segunda-feira, julho 04, 2011

Até que o pensamento acabe...suspiramos





Já não sei o que dizer...se é que alguma vez soube o que as palavras significam quando se desprendem dos meus dedos como borboletas suicidas que embatem contra as paredes com a força que carregam nas asas.

São como lendas que se libertam ao vento para as histórias encaixarem nos momentos e não ficarem à deriva,porque o mundo já é um buraco negro que nos engole o corpo até às sombras e nem a alma escapa aquela fome que nasce no profundo de um povo que quer liberdade para amar.

E eu já amei...já amei com tudo o que tinha para respirar...com tudo o que tinha para repartir quando tudo era exclusivamente meu e o sol dizia-me em segredo: Não te percas que as nuvens ficam no teu horizonte e depois tens chuva todos os dias quando abrires a medo os olhos inchados! Tens nevoeiro atrás das tuas costas e nos teus cabelos já vi tantas vezes orvalhar...Precisas de sol para amadureceres mais colorida...

E eu amei as pedras da rua porque me levavam até ti..religiosamente até ti e o caminho era perfeito.Se existiram muros para transgredir,nunca me importou, saltei sempre para a frente. Às vezes parecia uma leoa a defender-te dente por dente da escuridão que te fazia adormecer sem expressão no olhar.Eras um autêntico fantasma de memórias desfeito..moldado nas intelectuais margens de um rio culto que nada sabia para além de uma ida ao espelho para ver se algo mudou.

E hoje ainda amo... não te amo a ti.E ainda pergunto como é que um dia te amei.. como se fosse o meu erro mais divino...uma crosta numa ferida que sempre foi mentira.

E amo...amo-me a mim em algum pedaço de tempo onde me suporto..onde me entendo e admiro. Mas há horas onde sou mais escura que aquele buraco negro que o mundo transformou num lar...

Aí rasgo as palavras..rasgo-as em letras miúdas para ninguém as conseguir ler,nem mesmo o coração que já conhece os meus silêncios gestuais e no meu murmurar hesita ,recomenda que remende os gritos já ditos e eu nem te sinto...

Os meus dedos escorregam no teclado, sem vontade ou paixão..escorregam apenas e como quem segura o chão depois de uma queda suspiram até que o pensamento acabe.

Daniela Pereira

Direitos de Autor Reservados

1 comentário:

Colibri disse...

Parabéns pela sua escrita! Fiquei com vontade de ler e ler e ler... Fiquei fã!