domingo, dezembro 05, 2004

Não me amem pelas palavras que escrevo...


Estremeçam com o trepidar das curvas do pescoço
e com a acidez do aroma que me encharca a pele nua.
Afundem-se na terra lamacenta
que albergo na profundidade do castanho dos meus olhos
mas não chorem pelas palavras amarguradas
que derramo no papel frio.
Adorem o meu sorriso pregado nos lábios vermelhos
como uma rosa que levam na lapela para embelezar
mas não sorriam com os versos pinchados com gotas de alegria
roubadas aos olhos do palhaço triste parado na esquina.
Idolatrem a minha alma sensível
que flutua nos sonhos como se fosse uma leve pena
mas não voem no dorso das letras negras
que carimbo no papel com os dedos em brasa.
Apaixonem-se pelos gestos singelos que desenho no vazio
e pelo toque suave das minhas mãos morenas
mas não me amem pelas palavras que escrevo.

3 comentários:

Anónimo disse...

Lindo. ;) *** João Peixoto (Poetasamigos)

Luísa Mota disse...

Mnha querida,

Não me peças uma coisa dessas!!!!!
Amamos ...amamos.....mesmo contra a tua vontade, não há volta nas nossas emoções...as tuas palavras são autênticos dicionários....em cada uma, outra definição...um sinónimo diferente....

1 Bj*
Luísa

blueiela disse...

Luísa e João


Queria agradecer-vos pela simpatia sempre presente nos vossos comentários aos meus devaneios!!!
Espero que me amem por muito tempo...ou pelo menos que se apaixonem pelas minhas palavras ...elas agradecem o apreço ;)


beijinhos

Blue