune à dor
que não queres tua...
Penas já não tens
a revestir o teu corpo
porque ele revelou ser
apenas uma chama
e tudo queima em seu redor...
Anjo mudo...
com o coração cravejado com espinhos incertos
e flores naturais com pétalas já secas
que não regas com as lágrimas
que roubas às almas mortais...
Deserto de vidas encontradas ao acaso
e oásis de sonhos famintos...
Se nas minhas palavras...já não matas a tua sede
Porque hei-de eu ser para sempre
escrava do teu silêncio..
se o meu grito é livre?


Daniela Pereira

Direitos Reservados

quinta-feira, julho 31, 2008

Com água benta no corpo e um balão vermelho na mão...




Há sombras nas paredes e pontos de interrogação cravados no chão...

Há ideias que parecem certas e outras tantas que sabem a erros desmedidos...

Há marcas estranhas nos locais mais conhecidos e passos que querem ser firmes mas que ainda tremem quando pisam o caminho...

Há dias sem sol e raios de luz em pleno Inverno emocional...

Há noites que deviam ser simplesmente um dia mais curto e nada mais...

Existem coisas incompreensíveis e outras que não quero compreender...não gosto da verdade, mas procuro-a sempre debaixo dos tapetes empoeirados ou escondida nas gavetas mais recheadas...Assim é difícil encontrá-la..eu sei...mas não me importo.

Existem dores que demoram a passar e existem dores que nunca passam....nas horas intermédias apenas se fazem sentir presentes e nada mais.

São como aqueles ecos que ouvimos mas não sabemos onde nascem...mas não deixamos de os ouvir mesmo que eles venham do nada...arrepiam qualquer um.

Existem momentos que deviam ser passados no calor de uma cama ou na barriga de uma mãe, para não nos sentirmos tão frios por dentro.Nesses momentos que nos forçam para acordar ou para antecipar o parto, só nos apetece pedir...deixem-nos ficar aqui, porque aqui sentimo-nos abençoados...





Daniela Pereira

Direitos Reservados

Foto by DeviantArt-Let-them-blow-away by Rubyrubes

segunda-feira, julho 07, 2008

Por coisa nenhuma e por uma coisa de nada...





És o meu amor de coisa nenhuma..

e por coisa nenhuma assim te fizeste em mim...

Se o mar tivesse voz e não um rugido rabugento...

à muito que teria dito...

Basta, desta onda alucinada

tu não levas mais nada!

E eu teria deitado as lágrimas na areia..

teria escondido o rosto num rio improvisado

e só quando o mar

me cuspi-se para fora

eu saberia a verdade...

e não precisaria de coisa nenhuma

para a saber...

Que és um gesto no meu olhar...

uma gota de luz sombria

que na cor disfarça

todas as sombras...

Arco-íris de tudo e todos os sabores

a rasgar-me o céu

com a boca cheirando a fumo

e eu não morro sufocada...

habituo-me ao teu gosto

e fumo-te os lábios

até à exaustão dos meus pulmões...

E assim..

por coisa nenhuma e por uma coisa de nada

aqui ficaste no meu corpo...

a atravessar a minha alma

de lès a lés

como se eu fosse um quilómetro ainda por percorrer

mas já tão batido pelos teus passos

que em pouco tempo

lhe adivinhaste toda a paisagem...

E o que nasceu por coisa nenhuma

parece querer morrer por uma coisa de nada...



Daniela Pereira

Direitos Reservados

terça-feira, junho 24, 2008

Trocadilho um pouco ou nada simples





Talvez não me apeteça dizer nada
por achar que o nada é sempre pouco
para falar por mim
que sou escrava das palavras compridas...
Tenho medo e sinto-o dentro de mim
mas confesso que não sei de onde vem..
Minto...
talvez saiba ou pelo menos desconfie
porque é que ele me prende o peito
com garras afiadas
e deixa sempre a sua marca...
Não temos todos medo
de perder uma razão para ser feliz?
Quando tudo parece perfeito
não será normal
desejarmos que nada mude?...
nada..nada...
Lá usei eu esta palavra tão graciosa e tão maldita...
não há nada que não mude...
não há nada que não trema...
não há nada que não se finja...
há sempre um tudo que muda um pouco...
há sempre um tudo que treme
a sua firmeza quando o vento lhe sopra de frente...
há sempre um tudo que finge...
que finge que nada está diferente..
e o nada,nós sabemos que muda tudo..

