sexta-feira, julho 03, 2009

Liberdade denunciada




Cansa-me a incerteza dos poetas na doação ao mundo...
Os dedos por onde escorrem corações enlameados e outros tantos cobertos de laços e de promessas com calda de açúcar...
Se eles tivessem um punhal seria para cortar as veias ou as margaridas rasteiras no campo logo pela manhã...
São eternamente descobridores que não darão novos mundos ao mundo..apenas o olharão de forma diferente descobrindo-lhe os jeitos e os trejeitos com ganas de saber.
Cansa-me a irmandade dos Deuses e dos Anjos...sempre abraçados aos sonhos de alguém sentindo que os sonhos dos mortais serão sempre inferiores aos seus. E nós que queremos ser apenas perfeitos, porque as imperfeições condenam os desperdícios daquilo que falta sempre... suspiramos de mais..nós os que pertencemos à raça dos poetas! Imploramos até ao vento que passe que leve a brisa para outra direcção quando ela golpeia vendavais... esquecendo de pedir licença até para voar.
JUlgamos-nos livres de asas nas canetas com o peito a soletrar baixinho aquilo que não conseguimos dizer alto com medo que metade do mundo nos julgue almas amargas. E então lembramos amores e os aromas dos rosmaninhos como se cheirassem ao mesmo e ficamos podres quando a pele que se deita ao nosso lado teima em cheirar a papoilas...que injustiça. Dá vontade de esfregar a pele até lhe ver os ossos e apertar com força a medula para ver se ainda temos algo nosso para doar.
Cansa-me a incerteza dos poetas na doação ao mundo...
Por vezes parece que nos estendem esmolas..outras vezes parece que o mundo nos cobre de ouro e somos mesmo ricos. Ricos na dor sentida...ricos nas paixões incendiadas..ricos no amor carpido..ricos nas despedidas inesperadas...tão ricos e tantas vezes apenas nos sentimos sós. Às vezes só queria poder andar de alma rasgada pelas ruas ...sem ninguém a olhar...livre das minhas poeiras ..

Daniela Pereira in Liberdade denunciada
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2 comentários:

Paula Raposo disse...

Excelente minha amiga! Adorei. Beijos e um óptimo fim de semana.

Luís Miguel - flautas disse...

"tantas vezes nos sentimos sós"

eu, mergulhado num mar de gente
não me sinto uma gota

sinto-me só.