quinta-feira, janeiro 01, 2009

A imperfeição do verbo amar...




O Amor que eu desejo...

Não desejo um amor simples e estupidamente banal...com datas marcadas para as lágrimas e horas definidas para poder por ele sorrir...

Não desejo aquele Amor que não nos aquece o peito e muito menos nos tira o fôlego ou nos mata com saudades...

Quero aquele amor que não se explica...que não se lê nos livros mas lembra todas as histórias que o romantismo gravava em tempos nas árvores de um jardim com pedras afiadas e corações vermelhos servindo de molduras desajeitadas...

Aquele amor que nos obriga a romper as roupas e a engolir flores por entre os beijos , porque tudo está a mais para além dos nossos corpos..

Aquele amor que ao primeiro toque abre logo uma porta no coração e nos acende uma fogueira que nos queima todo e qualquer frio sentido nos invernos e sentimos que o verão chegou para ficar abraçado para sempre na nossa pele...

Não quero um amor que não entenda porque morro quando não o sinto presente e porque sinto vontade de gritar e de quebrar todos os vidros da janela para acordar todas as lembranças adormecidas...

Não quero um amor que se esqueça do aroma dos meus perfumes e da cor da minha alma..quero mais..quero um amor que invente comigo sombras nas paredes..que invente melodias desafinadas só porque sente vontade de chilrear e os pássaros estão longe de mais para lhe roubarmos os bicos...

Não quero um amor que não me ame por aquilo que eu sou..que não admire as minhas tempestades e olhe para mim com orgulho sempre que saio ilesa de cada uma.. que não sinta vontade de me apertar junto ao peito só para me ver serenar imersa em todas as ondas onde decido mergulhar...

Quero um amor que me faça chorar...que me faça acordar a meio da noite para escrever poesia..para encontrar desesperadamente a palavra que defina o que estou a sentir e que todas as folhas rasgadas sejam sinal que de falhei ao tentar dizê-lo ...

Não quero um amor moldado em silêncios e tempos sem abraçar...não quero um amor prisioneiro, mas também não quero um amor que voe de flor em flor só porque as minhas asas numa noite qualquer não lhe rasaram a cama...

Quero um amor que me deixe dar aquilo que tenho e aquilo que não tenho mas que vou imaginar.. quero um amor que durma comigo nos meus sonhos mesmo quando não está do meu lado...quero um amor sem medo de se doar...sem desculpas para não chegar...sem razões para partir...

Não quero um amor fraco , tecido com linhas finas e ligado por nós infernais que ninguém se preocupa em querer desatar..

Quero um amor atencioso...que corra para o meu coração ao primeiro sinal de cansaço na sua batida..quero um amor que desespere ao ver-me sofrer..que perca a cabeça quando eu o mandar calar...que salte um muro para roubar todas as rosas que encontrar num jardim... que encha um cesto com frutas e alimente a minha fome por entre beijos e sucos apressados num chão pintado a preto e branco.

Quero um amor dos poetas..um amor suícida..um amor drogado por uma overdose de emoções...um amor com ódio por amar demais..um amor sereno nas horas e possuído nos minutos..um amor bebido num segundo mas sem nunca perder o gosto a vintage ..quero um amor que nunca me peça para ser esquecido..quero um amor que me soletre "recorda-me" em cada despedida...

Quero um amor que me enlouqueça....que me faça sentir a mais traquina das crianças e o mais ousado dos diabos...

quero um amor que seja a cor dos meus olhos...o meu braço direito e o esquerdo também...quero o amor que me trepe as pernas em todas as viagens e me estenda uma almofada para depois eu descansar das minhas caminhadas..das nossas caminhadas dadas lado a lado...

Quero um amor impossível..um amor perfeito em todas as suas imperfeições..quero um amor amigo e fiel ás minha desilusões..

Quero um amor assim..mas para além de ti já nada mais quis amar...

Daniela Pereira

Direitos Reservados

2 comentários:

braulio disse...

que lindo.. o que escreves que paixao poetisa.

um beijo

Bella disse...

Perfeito...