Talvez não queira dizer nada...
mas tudo o que sinto
deixa-me com tão pouco
que até um pequeno nada me pode parecer tanto...
Talvez não queira dizer nada
e fosse melhor eu não ter medo de dizer tudo..
Mas o medo prende-nos a voz..
é cão rafeiro que late até nos furar os ouvidos
e este medo maldito
quase sempre nasce do nada.

Não é ele filho do vazio e de coisa nenhuma?
Então porque me sinto
tão cheia deste medo cá por dentro?

Daniela Pereira
Direitos Reservados

Foto by DeviantArt-

wanna tell u smt by ~ciccidejin

terça-feira, junho 17, 2008

Estrelas em pó...




Que importa o sentimento

se é sozinha que o sentes?

Alguém abriu uma janela para ti

com vista para um céu repleto de estrelas

mas deixou-se ficar escondido na sombra

a ver-te a olhar tão sonhadora...

e tu sonhas...

sonhas porque és mais feliz a sonhar...

Tens flores nas tuas entranhas

semeadas sem adubo

mas lindas...

lindas cheias de cor e de brilhos..

tão formosas que elas são

nos seus prateados...

Há aroma de mar nas pétalas

e rios a acenar-lhes nas curvas...

Tens sorrisos nos olhos

e bonecas de louça

esculpidas na tua boca...

tão frágeis os teus lábios magoados...

Que pedra te feriu tão fundo

para fugires até das rosas

que encontras no caminho?

A lua está cheia...

cheia de sonhos e de fantasias desesperadas

e mesmo assim a escuridão

ainda chega a nós

que na realidade não sabemos existir...

Que importa o sentimento

que te arrebata os pensamentos

e os gestos mais secretos?

Não és segredo por ti murmurado...

por ti dito sem medo...

Existem coelhos brancos

guardados na cartola...

mas tu não queres magia...

queres a ilusão do sentir

e sentes que o mundo perdeu a cor...

que as estrelas são fabricadas em série

e nenhuma delas é especial...

O teu paraíso tem a janela fechada

e eu não a consigo abrir...

Se eu for uma estrela..

serás que dás por mim

assim tão enevoada?


Daniela Pereira-17/06/08

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Foto by DeviantArt-
Introspection by ~NadIksodas

quinta-feira, junho 05, 2008

Facto I




Facto

Se eu pudesse ganhar asas
só por as desejar ter...
neste segundo estaria a tocar o céu
e não a rogar pragas ao chão....

Daniela Pereira

terça-feira, maio 27, 2008

Carta à negritude de uma alma...



Foto na Galeria Olhares:http://olhares.aeiou.pt/drown_the_sad_doll/foto1981696.html

Se o tempo pudesse voltar atrás...eu correria atrás dele como louca.
Mas não consigo...só consigo estar parada de pernas cortadas sem ter um passo que me deixe mexer...
Sou árvore sem frutos nem ramos para me proteger do vento que sopra contra o meu corpo estático...sou mais chão de terra que pedaço de estrela por descobrir em noite com a lua a mingar no horizonte.
Estou negra..negra por dentro...mais um pedaço de cinza depois do rescaldo de um incêndio lavrado que o vento ainda não soprou porque ainda exala calor lá de um fundo bem fundo que ninguém alcança...mas que por vezes se sente porque queima ao tocar.
Brancas são as noites deitadas nos lençóis sem coragem para respirar..asfixio gritos cinzentos e suspiros incolores sem ter a mão presa à secura da minha boca.
Se eu pudesse correr em cima do mundo na direcção contrária do inferno, de certeza que iria ver o céu ..nem que fosse apenas de longe. Mas do corpo fiz chama e da minha alma fiz cigarro por fumar..restam-me as lágrimas frias que me decoram o rosto para me apagar sem pressas...Um relógio parou na sala e eu não vi quando as horas desistiram de bater...fez-se silêncio dos risos.


