quinta-feira, agosto 11, 2005

Trovoada matinal





Hoje sei que acordei...
Como sempre acordo
com os pensamentos encostados no meu ombro.
Sempre com aquela vontade imensa de fugir...
De correr sem nunca mais parar
e deixar para trás o mundo.
O Mundo...
Aquela bola gigante
onde rodopio de olhos fechados
e com pregos cravados nos pés descalços
inocentemente mergulhados na brancura das nuvens.

Hoje sinto que as palavras de nada me vão servir
Precisava de as multiplicar por mil
e teriam de ser todas sussurradas
com suavidade.
Ditas com ternura e
escritas com a alma despida
para eu voltar a acreditar nelas.

E o mar azul que tanto admiro?
Hoje tinha que ser pintado de novo
com cores mais garridas
Porque o verde das algas
e o azul das águas hoje não vão disfarçar o breu instalado no olhar.

Procuro por entre as caixinhas de música
uma melodia que me acalme e
embale esta tristeza que me vigia de perto.
Enquanto os sons se espalham na sala
voando em todas as direcções
com emoções amarradas nas asas
eu toco lentamente com finos dedos
mais uma tecla ocasional
e fico à espera pacientemente que a profundidade de um poema
engula a tempestade que troveja no meu corpo.

Daniela Pereira

3 comentários:

vero disse...

Palavras... suapiradas, sentidas, amargas, inocentes, verdadeiras, mentirosas... que perduram e se multiplicam, como um eco de angústia... adorei o teu blog!
Dá uma vista de olhos pelo meu blog,ok?
http://www.sensacoesirisorias.blogspot.com
Bjs,
Vero.

Leônidas Arruda disse...

Querida Daniela, seu poema é lindo, suas palavras gritam, saltam, inundam, inauguram, transcendem e explodem em mares di-versos. Beijos.

blueiela disse...

Vero e Leônidas

Obrigado por tanto carinho oferecido a uma mão cheia de palavras lamentosas que aqui soltei...
Por vezes sinto-as inúteis e vazias, mas quando recebo este apreço sincero desconfio sinceramente que se calhar não tenho razão :)

beijos agradecidos


blue