domingo, maio 08, 2005

Bafo quente


Corro sozinha com os braços abertos
para a devassidão do vazio.
Sinto na pele fria
uma chama imensa
que devora o ar gelado da noite.

Sopra com força dragão
esse bafo quente
contra os meus sonhos
e incendeia-os de fantasia.
Leva a minha alma alada
pendurada nas tuas costas
enquanto durmo agitada .

Conta-me histórias
de um tempo que não existe.
Imagina as lutas
de heróis que se curvaram
perante a tua fúria.
Recria o choro
das donzelas cativas
que seus amados perderam
apagados na tua boca.

Foge comigo esta noite
se os meus olhos ainda estiverem em brasa.

Rasga o peito dos homens
que fizeram de mim
este corpo jogado ao vento.
Trespassa-lhes as veias
com as tuas garras
e bebe comigo o seu sangue doce.

Prometo com as estrelas
como minhas testemunhas
que irei embalar
todas as noites a nossa amarga solidão
com canções suspiradas.

Prometo escalar o céu de prata
vestida com uma túnica doirada
e com rosas de fogo presas no cabelo.
Debruçada no parapeito da lua
sorrirei para ti
enquanto reduzes na areia do deserto
os meus monstros a cinzas.

1 comentário:

Leônidas Arruda disse...

Daniela, este Bafo Quente queima sonhos e arde na pele dalma.