Daniela Pereira
Direitos Reservados

quinta-feira, maio 08, 2008

Poema com fôlego curto...





Porque todas as chamas se extinguem...
todas as velas se apagam...
Mas nenhuma palavra há-de morrer
por lhe lamberem o rastilho...


Daniela Pereira
Direitos Reservados

Imagem in DeviantArt -http://night-fate.deviantart.com/art/the-follower-84969420

quarta-feira, abril 23, 2008

As maçãs do Paraíso têm bicho da fruta...




Se a lua quiser ouvir os meus passos...

hoje estará surda na escuridão...

Não caminho...

deambulo...rastejo...tropeço...

mas não firmo o chão.

Há um gemido a menos no quarto

e o meu sonho não se vem...

esquecem-se os abraços prolongados...os dedos que se tocam...

o corpo entregue com pele e perfume...

os olhos que respiram alma em todas as sombras...

mas o meu sonho acha que não consegue vir

então foge do meu peito

quiçá livre e solteiro

com o sorriso à mostra nas traseiras

ou com as lágrimas coladas à porta da frente...



Segredos trocados...

feridas lambidas num beijo...

inseguranças reveladas ao lume...

carinhos pintados de olhos fechados ...

o mar a bater nos corpos em contra-mão...



A lua está rota e o luar afinal é reflexo de um vidro riscado...

O sol é quente porque usa termo ventilador atrás das nuvens e os seus raios são só vapor...

As maçãs do Paraíso têm bicho da fruta e a Eva tem o coração podre...

Os desejos são confeccionados com chocolate branco mas o seu recheio é feito de dor negra...

A ternura é bem acolchoada nos abraços,mas afinal é forrada com penas doces e só por isso nos aquece um pouco...

Somos drogados por voar com tão pouco no peito...

Deixa-me rasgar uma ou duas palavras da boca

mesmo que a sua falta me deforme o poema...

para os Deuses sou imperfeita

o que custará em mim descobrir mais uma imperfeição?

Até no Paraíso temos lama nos pés...



Daniela Pereira

Direitos Reservados

Foto by DeviantArt-http://terraregina.deviantart.com/art/broken-hearts-and-red-spades-83363998

quinta-feira, abril 17, 2008

Hajam flores caindo porque a chuva cansa...




Hajam flores para combater a chuva espetando nas gotas pétalas de luz...
Hajam flores para forrar todos os buracos que se abrem nos caminhos quando os cegos dão os seus passos inocentes...
Hajam flores onde a lua se cruza com o sol para celebrar a pureza desse encontro...dispam-se as nuvens das suas vestes cinzentas e pintem-lhes as bochechas de branco...
Hajam flores navegando nos rios sem destino algum...só pelo prazer do aroma da viagem...
Hajam flores apertadas nas mãos dos amantes assistindo envergonhadas às carícias que se amam lá no alto...
Hajam flores trepando o branco das paredes com pés de alecrim e braços curvados com costas nuas...

Hajam flores a morrerem pelos cantos e outras tantas a nascer sozinhas nas curvas...

Hajam sonhos despidos e borboletas sombreadas à procura de jardins encantados...


Daniela Pereira
Direitos Reservados

Foto por Daniela Pereira in Olhares

post também em Blogue das Artes:http://bloguedasartes.blogspot.com/

quarta-feira, abril 09, 2008

Se um dia o amor cegar...deixa-o por aí a andar à toa






Se um dia aprenderes a amar-me

até à raiz mais profunda

que albergo no fundo do peito

talvez encontres uma árvore florida

plantada na areia seca

que tanto sopras nos teus passos...


Deixa-me rodopiar um bocado

nas pontas dos dedos...

ser bailarina tonta

em cima da varanda

a um palmo de mão

prestes a cair...

Vou desenhar nas paredes

o sol dos meus verões

para esta chuva maldita secar ...


Se um dia desaprender a falar

e a minha boca

para ti se calar...

ouve-me nos gestos...

porque os gritos

levo-os sempre maquilhados no rosto...


Deixa-me brincar ás escondidas

com os sentimentos que abandonei por cobardia

atrás das cadeiras da sala...

enrolar as batidas do coração

nas dobras dos tapetes...

partir essas tuas dúvidas

com toda a força no meu chão.


Se um dia descobrires este amor palpitante

que trago estampado nos seios

que apertas de olhos fechados...


Se um dia adivinhares as cores

com que a minha língua

te pincela a pele

para pintar o teu corpo

com arco-íris endiabrados...


Se um dia esqueceres as tuas ânsias

e encontrares os teus desejos

nas primeiras páginas

do livro que já lês

à tanto tempo...



Talvez saibas inventar

outras histórias

onde as lágrimas estejam

para sempre perdidas...

estou tão cansada

de ver sempre morrer as esperanças

a duas páginas do fim.


Ai se estes sorrisos

que vês a decorar as folhas

soubessem ser uma razão

para não pensares ainda

como seria escrever um final feliz...




Mas deixa-me rodopiar mais um pouco

no escuro dos teus dias...

ser bailarina tonta

e dançar na tua boca

até o teu amor chegar...

Depois pegas na caneta...


Daniela Pereira

Direitos Reservados

Foto
Coffee for Mister Klimt by *Floriandra

sexta-feira, março 28, 2008

A minha pequena revolução...




Se me disserem que não posso fazer das palavras...sonhos, então não consigo olhar para elas da mesma maneira.

Se me disserem que não posso dar um aroma ou um sabor a um gesto porque estou a fantasiar... não sabem que para mim escrever é um sonhar sem limites e no dia em que um gesto sair descrito da minha boca com meia dúzia de palavras clássicas então nesse dia juro que terei assassinado a poesia em mim.

Não gosto das palavras direitinhas como fios de prumo e muito menos aprecio as palavras sem pitadinhas de sal e gotas de perfume à mistura...

Se usar um pouco a imaginação é reduzir-me à infantilidade de uma criança, então azar porque não deixarei de ser criança só porque existem no mundo Homens arrogantes...

Por isso os meus sonhos hão-de ser sempre de algodão doce e vão sempre saber a maçã ou então a gelado de baunilha..mesmo que isso não faça sentido nas mentes mais sábias e sabidas deste mundo.

Hei-de amar sempre uma alma e mesmo que não existam provas cientificas da sua existência não vou deixar de me entregar em pedaços doces ou em retalhos amendoados quando sentir vontade de ser livre.

Amo as palavras e amo a liberdade de as tornar impossíveis de existir mas saborosas de sentir, porque só esse gosto me importa e só esse prazer de voar sem asas...de mergulhar em oceanos de mel sem ter medo de me afogar me cativa.

Palavras escritas a direito, de cabeça erguida e com crista de galo são bonitas de ler e de contemplar na folha de papel, mas não são inteiras..nem absolutas no sentir que transmitem.

Os sentimentos não se declamam a preto e branco e muito menos são inodoros ...as paixões não voam num avião em 1ªclasse..preferem viajar devagarinho ao sabor do vento e bem abraçadinhas ...o amor não entra no nosso corpo batendo à porta e pedindo gentilmente para entrar...o amor arromba a porta ou então parte-nos a vidraça à pedrada com a pressa que tem de nos amar...

Por isso aqui juro e volto a jurar...poesia para mim é sonho..é magia...é rio que corre em direcção ao mar sem parar pelo caminho para retomar o fôlego...é sangue que nos salta das veias com apetite de se infiltrar em todas as frinchas que se abrem no peito ...

Pronto..peço desculpa pelo desabafo, mas estava aqui com um nó na garganta que precisava de rasgar.

Daniela Pereira

Foto by Deviantart :http://lifeismusic.deviantart.com/art/Fly-81224667

quarta-feira, março 26, 2008

Tu...eu e a saudade abraçados até o amanhã chegar




A saudade hoje tem um gosto doce...é escrita com palavras abraçadas e ternos adeus.

Tem carinhos desmedidos e olhares apaixonados concentrados num só momento...

Tem sorrisos distraídos e pensamentos de algodão doce...

Acena-me ao fim do dia e embala-me todas as noites...

Não me assusta ouvi-la dizer adeus,enquanto moras nos meus sonhos e te saboreio nos meus flashbacks adocicados...

A saudade tem o fumo de um cigarro enrolado na minha pele e eu não quero ser ar puro quando és tu que me poluis...cheiras a campos verdes e a leite acabadinho de ferver.

Bebo-te todas as manhãs misturado no café...sabes-me a chá verde e apaziguas todas as minhas demências quando me empurras para a loucura que é estar junto a ti...

Almoço-te em todos os meios dias quando corto a carne tenra a salivar-me sangue no prato ...palpitas-me nas veias e fazes a maratona pelo meu corpo até ficares com a língua de fora.

A saudade tem voz de sereia e leva-me ao fundo dos meus desejos para me perder com os olhos repleto de estrelas e os lábios pingando mel num colibri ...

Tenho asas sabias?E quando sinto a saudade a querer rasgar-me o peito amo-te ainda mais na escuridão ...

Depois esqueço que não estás aqui e encho o meu coração com um perfumado sortido de flores para te receber na próxima vez e a saudade tem gotas de água a matar a minha sede...

Daniela Pereira

quinta-feira, março 13, 2008

terça-feira, março 11, 2008

Obrigado :)


Na foto:Eu e duas amigas do peito...a pequenina Bia e a Luísa:)

A Apresentação do livro Afectos Obsessivos na Livraria Leitura Books & Living ocorreu num ambiente muito caloroso e descontraído.
Cercada de amigos e de pessoas que me acarinharam imenso...só podia ter sido um momento muito especial...e foi.
O livro foi apresentado...a autora deixou-se guiar pela emoção que sentia e as palavras saíram bem cá do fundo do peito.
Depois a poesia foi rainha e muitas vozes quiseram partilhar emoções ...inesquecível.
Obrigado a todos os que estiveram presentes e me apoiaram nessa tarde...
Para quem quiser dar uma olhadela pelas fotos do evento...entrem no site EscritArtes e espiem o slide que lá se encontra

http://www.escritartes.com/forum/

beijinhos

Daniela Pereira

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

terça-feira, fevereiro 19, 2008

O teu chá de tília...




Queres entender o que sentes mas não consegues...

Porque és assim?

Porque gritas tantas vezes preto...se aquilo que desejas é o branco?

Porque fazes tempestades..quando te apaixonas nos rios.

Tens um olhar triste..demasiado marcado por solidões e descrenças no teu ser. Já falhaste tanto..já bateste tantas vezes no fundo que é difícil para ti não temer voltar para ele. Fazes do pouco..muito! Se calhar nunca tiveste demasiado para saber aquilo que realmente tens nas mãos.

És assim porquê? Uma onda mal formada a rebentar de espuma amarelecida cheia de passados mal cobertos.

Se calhar és inocente demais na forma como sentes o mundo...ou então se calhar és mesmo só velha, porque te obrigaram a viver muito lentamente alguns instantes da tua vida e tu ganhas-te rugas sem que te dês conta que elas já lá estão.

Pedes que te entendam..para quê? Se nem sequer tu te consegues entender...

Fechas os olhos e imaginaste-te no teu sonho mais belo...na paisagem mais tranquila que consegues inventar dentro de ti.Por momentos,ficas calma e consegues realmente entender...entender as palavras dos outros...a sua tristeza para contigo...entendes os teus erros e prometes mudar.

Acreditas que consegues?Se calhar devias acreditar com mais força para marcares essa diferença que precisas para rasgares essa tua insegurança da pele e brotares por inteiro.

Ai que isto dói cá por dentro..que as verdades ecoam como lâminas,mas precisas mesmo de as ouvir!

Tens um olhar triste e gritas essa tristeza com violência mesmo quando te abraçam terno...

Menina inconsciente, porque não sabes ser Mulher adulta!

Porque acreditas num coração a bater..porque gostas de cantigas de embalar e de olhares apertados.

Devias usar tranças no cabelo e laços vermelhos nos sapatos...mas tens sonhos presos aos vestidos e rebuçados de mentol nos penteados.

Bebes chá de tília e atiras-te como louca para a tua cama desfeita e se o sol não vem fazes cair chuva do tecto só para te vingares da escuridão.

E isto entende-se?Essa forma estranha de te inserires na vida ?

Essa tua obsessão de sentir num mesmo tom, se sabes que as pessoas não são melodias perfeitas. Gostas do caos que se instala à tua volta quando cantas desafinada serenatas à tua alma..Talvez seja isso..entendes melhor o caos que a ordem das coisas.

Deixa-te estar caótica que a paz logo vem...apetece-te respirar fundo..sinto-o daqui. Nessa tua respiração intervalada com soluços breves...

Mas mesmo caótica, sinto-te agora estranhamente calma... como se tivesse por fim encaixado todas as peças daquele puzzle interminável com que a tua cabeça jogava...

Daqui a pouco estás outra vez ofegante e a misturar novas peças na tua cabeça... ou talvez não..ainda não consegues prever os teus gestos. Mas há algo diferente em ti..uma luz que se apagou por instantes mas que ainda se vê de longe no teu olhar...

Deixa-te ficar assim a lamber as feridas mas sem sangrar... a aprender porque lamentas perder quando foste tu que fizeste a guerra...

Mas estou a olhar para ti e acho..não tenho a certeza que hoje não te apetece dizer mais nada.

Guarda então as palavras no peito e entende porque é que este silêncio só te sabe a meio amargo...

Tens uma lágrima a cair dos teus olhos...tão pequena..e tão bonita que ela é.Deixa-a cair... faz todo sentido deixá-la pertencer ao teu chão.

Daniela Pereira

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

A aflição do silêncio da carne quando a alma levanta a voz...




Talvez não tenha o direito de pensar...
talvez o mais correcto em mim
seja sempre o sentir...
Porque me rasgam estas dúvidas
tão profundamente o peito?
De onde chegam vocês
agora que sentia tudo perfeito à minha volta?
Tenho a carne agrafada ao corpo...
suada e aflita
porque não se consegue soltar
e desesperadamente sabe que quer voar
e em pedaços suculentos se doar.
Falta sentir os teus dedos pedindo
para me aproximar com a respiração encravada...
Falta sentir que beijo cerejas
e que sem mim a água tem sede
quando escorre nos rasgos da minha boca...
Este sentimento vai e vem cá dentro
e deixa-me louca...
tenho ondas no olhar
e riscas coloridas
desenhadas às pressas
que me turvam a visão...
Apetece-me estalar o que sinto
forte contra o rosto despido
e interrogar a alma até à exaustão...
Porque te sentes sozinha
nas palavras que debitas
com o coração envergonhado?
Porque não corres para os meus braços
como se o mundo fosse acabar amanhã..?
não só para ti...
mas para mim também
porque eu sou só uma brisa que hoje por ti passa
e amanhã posso ser chuva desnorteada
desfeita num chão.
Deixa-me morrer aos poucos...
voar por cima das montanhas
que amargamente levo às costas
e tantas vezes me fazem viajar
em círculos infinitos
que não parecem ter fim.
As borboletas perdem a cor
mas viram todos os arco-íris de perto
antes de serem tela a preto e branco...
As formigas esmagam-se com um simples passo
mas já percorreram tantos caminhos desconhecidos
antes de serem pó na estrada...
As flores murcham com o cair da primavera
mas já perfumaram tantas peles
antes de perderem todas as pétalas ...

Inspiro...
Roubo aos pulmões toda a postura
e o ar sai-me curvado pela boca
já cansado de tanto fugir
com soluços a vibrar na garganta.

Sinto...
Será que tenho o direito de sentir
se nem nas palavras me acredito?

Escrevo...
Aqui nasço e renasço cem vezes
com o coração completamente à toa
e abraçada às palavras
mato o medo de me perder...

Daniela Pereira
Direitos Reservados

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Dor original...



Original é o poeta
que luta contra as ondas
mesmo quando sabe que se vai afogar...
O poeta que inventa o sol
em dias de chuva
mesmo que morra no salgado das lágrimas.

Original é a rosa
que brota solitária num jardim
sem temer a solidão
do vento quando este lhe toca...

O poeta é banal
porque chora
e tem medo como todos os mortais
que deixam passos na areia...
O poeta nunca será original
só porque sente que a sua escrita é imortal...
O Amor também dói
como dói toda a poesia no peito
mas até ele morre
como toda a gente...

Daniela Pereira
Direitos Reservados

Foto por Pokosandiva in http://pokosandiva.deviantart.com/art/Je-t-aime-76434118

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Quando anjos e poetas descem à terra lado a lado...








Se um dia um anjo descer à terra e um poeta o encontrar...

Terá no seu rosto linhas dos teus traços e no olhar essa candura ilimitada que na tua alma não parece conhecer um fim...

Terá braços fortes como os ramos das árvores que enquadras com os teus olhos e com bondade fazes crescer...

E os seus abraços?

Os abraços serão como raízes entrelaçadas à volta de um corpo até sentir a carne presa aos dedos a amadurecer .

Asas deve ter!

Porque todos os anjos têm asas e os poetas já nasceram com uma vontade ilimitada de voar...

Talvez as guarde em segredo às escondidas...

Gentilmente apertadas junto ao peito à espera de uma ave magoada que o queira acompanhar às cegas num voo nocturno...

Talvez não goste de mar por ser revolto demais..

Talvez as tempestades lhe recordem a força dos seus sentidos e isso o apavore...

Talvez ame a lucidez das ondas...que sabem ser infinitas e morrer sem olhar para trás,lamentando o que ficou ainda por fazer numa vida curta.

Se calhar já viveu muitas viagens no corpo com a escuridão mergulhada em si...

Conheço-lhes os passos,porque já ali também andei..meio perdida e sombria caminhando por entre lágrimas e indiferenças solitárias.

E se o sol o encontrar sentado com a solidão num banco velho de um jardim ?

Esquecerá por momentos a lua e toda a imensidão de noite que habita num poeta que anseia florir sem deixar mais pétalas caídas no chão?

Como se quebram dois corações envidraçados sem sentir nenhum estilhaço restando sobre a pele?

Ainda hei-de encontrar uma solução...afinal sou poeta no corpo e da profundidade tenho sobras a jorrar da alma...

E há livros que não li mas quero escrever de mansinho...

E existem horas brancas onde refugiar todas as nuvens cinzentas de um céu menos azul...

E tantos...mas tantos pensamentos que em mim não dormem...

Mas talvez na cumplicidade de um sonho eu consiga imaginar tudo o que o meu coração quiser.

Eu sei que no meu desespero pedi desejos agarrada às estrelas só porque a chuva doía quando caía cá dentro...Sei que pedi que a dor não fosse tão impossível de acarinhar...que os sorrisos não dependessem mais da minha tolerância ao espelho...

Das sombras de uma boca...

Lembro-me de ter lavado a negritude das noites com a acidez do meu pranto...de ter deixado a escuridão tão mais limpa e pura..de ter esfregado os sofrimentos contra os dedos noites sem fim na esperança de os ver trespassados na ponta da caneta.

Tantas folhas ficaram em branco porque a minha mente desmaiou sem forças para seguir em frente...

Talvez seja a sina de um poeta..ter o choro nas palavras e os sentimentos na ponta da letra,até que um anjo estranho às realidades da terra procure num poeta escavar o abrigo de um sonhador...



Daniela Pereira
Direitos Reservados